O sucesso de Geuvânio e o fracasso de Neílton

Geuvânio e Neílton
fonte: site oficial do Santos FC


O que Geuvânio tem a ver com Neílton?

Tudo!

Ou melhor, quase tudo.

Por mais irônico que possa parecer, o sucesso de Geuvânio está diretamente relacionado ao fracasso de Neílton.

Como?

Lembremos.

O ano é 2013 e começa o Campeonato Brasileiro.

No dia 01 de junho, o Santos joga contra o Grêmio, na Vila Belmiro, precisando vencer para convencer seu torcedor, e Neílton corresponde: torna-se titular do time e é eleito o melhor jogador em campo.

No jogo seguinte, contra o Criciúma, fora de casa, o jovem atacante marcA o único gol santista na derrota por 3 x 1.

Neílton brilhA também nos jogos seguintes, contra o Atlético/MG, na Vila (vitória do Santos por 1 x 0) e São Paulo, no Morumbi (vitória por 2 x 0), marcando mais 2 gols na goleada contra a Portuguesa, na Vila, por 4 x 1, logo antes da trágica ida a Barcelona.

Após retornar da Cataluña, marcA outro gol no empate do Peixe na Vila contra o Coritiba, com ótima atuação.

Em seguida, começaram a pipocar rumores sobre a renovação de contrato...

E seu desempenho começa a cair...

Faz partidas apenas razoáveis na derrota contra a Ponte Preta (1 x 0) e no empate contra o Corinthians, na Vila Belmiro (1 x 1).

Logo depois, uma péssima atuação no empate fora de casa contra o Cruzeiro (0 x 0), e igualmente no empate em casa contra o Vasco (1 x 1).

Com problemas contratuais (criados por ele próprio), seu rendimento cai drasticamente, sendo até afastado da lista de relacionados no jogo seguinte, fora de casa contra o Bahia.

Noticiava-se na época que Neílton pretendia receber cerca de R$ 80 mil mensais no Santos.

A diretoria corretamente não abaixou a cabeça para o jogador e seus empresários: negou-lhe a renovação.

Com isso, Neílton foi seguidamente rebaixado para o time de base, esfriando na geladeira.

Várias reuniões foram marcadas para tentar a renovação, mas o jovem bateu o pé: queria um salário alto, maior do que merecia na época.

Para dar exemplo aos jogadores mais jovens, que têm a "renovação padrão" de seus contratos, todos recebendo a mesma quantia (Gustavo Henrique, Jubal, Geuvânio etc.), o Santos não poderia se curvar à vontade de um só jogador, o que, além de criar um péssimo ambiente, acabaria por "obrigar" moralmente o clube a dar o mesmo aumento (na mesma quantia) a todos os jovens campeões da Copinha.

O resto da história todo mundo já sabe: Neílton foi rebaixado para o time de base, sofreu muitas lesões, elogiou a torcida do Botafogo, foi espontaneamente conhecer o Cruzeiro (clube que achou absurdo pagar a pechincha de 500 mil para tirá-lo do Santos), pouco ou nada mais jogou pelo time profissional, e, com contrato com o Santos até o dia 31 de maio, completará em breve 8 meses sem começar uma partida como titular pelo time de cima.

Neílton tem tudo para seguir o mesmo caminho de Alemão, Jean Carlos Chera e P.H. Ganso, os dois primeiros bastante arrependidos de terem saído do Santos (Ganso não fala, mas por dentro deve estar profundamente arrependido).

Tá, mas o que Geuvânio tem a ver com essa história?

Absolutamente tudo!

Neílton saiu do time... e quem entrou no lugar dele?

Geuvânio!

Com boas atuações no final de 2013, o "caveirinha", como era conhecido, virou "Geuvânio Ronaldo", foi mantido na equipe titular por Claudinei Oliveira e Oswaldo de Oliveira, e é hoje um dos principais - se não o principal - jogador do elenco santista.

Jogando o seu futebol moleque, com calma e humildade, vem se destacando em todos os jogos do Santos, e buscando seu primeiro título com a camisa do profissional.

A ponto de hoje usar e honrar a camisa 10 do rei Pelé...

Como ironia pouca é bobagem, Geuvânio renovou seu contrato com o Santos até o fim de 2017, e passou a receber R$ 50 mil mensais (antes recebia apenas R$ 17 mil mensais, o menor salário do elenco).

Geuvânio hoje usa a camisa 10 de Pelé, tem sua vida garantida no clube por mais 3 anos, recebe pouco menos do que dese Neílton, está de paz com a torcida, vem sendo o destaque da equipe na competição e no último jogo começou de titular e deu 2 maravilhosas assistências, na vitória sobre o Palmeiras, na Vila Belmiro lotada.

Xodó da torcida santista, recebeu até o carinhoso apelido de "Geuvânio Ronaldo", além de ter proporcionado o belo chapéu em Ralf, que resultaria em um dos 5 gols santistas na goleada história sobre o Corinthians.

Ironicamente, Geuvânio tem hoje tudo o que sonhava Neílton.

Neílton que, por conta de uma ambição desmedida, desproporcional e principalmente fora do tempo, pôs tudo a perder.

Hoje, Geuvânio é o ídolo que Neílton seria se não tivesse travado seu próprio futuro.

De desconhecido, Geuvânio é hoje ovacionado pela torcida.

De jovem promissor, Neílton tornou-se descartável, a ponto de outros times não apostarem míseros R$ 500 mil em sua contratação.

O mundo dá voltas...