Dado Cavalcanti: o técnico ideal para o Santos

Dado Cavalcanti no Santos FC













Um técnico jovem, barato, que trabalha o time para jogar ofensivamente, com conhecimento tático moderno e capacidade para trabalhar com o time que tem em mãos.

Esse técnico existe.

O nome dele é Dado Cavalcanti.

Com apenas 31 anos de idade, já é multicampeão:

- Em 2006 e 2007, venceu o campeonato rondoniense com a Ulbra.
- Em 2008, venceu a 3ª divisão do campeonato brasiliense com o Brazsat.
- Em 2009, venceu a Copa Pernambuco com o Santa Cruz.
- Em 2012, venceu o Campeonato Matogrossense com o Luverdense.
- Em 2013, treinando o Mogi Mirim, fez uma campanha extraordinária no Campeonato Paulista, ficando em 2º lugar na classificação geral, aplicando uma goleada de 6 x 0 nas quartas-de-final e quase eliminando o Santos na semifinal, sendo justamente eleito o melhor técnico do Campeonato Paulista.

Além disso, levou o Mogi ao melhor ataque e 3ª melhor defesa do Campeonato Paulista, mesmo com um time modestíssimo, marcando 36 gols (contra 35 do Santos) e sofrendo apenas 19 (contra 21 do Peixe). 

Com o reconhecimento no Mogi Mirim, foi contratado pelo Paraná Clube para a disputa do Campeonato Brasileiro da série B, com o objetivo de levar o time à primeira divisão.

No primeiro turno, Dado fez campanha excelente com o Paraná, deixando o clube na terceira posição, bem próximo do acesso à Primeira Divisão.

Todavia, desde agosto deste ano, a diretoria paranaense começou a atrasar os salários dos jogadores, fato que seria lá na frente diretamente responsável pela queda do Paraná na tabela, e consequentemente o não-acesso à Série A.

Mesmo em queda na tabela, o time de Dado continuou mostrando um futebol bonito, ofensivo, bem trabalhado taticamente por um profissional que entende de futebol.


Como trabalha Dado Cavalcanti?

Recente reportagem do portal Terra foi atrás dos motivos do sucesso do jovem técnico, e descobriu o seguinte:
- Começou sua carreira aos 24 anos, sendo campeão rondoniense com a Ulbra.
- Dado é um fenômeno: tem apenas 31 anos.
- Dado prefere treinos curtos e intensos, preferindo trabalhos específicos a gastar tempo com coletivos (rachões). A explicação, em suas próprias palavras: "Jairo Santos, auxiliar de Carlos Alberto Parreira, cronometrou o tempo do jogador com a bola. O Pelé, na Copa de 1970, passava 4 minutos por jogo. Romário, em 1994, 1 minuto e 40 segundos. Um atleta que passa 3 minutos com a bola, se eu fizer coletivo de 45 minutos cinco dias na semana, vai pegar a bola 7 minutos e meio. Então eu potencializo isso. Se é atacante, vou trabalhar a especificidade. Se eu vou fazer coletivo, ganho entrosamento, mas nunca vou evoluir tecnicamente”.
- Aplica nos treinos um sistema chamado "periodização tática", um método elaborado em 1989 pelo português Victor Frade que consiste em dar treinamentos com base apenas no que acontece em campo.
- "Ele é um dos melhores com quem já trabalhei. Ele enxerga o jogo mais na organização e exige bastante da parte tática. Outros treinadores deixam passar batido. Ele joga como um treinador europeu, bem diferente do brasileiro" - zagueiro Anderson, que trabalha com ele atualmente no Paraná Clube.
- Dado e seu auxiliar gravam lances das partidas de seu time e de seus adversários. Com as imagens nas mãos, busca acertar o posicionamento dos atletas, e, individualmente, para acelerar o aprendizado e poupar os mais experientes de conversas que pouco acrescentam.
- Utiliza sofwares, scouts (contagem de ações durante uma partida - defesas, roubadas de bola, chutes, faltas cometidas, faltas sofridas etc.) e caminha pelo gramado durante os treinamentos com uma prancheta contendo um campo de futebol estilizado.
- Em suas palavras: "O processo de correção das deficiências pelas imagens é muito mais eficiente, e o meu lado acadêmico facilita isso (formou-se em Educação Física na Universidade Federal de Pernambuco). Se alguém falar que fulano anda mancando, eu não vou acreditar. Só se eu olhar a imagem. É esse processo de feedback que uso no trabalho".
- Parte dessas informações Dado utiliza durante a partida. No intervalo, são 5 minutos para coletar e organizar as informações, outros 5 de conversa com seus auxiliares e mais 5 minutos repassando as informações para os atletas que voltarão ao gramado.
- O treinador assiste a jogos nos estádios sempre que possível, disfarçado.
- Ele tem um sonho: treinar um clube da série A.


