Santos 0 x 1 Cruzeiro - aula de futebol

Cruzeiro vence Santos na Vila Belmiro
















Domingo o Cruzeiro deu uma verdadeira aula de futebol ao time santista e a Claudinei Oliveira.

É triste perder, dói em mim, dói no torcedor.

Mas do “perder” devemos aprender.

Aprender o quê?

Aprender como se joga futebol.

E não falo aqui de um futebol defensivo, retranqueiro, medroso, à la Muricy.

Falo do futebol que um outro Oliveira, o Marcelo, devolveu ao nosso futebol.

O futebol belo, vistoso, ofensivo, atacante, corajoso.

Que ataca o time mandante, e o faz sofrer e perder em casa, diante de sua torcida.

Futebol presente no DNA santista, em toda a década de 60 e em todas as gerações dos Meninos da Vila.

Mas que foi ignorado e destruído por Muricy...

E segue sendo desrespeitado por Claudinei...

No domingo me convenci: Claudinei não é o nome certo para comandar o Santos em 2014.

Ele tem, sim, seus méritos, mas não demonstrou ter os recursos necessários para levar o alvinegro de volta ao topo.

Mas isso fica para outro post...

Hoje vamos falar de como o Cruzeiro conseguiu acuar o Santos em plena Vila Belmiro, e derrotá-lo.


Como o Santos (não) joga

O futebol santista ontem foi vergonhoso.

O 4-3-3 montado por Claudinei Oliveira, com 3 volantes no meio, dois atacantes abertos pelas pontas e um falso 9, fracassou.

O esquema foi inteiramente montado para aproveitar contra-ataques, em postura covarde do jovem treinador santista.

Identifiquei 3 GRANDES PROBLEMAS na maneira do time jogar bola:

1º A saída de bola é horrível
2º A construção de jogadas pelo chão não existe
3º O time só ataca de 2 formas: cruzamentos na área pelos laterais e bola parada (faltas e escanteios)


1º PROBLEMA: SAÍDA DE BOLA


Basicamente, todas as jogadas do Santos no jogo contra o Cruzeiro foram iniciadas por:
1) Chutões de Aranha
2) Chutões dos zagueiros
3) Lançamentos dos volantes

Na jogada abaixo, podemos ver com clareza a péssima saída de bola do Santos.

O time não sai jogando com a bola nos pés.

Todas as jogadas de tiro de meta iniciavam com chutões para frente, e nunca com passes para os jogadores de defesa.

E pior: o time está tão viciado em chutões que, nos raros momentos em que Aranha conseguia passar a bola para os jogadores de defesa, estes desferiam na pelota outro chutão...

Isso mostra, no mínimo, falta de treinamento.

E, no máximo, falta de confiança ou de técnica.

A imagem abaixo, do próprio jogo, ilustra como é a deprimente saída de bola do Santos: bola de Aranha para Edu Dracena, e chutão de Edu para frente...

Análise Tática Santos FC (1)
Observem os volantes, imóveis, sem saber o que fazer, todos esperando o chutão...

2º PROBLEMA: JOGADAS PELO CHÃO NÃO EXISTEM


O que são “jogadas pelo chão”?

Falo de triangulações (1-2 simples), tabelas curtas, infiltrações (jogadores entrando na grande área para receber a bola) e lançamentos curtos.

Durante o jogo, não vimos os jogadores do Santos aplicarem nenhum desses fundamentos.

ISSO MESMO, EU DISSE: FUNDAMENTOS.

Fundamento, segundo o dicionário, significa alicerce, base, eixo, estrutura, firmamento, fundação, sustentáculo.

Os jogadores santistas, por culpa própria e de seu treinador, parecem ignorar totalmente os FUNDAMENTOS DO FUTEBOL.

A construção de jogadas é feita somente da seguinte forma:
1) Lançamentos longos do goleiro e zagueiros (chutões)
2) Lançamentos longos de Montillo e Cícero
3) Cruzamentos na área pelos laterais santistas

Se a criação é ruim, o ataque nada produz.

