Santos 1 x 1 Vasco - repetindo o erro

Análise Tática Santos x Vasco


1. Análise geral

O Santos não venceu, mas convenceu.

A desatenção nos minutos finais permitiu o empate do Vasco, assim como já tinha ocorrido contra o Coritiba, na mesma Vila Belmiro.

Cabe a Claudinei corrigir esse “apagão” do time nos minutos finais, juntamente com os mais experientes do elenco, que já deveriam ter aprendido a lição.

Errar uma vez é aceitável, repetir o erro é burrice.


2. Analisando o jogo


No jogo, destaque para as atuações de Aranha, que fez 4 defesas difíceis, Edu Dracena, pelo gol, Alison, por uma partida defensivamente perfeita, e Montillo, pela assistência e boa movimentação ao longo da partida.

Durante o jogo, o Vasco finalizou mais (17 contra 12 do Santos), roubou mais bolas (17 a 13), ainda que o maior ladrão de bolas da partida tenha sido o santista Alison (6 roubadas).

No Santos, o volante Cícero foi quem mais finalizou (4 vezes), fato que indica um problema no ataque santista, ainda mais se considerarmos que o centroavante William José, que permaneceu os 90 minutos em campo, finalizou apenas 1 vez, menos ainda que Neílton (2 vezes), que daria lugar a Thiago Ribeiro.

Esse problema no ataque é evidenciado pelo próprio gol santista, aos 31 do segundo tempo, marcado pelo zagueiro Edu Dracena, após cruzamento perfeito de Montillo. Onde estava o centroavante?

O Santos errou menos passes que o Vasco (30 a 33), sendo Neílton o que mais errou (6 passes errados), e seus jogadores ficaram menos vezes impedidos que os vascaínos (2 a 5).

Alison contra Vasco
Foto: Miguel Schincariol / Ag. Estado
O número de impedimentos dos jogadores vascaínos demonstra duas coisas: a linha de impedimento do Santos funcionou em alguns momentos, mas errou em outros, permitindo aos jogadores do Vasco sairem cara-a-cara com Aranha em várias oportunidades.

Das 15 faltas cometidas pelo Santos, Montillo foi o mais faltoso, com 3 infrações, o que demonstra, no mínimo, vontade.

Individualmente, Aranha fez ótima partida, com grandes defesas, do começo ao fim. Não teve culpa no gol.

A boa atuação de Edu Dracena foi premiada com um belo gol de cabeça. Durval novamente esteve abaixo de Dracena, sempre tentando lançamentos longos e improdutivos para frente, errando muitos passes.

Cicinho correu bastante, se apresentou para o jogo, e parece ser a solução para o problema da lateral direita. Deve evoluir com o passar dos jogos.

Léo, por outro lado, já merece perder a posição para Eugenio Mena, que marcou ontem pela Seleção Chilena um golaço em um chute sem-pulo de fora da área. Além de não ter mais o mesmo fôlego, Léo começa a errar fundamentos técnicos, como o passe, cruzamento e antecipação na marcação.

Alison fez uma partida excelente. O melhor do trio de volantes santista limitou-se a defender, e executou sua função com perfeição, roubando muitas bolas.

Alan Santos e Cícero tiveram desempenhos parecidos. Se movimentaram bastante, marcaram de forma razoável e pouco subiram ao ataque. Ontem, Cícero jogou ligeiramente melhor.

Montillo vem finalmente deslanchando com a camisa alvinegra. Marcou, correu, armou jogadas, passou, chutou a gol, e acabou premiado com a assistência para o gol de Dracena.

Montillo contra Vasco
Foto: Ricardo Saibun
Neílton não teve o mesmo desempenho dos jogos anteriores. Irregular, errou muitos passes, arriscou poucos chutes e não foi eficiente.

William José é muito fraco tecnicamente. Marca e corre bastante, mas chuta mal e se enrola com a bola. Tomara que o Thiago Ribeiro não demore para retomar a forma física.


Leandrinho entrou e pouco ou nada acrescentou à equipe.

Thiago Ribeiro parece evoluir a cada jogo. Buscou armar jogadas pela ponta direita, mas sua ainda limitação física e falta de ritmo de jogo não o permitiram fazer mais.


3. Notas


Aranha - 8
Edu Dracena -  7
Durval - 4,5
Léo -  4
Cicinho - 5,5
Alison - 7
Alan Santos - 6
Cícero - 6
Montillo - 7
Neílton - 4
William José - 0

Leandrinho - 3
Thiago Ribeiro - 5

Claudinei Oliveira - 6


4. Conclusões


I) Claudinei precisa começar a pensar seriamente em tirar Durval do time titular, dando espaço a Neto ou Gustavo Henrique.

II) Claudinei precisa ter a coragem de colocar Léo na reserva e dar vez a Eugenio Mena.

III) Claudinei também precisa olhar para a ineficiência de William José, escalando em seu lugar Giva, Henrique, Victor Andrade ou Gabriel.

IV) A linha de impedimento santista precisa ser melhor treinada ou extinta de vez.


PS: Público pagante


O público pagante de 3.898 é plenamente justificável, tendo em vista o dia do jogo (quarta-feira), seu horário (19:30), o adversário (Vasco) e principalmente as condições climáticas da cidade de Santos (chuva, forte vento e frio de 12ºC).

Jogos desinteressantes sempre trarão um público pequeno.

A solução para isso é bem simples: o estabelecimento de apenas 1 jogo por semana, aos domingos.

Assim, ao excluir jogos desinteressantes de dias e horários desinteressantes, valorizamos o futebol e aumentamos a vontade do torcedor de comparecer ao estádio.

Excesso de futebol mata o futebol.