O caso Jean Carlos Chera

Entenda a polêmica envolvendo o jogador Jean Carlos Chera.




























Com 9 anos, o garoto ficou famoso por um vídeo que circulou na internet com suas atuações pela equipe do Adap-PR, motivo pelo qual era desejado por equipes do calibre de Manchester United e Real Madrid.


video


Jogando pelo Adap-PR, o garoto e seu pai resolveram, em acordo com o Santos,  que o atleta atuaria pelo time da Vila Belmiro, provocando imensos protestos por parte do presidente da equipe paranaense, que chegou a ameaçar: 

- "Vamos procurar nossos direitos. O Santos já foi notificado por meio de um documento postado ao Marcelo Teixeira".

O pai do garoto, na ocasião, alegava que o clube não possuía estrutura adequada para o garoto, que treinava junto a garotos de 14, 15 anos, razão pela qual trouxe o moleque para se tornar um menino da Vila.

Com apenas 10 anos, Jean já era jogador do Santos FC, momento em que assinou um contrato de formação, por meio de seu pai, além de um contrato de cessão de imagem, além de um salário de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) mensais.

Trazido para o Santos, o jogador, com 11 anos, à época da administração Marcelo Teixeira, além de receber para sua família moradia em apartamento alugado pelo clube, assistência médica e escola particular para ele e seu irmão mais novo. O clube, ainda, se comprometeu a continuar bancando seus estudos até o ensino superior.

Quando tinha 12 anos, o garoto e seu pai estavam insatisfeitos com o técnico da equipe sub-13 do Santos, Alberto Vieira, com quem o menino tinha desentendimentos. Para pressionar o Santos, o pai do garoto viajou à Espanha para levar o garoto às categorias de base do Real Madrid, equipe interessada em contratá-lo à época, além de Porto, Bochum, Mallorca, Valencia e Milan. O Santos, para manter o jogador, demitiu o técnico da equipe de base, e o jogador ficou.

A família aparentemente não trabalha, e vive exclusivamente em razão do garoto. Em reportagem feita pelo Globo Esporte, a jornalista, ao visitar a casa de Jean Chera, descreveu uma cena curiosa:

- "Logo na entrada do apartamento, fica claro que Jean é uma celebridade na família. Em todas as partes, fotos do garoto".

Com apenas 13 anos, Chera foi o artilheiro do Santos na equipe sub-15 no Campeonato Paulista, com 20 gols, e levou o time, no ano seguinte, já com 14 anos, à final do torneio.

Aos 15 anos, o pequeno jogador subiu precocemente à equipe sub-17 do Santos.

Prestes a completar 16 anos, no dia 12 de Maio deste ano, Jean anunciou pelo twitter que estava deixando o Santos FC, nas seguintes palavras:

- " Bom dia. Chegando à Vila para tirar minhas coisas do meu armário. Peço desculpas à nação santista, a qual aprendi a amar, pela minha saída. Infelizmente a diretoria da base não valoriza o atleta que tem ".

Tudo ocorreu porque o pai do jogador, Celso Chera, apresentou uma proposta ao diretor de futebol do Santos, Pedro Luiz Nunes Conceição, pedindo R$ 75 mil de salário no primeiro ano, R$ 100 mil no segundo e R$ 130 mil no terceiro, além de R$ 1 milhão de luvas!

Além disso, o pai do garoto queria ficar com metade dos direitos econômicos sobre o filho e 70% de seus direitos de imagem.

Ainda, assim que a multa rescisória fosse fixada, pedia o pai que a empresa Terceira Estrela Investimentos S/A comprasse 10% dos direitos econômicos do jogador.

O Santos, obviamente, considerou a pedida altíssima, oferecendo ao jogador um salário de R$ 30 mil, além de gatilhos salariais de acordo com metas alcançadas (tais como jogos disputados pelo time profissional e convocação para Seleções de base), aceitando ceder 70% da imagem do jogador, mas se negando a pagar luvas.

Para se ter uma ideia da pedida do pai do garoto, Neymar, em seu primeiro ano de contrato, recebia R$ 20 mil mensais, e Ganso recebia módicos R$ 1.100 mensais.

O pai, irritado com a proposta santista, a qual chamou de "desrespeitosa" e "humilhante", viajou à Europa, sob o pretexto de conversar com clubes sobre o futuro do garoto.

Uma semana depois, o pai recuou e, após nova reunião com a diretoria santista, fechou verbalmente o acordo, com o jogador recebendo R$ 30 mil mensais, sem o pagamento de luvas, com 65% dos direitos econômicos para o Santos e 35% para o jogador, e os direitos de imagens rachados em 50% para cada parte. A multa rescisória não havia sido estipulada.

O garoto realmente tem um amor incondicional pela equipe do Santos FC, assistindo e torcendo para o time em todos os jogos. Quem o acompanha pelo twitter sabe bem disso: http://twitter.com/#!/JeanChera

No entanto, a polêmica reacendeu após o pai do garoto voltar a afirmar que ele não assinará contrato nem jogará mais pela equipe santista:

- Não vamos assinar porque o Jean está sendo desrespeitado. O Santos oferece um contrato muito bom para um jogador de 16 anos e não o aproveita nos jogos. Já são seis partidas seguidas (pelo campeonato Paulista sub-17 e ele não entrou em nenhum. Não havíamos acertado por dinheiro. Queremos que ele jogue. Isso é o mais importante. Se ele não joga no Santos, melhor sair.

