Internacional 3 x 3 Santos

Com péssimo desempenho, o Peixe corre atrás e consegue o empate.



No primeiro tempo assisti um Santos desorganizado ser totalmente dominado pelo Internacional, sem conseguir criar nenhuma chance de gol. E novamente, como esperado, levando dois gols de bolas aéreas cruzadas na área, mais uma vez de cabeça...

No segundo tempo continuei assistindo, estático, a um time entregue, sem criatividade nenhuma no meio de campo, que não levava nenhuma perigo ao Inter. Até que finalmente o tubarão acordou: aos 30 minutos do segundo tempo, Alan Kardec cruza na direita para Borges, que completa de cabeça, marcando o primeiro gol santista na partida. Cinco minutos depois, Borges retribuiu, tocando também na direita para Alan Kardec chutar com precisão para o gol. Aos 41 minutos, quando a esperança crescia cada vez mais, Ganso acertou um passe para Borges, dentro da área, passar facilmente por três cansados jogadores do Internacional, chutando colocado para o fundo das redes. E ainda havia espaço para fazer mais, não fosse o egoísmo de Neymar, que em duas oportunidades tentara o chute no gol quando a melhor oportunidade era o passe.

Mas existe uma explicação do porquê o Santos "acordou"?

Sim.

A entrada de Alan Kardec (fez um passe e uma assistência) e a consequente saída de Adriano.

Jogando com dois volantes (Henrique e Danilo) o Santos rendeu muito mais, jogou para frente, buscou o gol e conseguiu o resultado.

Então pergunto: por quê não repetir essa formação nos próximos jogos?

Na partida contra o Fluminense a hitória foi a mesma, assim como na contra o São Paulo: a equipe começa jogando mal, com três volantes, até que Muricy saca um volante e coloca um atacante, ou um meia armador, e o time melhora e faz excelentes segundos tempos.

Mas por quê esperar um previsível péssimo primeiro tempo antes de mudar a formação?

Além do mais, a equipe está ficando previsível demais.

Todos sabem que o Santos só tem uma jogada, repetida em todas as partidas exaustivamente: bola em Neymar, normalmente após passe de Léo.

Com o garoto bem marcado, o time simplesmente não joga, principalmente porque forma-se um grande buraco na ponta direita do ataque santista, limitando, e muito, as opções de jogo santistas.

Neymar joga pela esquerda, Borges pelo meio e na direita não tem ninguém...

De que adianta o ótimo Danilo subir pela lateral direita se não tem com quem jogar?

Elano, por ser lento, não acompanha as jogadas, e Borges, por ser um jogador de área, não dá opções pela direita.

O Santos poderia muito bem voltar a atuar atacando em um 4-3-3 e defendendo em um 4-5-1.

Na minha visão poderiam atuar: Rafael, Durval, Bruno Aguiar, Danilo, Léo, Adriano, Arouca, P.H. Ganso, Felipe Anderson/Ibson/Alan Kardec, Neymar e Borges.

Caso Ibson jogasse, não faria a função de segundo volante, mas sim de um legítimo meia direita, fornecendo opções por aquele lado do campo, pouquíssimo explorado pela equipe santista.

Podem reparar, o Santos hoje só tem uma jogada: zagueiro --> Léo --> Neymar.

Assim fica extremamente previsível e facilita a marcação, como ocorreu hoje.

Já disse e repito: antes Neymar tinha a companhia de Zé Eduardo, que encostava nele e se movimentava o jogo inteiro, dando opções tanto pelo lado esquerdo como pelo direito.

E agora, com a entrada de Borges, a característica mudou: Neymar fica sozinho pela esquerda, e acaba perdendo a bola.


Estatísticas
faltascometidas
  • 28
  • 16
passeserrados
  • 20
  • 24
finalizações | 14 - 15
assistênciasrealizadas
  • 2
  • 3
defesasdifíceis
  • 1
  • 2
gols da partida | 3 - 3
escanteiosmarcados
  • 0
  • 0
impedimentosmarcados
  • 3
  • 0
roubadasde bola
16
16


    Defensivamente, Edu Dracena foi o jogador mais faltoso (4), enquanto Rafael praticou duas defesas difícies e Adriano constou como o maior ladrão de bolas (5).

    Ofensivamente, Danilo (6), Léo e Neymar (5 cada um), foram os que erraram mais passes, tendo Ganso, Borges e Alan Kardec prestado uma assistência a gol.

    Não sofreu a equipe santista nenhum impedimento, e Borges (4), Ganso (3) e Neymar (3) reinaram nas finalizações.


    Analises Individuais

    Rafael. Seguro nos chutes de longa distância e péssimo nas bolas aéreas, continua o mesmo. Quase pegou o pênalti, que passou em baixo de seu corpo.

    Edu Dracena. O mais faltoso do time, possui o crônico problema da falta de velocidade, além de fazer faltas bobas em qualquer setor do campo, e ontem o fez dentro da grande área... Sobre as bolas aéreas nem preciso comentar.

