Quem é Zinho?

Zinho












Você conhece o gerente de futebol do Santos FC?

Em entrevista ao portal Lance!Net, Zinho - que brilhou nos campos com as camisas do Flamengo e Palmeiras - esclarece sua função, a relação com empresários, o perfil de contratações, o aspecto motivacional no futebol e seus objetivos para o Santos FC.

Trouxe ao blog um resumo dos trechos mais importantes da entrevista.

O que faz um gerente de futebol

- Gerenciar todos os departamentos, ver se estão funcionando, e não só em relação ao jogador de futebol, mas também o preparador físico, o fisioterapeuta, o roupeiro, coordenar as programações de treinamento junto com a comissão técnica, tudo isso.
- Meu trabalho é esse aqui, viajei com o time, jantei e almocei com os atletas, estou vendo o comportamento deles, falando com o treinador do Santos, o adversário, variações táticas.

Contratações

- Cheguei num momento difícil, com a janela fechando. No futuro terei tempo para analisar as possibilidades que se encaixam no nosso perfil.

Contratações - como atuará na prática

- Eu farei o contato inicial, mas a parte de números continua com o presidente e o André Zanotta (assessor de futebol, elo entre a presidência e o futebol), que são muitos bons nisso. Cabe a mim ajudá-los. Nós, comissão técnica e departamento de análise estamos inseridos nesse processo, captando jogadores para o futuro, sabendo que temos um limite. Sentar na mesa e negociar não é minha função.

Contratações de Renato Abreu e Everton Costa

Zinho e Renato Abreu- Renato Abreu e Everton Costa foram opções do mercado para darmos experiência e aumentar o poderio ofensivo do time. Eram jogadores que estavam disponíveis e que entendi que, por ter trabalhado com um e observado o outro, seriam úteis. Nosso time tinha que se mexer, trazer um ou dois jogadores, para acrescentar qualidade e dar opções a Claudinei. Se vai dar certou ou não, é outra coisa. Tem de ver se o time está num momento bom, se o Claudinei deu padrão para esse time, se eles conseguiram se adaptar a isso.

Opinião: é muito amador pensar em trazer jogadores só por trazer. Mais amador ainda é achar irrelevante se os jogadores contratados, que recebem salário do clube, vão dar certo ou não. Isso não passa de amadorismo puro. É preferível trazer poucos jogadores que sejam bons de bola e que venham para resolver, a contratar só por contratar (não era essa a meta inicial da diretoria, fazer apenas contratações pontuais, e não sair contratando de baciada?).


Observação de possíveis contratações

- Nós trabalhamos em conjunto, Tem o Sandro Orlandelli (olheiro) e eu também estou antenado ao mercado. Eu tenho um contato maior com a equipe e a comissão técnica, então detecto carências e passo para esse departamento. Por exemplo, se precisamos de um volante, passo isso para eles e vamos acompanhando o mercado daqui e de outros países. Analisamos se o jogador atende às necessidades técnicas, ao padrão financeiro. Aí temos esse departamento analisando jovens, jogadores de certo nome e atletas que vão compor o elenco por período mais curto.

Motivação dos atletas
- Acho que o psicológico é importantíssimo. Tem que ter qualidade, se cuidar, ser profissional, mas tem que estar com a moral lá em cima também. (ao contrário do que pensa Muricy).
- O jogador já tem de estar motivado pelo próprio salário que recebe, mas nós somos os profissionais que temos de lembrar isso aos caras. É uma palavra final ali no vestiário que enche o atleta de moral.

Grandes contratações ou apostar na base?
- Meu objetivo é olhar a base, dar atenção a quem está subindo, orientando. Não só detectar possíveis reforços. A base é fundamental, porque o custo fica menor e há uma identificação maior do jogador. Mas sabemos que um time todo não vai ser formado pela base. Até para os mais jovens é importante ter experientes ao lado. Por outro lado, também acho possível acertar na escolha de jogadores bons tecnicamente, que possam dar retorno financeiro.

Elenco ideal
- Um elenco ideal deve ter 27, 28 jogadores, tendo também atletas da base. Aí se pode aumentar esse número para 30, tendo 5 ou 6 jovens não utilizados que possam voltar para a base.

Avaliação do atual elenco
- A gente tem elenco bom, que vai brigar no Brasileiro de igual para igual com todo mundo, pois o campeonato está nivelado. Nosso time está num processo de reformulação com a saída do Neymar. Cheguei em um período de dificuldade de contratação, tentei buscar no mercado o que tinha e dei sorte de achar bons jogadores, o Everton e o Renato, que têm contratos curtos, para a gente ver o desempenho deles (JÁ NÃO SE CONHECIA O DESEMPENHO DELES EM OUTROS CLUBES?). Meu trabalho é fortalecer esse grupo, dar moral, facilitar todo o processo administrativo e dar condições de o atleta estar focado no jogo. Por ter sido jogador, no olhar do atleta eu detecto qualquer tipo de problema (esperamos que saiba como resolvê-los).

Claudinei Oliveira
- Ele é um cara sério, baita profissional, mas está no início. Tenho de estar do lado dele ajudando, dando retaguarda, para que desenvolva seu trabalho.

Zinho e Claudinei OliveiraAvaliação do trabalho como diretor de futebol no Flamengo
- Foi mais de acertos do que erros. A crise política dificultou meu trabalho, mas foi uma experiência muito grande. Mas tive problemas com empresários. Tanto é que, quando aceitei a proposta do Santos, falei que não queria tratar com empresários. Tem muita gente de índole ruim e o dinheiro fala mais alto.

Objetivo no clube
- Quando o Odílio me contratou, ele não falou "você tem que ganhar o campeonato tal, isso e aquilo." Quando você entra em um clube grande, sua meta é ganhar títulos.

G-4
- Somos um time grande, com jogadores de ponta, temos que sonhar com coisa alta esse ano.

O que esperar de Zinho?
- Sou muito honesto. Não vou dizer que sou Santos desde garotinho. Mas a torcida pode saber que vai ter um cara aqui honrando o trabalho, errando ou acertando, vou me dedicar muito.

Cobrança

- Já tenho de ser cobrado!

O contrato de Zinho com o Santos vai até o final de 2014.

(fotos: Ricardo Saibun/Divulgação Santos FC)