Taticamente, como atuam os times de Dado?

Os últimos times de Dado (Mogi Mirim e Paraná) basicamente atacam no 4-3-3 e defendem no 4-1-4-1, da seguinte forma, elaborada no excelente blog "Bola pra Frente".

Análise Tática Mogi Mirim Dado Cavalcanti

Análise Tática Paraná Dado Cavalcanti


A análise tática complete é feita por João Elias, dono do referido blog: 

"Taticamente, é um treinador com ideologia moderna, que gosta de times com forte movimentação no ataque, chegadas de trás dos laterais e volantes, além da compactação sem a posse de bola. Pelo aspecto de material humano, ele não pôde implantar essas propostas em alguns clubes que passou, porém, mostrou muita maturidade e inteligência nas montagens de suas equipes. Dado analisa os mínimos detalhes ao colocar um sistema tático, como as características de seus jogadores e do time adversário.

No time do Mogi Mirim, o técnico pernambucano adotou um 4-3-3 com triângulo de base alta no meio-campo, que variava pro 4-1-4-1, com os recuso de Roger e Roni, que caíam tanto pelas pontas, quanto pela faixa médico-extrema. Era um time compacto, que explorava bem os espaços do campo, com infiltrações e penetrações por esses espaços.

Sem a bola, o Mogi Mirim marcava com duas linhas bem ferrenhas, que também avançavam e pressionavam a saída de bola de seu adversário. Nessa transição, Roni e Roger voltavam pelos lados e formavam uma segunda linha, juntamente com Wagner e Val. Muitas vezes, a solução para os adversários era apostar na ligação direta e nos longos lançamentos, em direção à grande área.

No atual Paraná, Dado repete a estratégia que o destacou no Mogi Mirim. O esquema é o mesmo, variando entre o 4-3-3 e o 4-1-4-1, além de que a dinâmica de jogo das duas equipes é bem semelhante.

Sem a bola, o Paraná também utiliza o 4-1-4-1. A compactação dos setores é impressionante. Cambará, Ricardo Conceição e Lúcio Flávio lotam a região central, impossibilitando uma jogada individual para a penetração adversária, enquanto que Ronaldo Mendes e Rubinho acompanham os laterais adversários e trancam os dois flancos, prendendo os jogadores do time adversário, seja numa jogada de linha de fundo ou numa investida na direção da pequena área.

A análise completa de todos os times treinados por Dado Cavalcanti pode (e deve) ser vista aqui.


Santos x Mogi Mirim

Quem não lembra o baile de futebol que o Santos levou do Mogi Mirim na semifinal do Campeonato Paulista deste ano?

Um time completamente acuado, acovardado, sempre atrás da linha da bola, ao melhor estilo Muricybol, que venceu o jogo somente após uma tensa decisão por pênaltis?

Fica a minha dica: diretoria do Santos, em nome do DNA ofensivo, contrate Dado Cavalcanti.

PS: notícia recentíssima informa que Dado Cavalcanti já foi procurado pelo Coritiba, onde são grandes as chances de trabalhar em 2014. Azar do Santos, que tentará contratar Dado quando seu valor de mercado já estiver extremamente inflacionado. Guardem minhas palavras, um dia ainda voltarei a este post.

PS 2: defendi sua vinda para o Santos em maio deste ano.

E você torcedor? Concorda com a análise? O que acha de Dado Cavalcanti no Peixe? Comente!