    Durval. Sempre um pouco melhor que Dracena, mas ainda peca no posicionamento defensivo e igualmente nas bolas aéreas cruzadas na área.

    Pará. Muito mal no jogo, mas não falhou em um dos gols do Internacional. Não era dele a tarefa de marcar o alto e forte Leandro Damião.

    Léo. Jogou bem no primeiro tempo, apesar dos péssimos erros de marcação, mas suas jogadas com Neymar tornaram-se absolutamente previsíveis, bem como seu extremo cansaço no segundo tempo.

    Adriano. Melhor jogador do Santos na primeira etapa, conseguiu grandes inversões de bola e passes precisos. Além disso, foi eficiente na marcação do meio campo (as jogadas de gol do Inter saíram por cruzamentos nas laterais).

    Henrique. Totalmente sumido em campo ontem, não há nem o que comentar.

    Danilo. No primeiro tempo, foi razoável na função de volante. No segundo, apareceu bastante no jogo pela lateral direita, mas acabava sempre perdendo a bola ou errando um passe lá na frente por falta de opções por aquele setor.

    P.H. Ganso. Sumido no primeiro tempo e pouco participativo no segundo.

    Neymar. Estava em péssimo dia. Errou dribles, levou um chapéu de Nei, errou passes, e, quando teve em suas mãos a oportunidade de virar o jogo, foi egoísta ao chutar no gol (e errar...).

    Borges. Não fez nada o jogo inteiro. Mas Borges é Borges. Apareceu nos últimos 15 minutos, marcando dois gols e dando assistência para um. Pena que participe tão pouco durante o jogo, pois se trata de um excelente goleador.


    Alan Kardec. Entrou muito bem no jogo, deu um passe para gol e marcou o seu. Se movimentou bastante no ataque, dando opções pelo ataque, e encostando em Borges, a pedidos de Muricy.

    Felipe Anderson. Pouco tempo em campo, mal pegou na bola.

    Crystian. Correu bastante pela lateral esquerda, jogando bem ofensivamente. Mas - e é esse o motivo por que Muricy não o aproveita como reserva imediato de Léo - parece ser péssimo defensivamente. Ontem, em uma bola perdida na lateral esquerda, que estava fácil de dominar, o garoto simplesmente isolou para a lateral, mostrando não saber se portar defensivamente.


    Muricy Ramalho. Escalou mal a equipe, com três volantes. Mas consertou o time com a entrada de Alan Kardec, principalmente.




    Notas

    Rafael. 5
    Edu Dracena. 3
    Durval. 4
    Pará. 5 
    Leo. 5,5
    Adriano. 6
    Henrique. 4,5
    Danilo. 6
    P.H. Ganso. 4,5
    Neymar. 3,5
    Borges. 8,5

    Alan Kardec. 8
    Felipe Anderson. sem nota
    Crystian. sem nota

    Muricy Ramalho. 7



    FICHA TÉCNICA
    INTERNACIONAL 3 X 3 SANTOS
    Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
    Data: 31 de agosto de 2011, quarta-feira
    Horário: 21h50 (de Brasília)
    ÁrbitroArilson Bispo da Anunciação (BA)
    Assistentes: José Dias da hora e Luiz Carlos Teixeira (ambos da BA)
    Cartões amarelos: Leandro Damião, Elton, Índio, Nei e Bolívar (Inter); Durval, Edu Dracena e Léo (Santos)
    Gols:
    INTER: Bolívar, aos 7, e Leandro Damião, aos 19 minutos do primeiro tempo; Oscar (pênalti), aos 26 minutos do segundo tempo
    SANTOS: Borges, aos 30 e aos 41, e Alan Kardec, aos 35 minutos do segundo tempo
    INTERNACIONAL: Muriel; Nei, Bolívar, Índio e Kleber; Elton, Guiñazu, Andrezinho (João Paulo) e Oscar (Sandro Silva); Dellatorre (Ilsinho) e Leandro Damião
    TécnicoDorival Júnior
    SANTOS: Rafael; Pará (Alan Kardec), Edu Dracena, Durval e Léo (Crystian); Adriano (Felipe Anderson), Henrique, Danilo e Ganso; Neymar e Borges
    Técnico: Muricy Ramalho

    2 comentários :

    1. Eu, particularmente, não tenho saudades nenhuma do Zé Eduardo: ele era um caneleiro que não tabelava com Neymar, caía pela direita e o meio ficava sem atacantes; quando ele tinha chances na cara do gol, todo mundo sabe no que dava. Nada. Pelo menos Borges tem mais repertórios, chuta com as duas e é bom cabeceador. Falta Paulo Henrique entrar mais ligado desde o começo e Neymar ser menos individualista, como num dos últimos lances, quando estava 3x3: ele tentou chutar sem boa visão do gol e Borges poderia receber o passe. Com as suspensões constantes, Muricy terá que usar alguém da base, quer queira ou não.

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    2. Paulo, também não estou com saudade do Zé Eduardo. Mas, com Borges, a característica da equipe muda, e Muricy precisa entender isso e se adaptar a essa mudança.

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