Não à Europa!

O atitude brasileira frente aos clubes europeus mudou, e o Santos lidera essa mudança.

























Tudo começou no dia 19 de Agosto de 2010, quando o Santos recusou oficialmente uma proposta do Chelsea-ING por Neymar, no valor de € 35 milhões.

"Eles falaram que esse era o único louco que rejeita uma proposta com valores estupidamente maiores do que os do mercado brasileiro".

Disse Wagner Ribeiro, agente de Neymar.

Essa atitude iniciaria a retomada de um movimento de grandeza do futebol brasileiro: a permanência dos melhores jogadores no Brasil.

Falo dos melhores, pois bons jogadores como André, Wesley, Jonathan, Alex Sandro e Danilo, tendo o mesmo Santos como exemplo, já foram vendidos.

Mas os tops ficaram: Neymar, P.H. Ganso, Lucas e Leandro Damião.

Em agosto de 2011, o Santos mostrou ao mundo que o movimento de fortalecimento do futebol brasileiro iniciado em 2010 não pararia tão cedo, ao recusar outra proposta por Neymar, dessa vez de € 45 milhões, proveniente de um dos maiores e mais endinheirados clubes do mundo, o Real Madrid.

Duas multas rescisórias tinham sido recusadas, sem dó dos europeus.

Caso qualquer das vendas fosse concretizada, estaríamos diante da maior venda de um clube brasileiro na história.

Claro que, se não fosse pela vontade de Neymar em permanecer, o Santos hoje estaria de mãos abanando.

Mas o garoto optou por ficar, por fazer história no Santos Futebol Clube.

E sua multa rescisória, salvo engano, novamente subiu, dessa vez para € 55 milhões.

Ele percebeu que se valorizaria muito mais atuando no Brasil, enquanto todos os grandes europeus continuariam rivalizando e disputando o seu futebol.

Enquanto no Brasil é amado, na Europa poderia se tornar apenas mais um, podendo ainda sofrer com as lamentáveis ofensas racistas, provenientes daqueles que se julgam "desenvolvidos".


A atitude do Santos se espalhou pelo Brasil













O São Paulo, na janela de verão européia, recusou proposta da Inter de Milão de € 27 milhões por Lucas, enquanto o Internacional recusou proposta do Tottenham € 12 milhões por Leandro Damião, e o próprio Santos uma de € 10 milhões do Lyon por Ganso.

Muito por conta dos altos valores de patrocínio e cotas de televisão, os clubes conseguem com que tais atletas permaneçam.

Mas jogadores não tanto badalados, mas igualmente importantes para uma equipe, como Wesley, André, Jonathan, Danilo, Alex Sandro e Alan Patrick foram vendidos sem cerimônia.

André, por exemplo, vendido ano passado por € 8 milhões para o Dínamo de Kiev, da Ucrânia, não se adaptou ao futebol europeu e hoje está de volta ao Brasil, jogando pelo Atlético Mineiro. Em entrevista recente, afirmou que:

"Foi complicado, mas é aquilo. O Santos queria vender, são várias coisas, muita coisa em jogo. Eu não queria sair, queria ter ficado no Santos, lógico. Mas aconteceu". 

A venda desses atletas serve para subsidiar a permanência de nosso craques. 

No entanto, ironicamente, este pode se tornar o único motivo pelo qual atletas do nível de Neymar, Ganso e Lucas podem desejar sair do Brasil.

O raciocínio é o seguinte: saindo os bons jogadores, a equipe fica mais fraca, e consequentemente passa a não mais brigar por títulos. Com o enfraquecimento do time, os craques poderiam querer explorar o velho continente, unicamente em busca de uma equipe mais competitiva, a qual pudesse, com seus jogadores, maximizar o seu potencial dentro de campo.

Ou será que alguém acha que Messi jogaria o mesmo se não estivesse no Barcelona, ao lado de jogadores como Puyol, Piqué, Daniel Alves, Xavi, Iniesta e David Villa?

Basta ver a Seleção Argentina, onde o argentino nunca jogou em alto nível.

Lembrem também de Pelé, que atuava ao lado de grandes nomes como Gilmar, Lima, Mauro, Dorval, Mengálvio, Zito, Coutinho, Pepe, os quais lhe deram base para se tornar o melhor jogador de futebol de todos os tempos.

Há ainda outro ponto importante: a proximidade com a Seleção Brasileira.

Mano Menezes passou a olhar bastante para o Brasil, e para os jogadores que aqui atuam. Com isso, os atletas muitas vezes preferem permanecer no país a fim de garantir vaga na Seleção à ir para e Europa e ser esquecido.

Na contramão desse raciocínio vão André, Wesley, Jucilei e Diego Tardelli, os quais talvez tenham se arrependido de deixar o Brasil e, consequentemente, suas convocações para a Seleção Brasileira.

Felizmente, saiu há pouco tempo um estudo chamado Annual Review of the European Football Players’ Labour Market, preparado pelo Professional Football Players Observatory, demonstrando que, apesar do Brasil ainda ser o maior fornecedor de jogadores para a Europa, o número de brasileiros negociados caiu pelo segundo ano consecutivo, com 123 atletas em 2011, contra 131 em 2009/2010 e 154 na temporada 2008/2009.

Nesta janela do meio do ano, deixaram a série A rumo ao exterior apenas 19 jogadores, sendo apenas 8 para a Europa (5 para a Itália, 2 para a Ucrânia e 1 para Portugal).

Em compensação 37 jogadores foram contratados do exterior.

Em 2010, a saída de grandes jogadores desfigurou alguns times no meio do Campeonato Brasileiro, exemplos de Robinho (do Santos para o Milan), Adriano (do Flamengo para o Roma), Vágner Love (do Flamengo para o CSKA), Wesley (do Santos para o Werder Bremen), Sandro (do Inter para o Tottenham), Hernanes e André Dias (ambos do São Paulo para o Lazio).

A tendência, portanto, com o fortalecimento da economia brasileira e dos clubes, é a permanência desses atletas.

Bom para o Santos, melhor para o Brasil e excelente para o futebol.