O pai afirma que tem várias propostas no exterior pelo filho.

O Santos, por sua vez, confirmou que o vínculo ainda não foi assinado, informando que a assinatura do contrato não é garantia de vaga no time titular (obviamente, só o pai do garoto não percebeu isso).

Recentes informações do próprio site do Genoa, clube italiano, dão conta que as negociações para ter o jovem atleta estão avançadas.

Mas o pai do atleta tem um problema muito sério, pois, de acordo com a Lei Pelé (lei 9.615/98), se o jogador não assinar com o Santos, terá de pagar ao clube a quantia de 200 vezes o valor gasto com ele, contanto que o clube cubra a proposta de outros clubes.

Art. 29.  A entidade de prática desportiva formadora do atleta terá o direito de assinar com ele, a partir de 16 (dezesseis) anos de idade, o primeiro contrato especial de trabalho desportivo, cujo prazo não poderá ser superior a 5 (cinco) anos.

§ 11.  Caso a entidade de prática desportiva formadora oferte as mesmas condições, e, ainda assim, o atleta se oponha à renovação do primeiro contrato especial de trabalho desportivo, ela poderá exigir da nova entidade de prática desportiva contratante o valor indenizatório correspondente a, no máximo, 200 (duzentas) vezes o valor do salário mensal constante da proposta.

Ou seja, como Jean assinou o contrato de formação com o Santos com 10 anos, passando a receber 20 mil por mês, a conta seria o tempo que ele ficou na equipe (dos 10 aos 15 anos, 72 meses) multiplicado pelo valor dos ganhos mensais (R$ 20.000,00), resultando em um incrível valor de R$ 14.000.000,00 (quatorze milhões de reais), a serem pagos para o Santos.

É esse o motivo pelo qual o Santos não se intimida pelas investidas do pai.

Vamos a uma análise do potencial do garoto.

Jean Carlos Chera joga como meia armador, com grandes semelhanças com Diego, ex-Santos.

É rápido, inteligente, driblador, faz ótimos lançamentos e tem um chute de uma precisão incrível.

Penso que a diretoria do Santos acertou ao não se render aos caprichos do pai do garoto, este, o verdadeiro culpado por toda a história.

A família de Jean deveria ser mais humilde, reconhecer tudo que o clube fez por eles, pagando moradia, escola, cuidados médicos, e assinar o contrato com o Peixe.

O pai do jogador parece ser o grande vilão da história.

Ganancioso, não admite que sua "estrela" fique na reserva das categorias de base do Santos, quer interferir nas decisões dos técnicos e pretende ganhar muito dinheiro com o rapaz.

A pena é que o garoto ama a cidade, o clube, e sua torcida.

No fim, perdem todos.


Em tempo

O jogador Jean Carlos Chera assinou contrato por 3 temporadas com o Gênoa da Itália, tendo sido registrado na Federação Italiana de Futebol no dia 31 de agosto de 2011.

O Santos tinha o direito de cobrir os valores apresentados pelo Gênoa, de absurdos 400 mil euros anuais (cerca de 1 milhão de reais por ano), pouco mais de 30 mil euros mensais, mas não o fez.

O Clube deverá ingressar na FIFA para cobrar seus direitos como clube formador do atleta, além de denunciar o Gênoa pelo aliciamento do jogador.

Hoje, Jean Chera e sua família levam uma boa vida em Gênova, na Itália, conforme reportagem do programa Profissão Repórter, da Rede Globo, reproduzido abaixo:





PS: Jean não jogou no Gênoa da Itália, e voltou ao Brasil, para o Flamengo,  por onde passou pouco tempo pelas categorias de base, sendo rebaixado ao time B sub-17 e sequer jogando entre os profissionais, repetindo os mesmos problemas enfrentados quando atuava na base santista. O clube carioca rescindiu seu contrato recentemente, por questões técnicas, e há pouco tempo assinou contrato com o Atlético Paranaense até o fim de 2013, clube pelo qual ainda não disputou campeonatos oficiais nas categorias de base. Passou ainda em 2013 pela base do Cruzeiro, onde não vingou. Atualmente, foi contratado para a disputa do campeonato paulista pelo Oeste de Itápolis/SP, clube com o qual disputar a série B.

Atualização

No dia 04 de setembro de 2013 o portal Uol trouxe algumas informações sobre bastidores sobre o caso.
Como a seguinte declaração de Claudinei Oliveira: "O Jean foi meu atleta no sub 15, campeão comigo. A gente via muito potencial nele. Bom passe, bola parada muito boa, e bom chute à distância. Mas na passagem dele para o sub 17 teve um problema com o pai dele. O pai resolveu tirá-lo do clube porque ele não estava sendo muito aproveitado. Mas oscilação é normal. Essa decisão talvez determinou a situação que ele se encontra hoje. Se ele tivesse permanecido, esperado um pouco mais, hoje acredito que estaria no principal".

