A história de Gabigol no Santos (*)

Gabigol no Santos
fonte: Ivan Stort/Divulgação/Flickr
















O garoto Gabriel completa 17 anos nesta sexta-feira. Titular do Santos há três jogos, o menino hoje visto como a grande promessa da Vila Belmiro poderia, não fosse o destino, ser a grande arma para o São Paulo fugir do rebaixamento. Em vez de ser comparado a Neymar, talvez ele precisasse responder questões por ser o novo Kaká ou quem sabe o substituto de Lucas.
Neste caso, o tal do destino também pode atender por três nomes que colocaram o então menino de nove anos no caminho do time da Vila Belmiro. Um deles é José Ely de Miranda, o Zito, que apesar de aprovar o talento de Gabriel não botou muita fé nas primeiras conversas com José Carlos Peres e Paulo Roberto Lilló, os outros personagens desta história.
A resistência de Zito é só um capitulo na vida de Gabriel, que apesar de ainda escrever seus primeiros parágrafos no futebol profissional já passou por muitas superações.
Destaque do futsal do São Paulo e também do futebol de campo do Guarani, o menino precisava de ajuda para sair de casa na favela Parque Seleta, em São Bernardo do Campo, e chegar ao CT de Cotia.
As dificuldades não tiravam de Gabriel o apetite pelo gol. Após eliminar o Santos em uma competição no campo e com Gabriel sendo o destaque do jogo, o técnico Lilló conheceu o então superintendente do time da Vila Belmiro, José Carlos Peres.
"Cheguei ao escritório dele e disse que o Gabriel era muito melhor que aquele menino que ele estava assistindo no DVD", conta Lilló. O tal atleta era Jean Chera, eterna promessa que chegou a defender o Santos nas categorias de base.
Animado, Peres concordou em conhecer e ajudar o menino, que na data marcada foi ao seu encontro ao lado do treinador. O pai, Valdemar, chegou mais tarde de carona com o tio.
"Me lembro como se fosse hoje, aquele menininho com seu pai em minha frente e ficha de federado pelo São Paulo. Sem saber seu time, tive a feliz ideia de perguntar se ele gostaria de jogar no Santos", relembra Peres.
Segundo contam o ex-superintendente e o treinador, os olhos de Gabriel brilharam com a proposta, a primeira de tantas pelo futebol apresentado. Tímido, o menino sequer respondeu e coube ao seu pai revelar o fanatismo da família pelo time da Vila Belmiro.
"Nem me lembro quanto eles queriam para chegar ao CT de Cotia. Não dei e nem faço questão de cobrar nada para o Gabriel. Só tenho muito orgulho de tê-lo levado ao Santos e hoje ver que tudo deu certo", conta o empresário.
A chegada a Santos, porém, não foi tão fácil. Nem deveria. E é aí que entra a outra personagem desta história. Para ficar no Santos, Gabriel precisava receber o aval de Zito, visto pelo então presidente Marcelo Teixeira como um detector nato de bons talentos.
"O Teixeira disse pra eu falar com o Zito, mas ele não queria nem saber. Ele chegava para mim e falava: 'Peres, você acha que todo mundo é o Pelé. Daqui a pouco, você vai me dar um recém-nascido e vai falar que é craque", recorda, aos risos.
Peres não desistiu e durante dois meses bancou as viagens de Gabriel para a Baixada Santista.
"Tenho muito que agradecer ao Peres. Ele foi muito importante para mim e me ajudou muito", diz o atacante, seguido pelo pai. "Realmente, ele foi ótimo. Cedeu até o carro para nos ajudar. Faz tempo que não o vejo, mas quero reencontrá-lo e dar um abraço".
Zito, enfim, se rendeu aos pedidos e também ao talento do menino. Em poucos minutos, ele já estava aprovado. Em poucos dias, instalado no apartamento que era do zagueiro Domingos, que na época deixou o Santos para defender o Grêmio. Em meses, já era Gabigol.
"Eu gostava de ver os meninos. Se tinha talento, ficava. Se não... O Gabriel veio com a mãe, eu o vi e notei muito talento. Gosto muito dele, sempre foi muito gentil e agradecido. Tem grande futuro", conta Zito.
O atual treinador, Claudinei Oliveira, também é só elogios para a promessa santista. Mesmo não garantindo a titularidade do jogador, ele afirma que qualidade não lhe falta e cita uma de suas principais características: comprometimento, que pelo jeito vem desde pequeno.
"Sempre foi uma pessoa de personalidade forte. Comprometido com gol, com os três pontos. Diferenciado e até um pouco mala, mas ele pode, né?", brinca Lilló, lembrando de seu pupilo, hoje avaliado em R$ 131 milhões.
(* texto escrito por Vitor Pajaro e publicado hoje no Uol ).