Análise Tática Santos FC (2)
Na imagem, um dos raros momentos em que o Santos consegue um contra-ataque, com 4 jogadores



















3º PROBLEMA: O SANTOS BUSCA O GOL AOS TRANCOS E BARRANCOS


Sem jogadas pelo chão, posso dizer com firmeza que os jogadores santistas só buscam marcar gols da seguinte forma:
1) Bola parada (faltas e escanteios)
2) Cruzamentos na área pelos laterais, com possível cabeceio ou rebote
3) Lançamentos longos de Montillo e Cícero
4) Jogadas individuais

E essa é uma das principais razões por que o torcedor santista sofre, e muito, ao assistir esse time jogar.

Em primeiro lugar, o Santos não tem um time alto, razão pela qual as bolas paradas não funcionam.

Jogando sem centroavante, os cruzamentos na área são inúteis.

Jogando apenas com 1 centroavante, também são.

Os lançamentos longos de Montillo e Cícero, por mais geniais que sejam, esbarrarão em qualquer defesa bem montada, como nos jogos contra Corinthians e Cruzeiro.

Por último, a qualidade individual de um jogador é maximizada quando o futebol coletivo é forte.

Basta ver o time do Cruzeiro, repleto de jogadores renegados, poucos com qualidade acima da média (Fábio, Dedé, Egídio e Everton Ribeiro).

Mas a qualidade desses jogadores citados aparece, pois existe um futebol coletivo.

No Santos, não.

Temos boas individualidades (Aranha, Edu Dracena, Gustavo Henrique, Cicinho, Mena, Alison, Arouca, Cícero, Montillo e Thiago Ribeiro), mas que não rendem com a ausência de um forte jogo coletivo.

Ainda que tragam de volta Pelé, Neymar e Robinho, enquanto o Santos não melhorar seu futebol coletivo, continuaremos no limbo do futebol brasileiro.

Análise Tática Santos FC (3)
Sem jogadas de ataque, Victor Andrade carrega a bola e tenta resolver sozinho

















COMO O CRUZEIRO JOGA FUTEBOL


O Cruzeiro, montado por Marcelo Oliveira, ataca com 7 jogadores:
2 centroavantes
3 meias armadores
2 pontas (função exercida pelos laterais, ao atacarem)

Não acredita? Então veja essa imagem:

Análise Tática Santos FC (4)
Cruzeiro ataca com 2 centroavantes, 3 meias armadores e 2 pontas (função exercida pelos laterais)






















E quem defende?

Apenas 3 jogadores (um volante, que recua, e dois zagueiros abertos).

Isso mesmo!

Marcelo Oliveira ousou adaptar princípios de futebol do Barcelona no time celeste.

Atacando com 7, o time adversário se inclina totalmente a defender, e abre mão do ataque.

Foi isso que assistimos no jogo de domingo: um Cruzeiro dominante contra um Santos acuado em sua própria casa.

Nessa imagem flagrei o momento em que o Santos recupera a bola em seu próprio campo de defesa, em que podemos ver claramente apenas 3 jogadores do Cruzeiro atrás da linha do meio de campo (os outros 7 podem ser observados bem à frente da linha divisória do campo):

Análise Tática Santos FC (5)



Eis outro momento em que flagrei o Cruzeiro iniciando uma jogada de ataque, com 7 jogadores (o lateral-esquerdo não aparece na imagem.

Análise Tática Santos FC (6)
















CONCLUSÃO


Claudinei precisa trabalhar imediatamente a saída de bola, a construção de jogadas e formas mais ousadas de buscar o gol.

A diretoria deve buscar no mercado um treinador diferente, que produza no Santos um trabalho diferenciado, assim como a diretoria cruzeirense buscou Marcelo Oliveira.

Em 2011, o Santos foi à Libertadores graças à Copa do Brasil.

Em 2012, disputou a competição para defender seu título.

Mas de 2010 a 2013 presenciamos péssimas campanhas no Campeonato Brasileiro.

E, principalmente, um PÉSSIMO FUTEBOL.

Errar uma vez é aceitável, duas vezes é burrice, e por 4 anos seguidos é o que?

Já perdemos o direito de errar.

Acorda diretoria!