"O Jean era um menino talentoso e titular. Para você ver: sem o pai, ele ajudava na marcação e fazia tudo certinho. Mas o pai botava na cabeça que o filho era um craque. E o Jean passou a pensar que era", relembra Flavio Antunes, ex-treinador de Chera no sub-15 do Santos.

"O pai arrumou briga com o filho do presidente do Genoa porque queria que o filho jogasse. O passaporte comunitário prometido pelo pai não aparecia. Aí o Genoa juntou tudo, viu que o menino não estava correspondendo também e desistiu do negócio", disse o antigo empresário de Chera, Ricardo Mendes.

"O Chera é um garoto muito bacana. Sempre tratou a todos muito bem e teve um relacionamento tranquilo com a garotada. O grande problema é o pai dele. Sempre tem alguma reclamação, um questionamento, uma cobrança. Muita gente aqui dentro [Ninho do Urubu] não gosta disso. Pai chato que se mete muito em carreira do filho acaba atrapalhando", disse um funcionário do departamento de futebol rubro-negro, que trabalha com a base do clube.

12 comentários :

  1. Esse mlk tem um pai q Deus q me perdoe hein
    Hehe, mas vai jogar ainda muito tempo pelo Peixe, espero.

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  2. Alex, um problema, para o Santos, seria ter que pagar o que um time extrangeiro pagou (tem que cobrir) e aí cobrar R$14MM do pai do garoto. Só que, ao que parece, ele não os tem nem terá, porque não terá recebido nada da equipe no exterior. Lembra a situação de um colega que levou uma batida de um caminhão, tentou ir à casa do motorista para cobrar (tinha a razão e testemunhas) e, ao ver que o lugar era uma favela, simplesmente foi embora, percebendo que ainda iria dar esmola ou ser assaltado...

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  3. Adicionalmente, a partir daí, teria 100% de todos os direitos? Não sei. Você sabe? Nunca vi jogar, depois daquele video no Adap. Já ouvi dizer que é outro que, com a bola nos pés, arrasa. Taticamente, nicas... Valeria o investimento?

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  4. Walter, acho sinceramente que não valeria o investimento, caso o Santos precisasse cobrir uma proposta de um time europeu.

    Já vi o moleque jogar, ele jogava na escola do meu irmão, no colégio Presidente Kennedy, e no dia ele estava endiabrado. Em um dos gols, ele driblou 2 jogadores, deu chapéu no terceiro e chutou encobrindo o goleiro (que naquele ano era o meu irmão rs).

    Agora, quanto a ter 100% dos direitos, isso depende do acordo a que chegarem as partes. O Santos normalmente fica com uma boa parcela dos direitos sobre os jogadores da base (algo em torno de 70%), fora o direito de imagem.

    Mas o garoto está na reserva das categorias de base do Santos. Tecnicamente, ele é ótimo, mas talvez ele não exerça taticamente determinada função necessária ao time.

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  5. Olha, pelo q li em alguns blogs, MUITOS torcedores que o viram jogar não vêem nada de craque no moleque.
    E ainda o piá além de nao conseguir ser titular, nem entra no decorrer das partidas (pode até ser q se precipitaram em subi-lo de categoria).
    Mas o q é certo é q o mlk e o pai acham q ele é um super genio do futebol; e vão só criar problemas pro clube.
    Por tudo isso eu penso q seja mais negocio o Santos receber aquela multa de 14 milhoes e deixar a mera promessa seguir seu caminho.

    EGYDIO

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  6. Realmente Egydio, o futebol do moleque decaiu demais no tempo em que ficou no Santos, prova disso é que estava apensa na reserva do time de base.

    Mas eu vi ele jogar uma partida de futsal na escola do meu irmão, presidente Kennedy, em Santos, e o moleque simplesmente destruiu! Teve um gol em que ele driblou todo o time adversário, de um chapéu no zagueiro e chutou encobrindo o goleiro (na ocasião meu irmão hehe). Achei incrível!

    Mas pelo visto seu ego aumentou muito e seu futebol decaiu...

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  7. Bem se fosse meu filho aceitaria o a proposta do SANTOS F.C que é uma entidade maior do que qualquer jogador. O Pai dele deve ter pasciencia e conversar com seu filho. como fez o Pai do neymar . deixe as coisas acontecerem, e não pensar só em dinheiro e si na carreira do garoto. Renato santos SBCampo.

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  8. Concordo plenamente com você Renato! Aliás, está muito claro que os jovens jogadores brasileiros recebem muito mais oportunidades no Brasil (e no Santos) do que em qualquer outro país do continente europeu. O dinheiro vem naturalmente, com o tempo, caso o jogador faça por merecer.

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  9. O PAI DELE TEM QUE ARRUMAR UM EMPREGO E SAIR DO PÉ DO FILHO,MESMO PORQUE RS 900 REAIS QUE É A AJUDA (ESMOLA?) DE CUSTO QUE O SANTOS ASSINOU COM ELE AGORA EM 2015 NÃO DÁ NEM PRA CONDUÇÃO...

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