Como o São Paulo pode salvar o futuro do Santos

Espanholização do futebol brasileiro

Sim, é isso mesmo que você leu.

O São Paulo, nosso clube rival, pode estar prestes a salvar o futuro do Santos e de vários clubes brasileiros.

Como?

Para quem não sabe, há alguns dias houve eleição para presidente no São Paulo.

E Carlos Miguel Aidar foi escolhido para comandar o tricolor paulista nos próximos 4 anos.

Uma de suas bandeiras: evitar a "espanholização" do futebol brasileiro.

Entenda.

Após o presidente corinthiano Andres Sanchez implodir o Clube dos 13, Corinthians e Flamengo conseguiram negociar individualmente contratos bastante generosos da Rede Globo, recebendo uma quantia de direitos televisivos muito maior do que todos os outros clubes do país.

Essa quantia cresce a cada ano, assim como a distância de valores para os outros clubes.

Em resumo: a médio ou longo prazo, em cerca de 10 a 15 anos, se bem administrados, Corinthians e Flamengo se tornarão Barcelona e Real Madrid da América do Sul.

Não é brincadeira, é muito sério.

Caso isso ocorra, os 12 grandes clubes do país seriam reduzidos a 2, por puro capricho da Rede Globo, que paga mais aos clubes com maior torcida.

A solução para que isso não ocorra: adotar a mesma política de divisão de cotas da Inglaterra (proposta de Aidar) ou a da Alemanha, que tornam os campeonatos de lá competitivos e com excelente público (os melhores do planeta).

Odílio Rodrigues precisa acordar.

O Santos até agora mostrou-se passivo e submisso demais aos interesses da Rede Globo.

Deixando com que o processo de espanholização do futebol brasileiro começasse.

E, se pensarmos bem, já começou.

Basta lembrar que, de 2000 a 2014, o Corinthians já conquistou 14 títulos (contando aquele Mundial meia-boca), e o Flamengo, mesmo sendo muito mal administrado, levou 12 troféus no mesmo período!

As transmissões focam somente no Corinthians e Flamengo, dependendo do Estado.

Isto é, a Globo transmite quase apenas jogos desses dois clubes, e de ninguém mais, fazendo com que, inevitavelmente, a torcida dos dois aumente.

Caso esse ritmo continue e o Santos não se una depressa para a formação uma nova liga de clubes, com o apoio do presidente são-paulino, o clube corre sério risco de cair para o segundo ou terceiro escalão do futebol brasileiro, ao lado de São Paulo, Palmeiras, Vasco, Fluminense, Botafogo, Grêmio, Internacional, Atlético/MG e Cruzeiro.

Quer entender em detalhes como o presidente são-paulino pretende acabar com a ascensão do Corinthians, Flamengo e da Rede Globo?

Leia então abaixo o excelente artigo do jornalista Cosme Rímoli, publicado ontem, sobre o assunto (não deixe de ler, é muito importante para entender o futuro do Santos FC):


Carlos Miguel Aidar e a promessa da criação de uma liga dos descontentes. Para pressionar a Globo pelo fim dos privilégios a Corinthians e Flamengo. Exigir justiça na distribuição bilionária de cotas como a da Inglaterra. Chega de ‘espanholização’….

Ataíde Gil Guerreiro.

O novo homem-forte do São Paulo tem passado.

Parceiro de alma de Carlos Miguel Aidar.
E um dos idealizadores do Clube dos 13, presidido por Carlos Miguel.
Ambos foram visionários.
Queriam a união dos maiores clubes brasileiros para pressionar a Globo.
Desejavam e conseguiram cotas mais justas.
Em grupo sentiram sua força.
Conseguiram as cotas.
US$ 3,4 milhões, em 1987.
US$ 6 milhões (em 1994),
US$ 10,4 milhões (1995),
R$ 15 milhões (1996),
R$ 50 milhões ao ano (em 1997 e em 1999),
R$ 130 milhões (em 2002),
R$ 300 milhões por ano (a partir de 2004)
R$ 1,4 bilhão pelo triênio 2009-2011.
Assim foi feito.
O auge do movimento foi no ano 2000.
Se aproveitaram de um imbróglio político.
O Gama havia entrado na Justiça Comum não aceitando o seu rebaixamento.
O deputado federal Aldo Rebelo, sim ele mesmo, foi fundamental.
A CBF não tinha condições legais de organizar o Brasileiro.
Foi então que o Clube dos 13 criou a Copa João Havelange.
Logo Ricardo Teixeira percebeu o inimigo que tinha no quintal.
A inutilidade da CBF poderia ser percebida.
Os dirigentes a enxergavam como realmente ela é.
Uma entidade que apenas organiza os campeonatos e cuida da Seleção.
Não poderia ser tão poderosa.
Mas logo Teixeira percebeu o perigo.
E tomou as rédeas do futebol brasileiro.
Tinha como arma o apoio das federações.
Os adiantamentos das cotas de tevê.
E principalmente os empréstimos aos clubes.
Carlos Miguel Aidar e Ataíde Gil Guerreiro já eram passado.
Não existiam mais no futebol quando Andrés Sanches agiu.
A pedido da Globo implodiu o Clube dos 13.
A emissora estava a ponto de perder a transmissão do futebol.
Sabia que concorrentes se organizaram para pagar bem mais.
Em fevereiro de 2011, Sanchez avisou.
O Corinthians deixaria a entidade.
Iria discutir sozinho a sua cota.
Ao mesmo tempo, Andrés procurou a cúpula do Flamengo.
E ela seguiu o mesmo caminho.
Os outros clubes se renderam e viraram as costas ao C13.
O então presidente Fabio Koff percebeu : tudo estava acabado.
Corinthians e Flamengo tiveram a recompensa pela atitude.
Receberam da emissora a promessa de maiores cotas que os rivais.
Os dois clubes mais populares do país ganhariam uma grande alavanca.
Maior cota, mais vezes na tela da emissora, atraindo maiores patrocínios.
Formação de melhores times.
A diferença hoje já é grande.
Não custa repetir que em 2016 ficará enorme.
Corintianos e flamenguistas receberão R$ 170 milhões por ano.
São Paulo, R$ 110 milhões.
Palmeiras e Vasco, R$ 100 milhões.
Santos, R$ 80 milhões.
Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio, Inter, Fluminense e Botafogo menos.
Apenas R$ 60 milhões.
Os demais ganharão no máximo, R$ 35 milhões.
Ataíde foi diretor executivo do Clube dos 13.
Na época em que Corinthians, Flamengo e São Paulo ganhavam iguais.
O que ele mais prometeu aos eleitores de Carlos Miguel é que tudo mudará.
O clube não aceitará mais essa diferenciação.
O privilégio a corintianos e flamenguistas.
Muito pelo contrário.
O sonho é a reedição do Clube dos 13.
Sem os privilegiados times mais populares do Brasil.
Juntar os outros em uma outra entidade.
E brigar juntos pelo fim da preferência.
Ataíde como Aidar percebe que o caminho é sem volta.
Não haverá como, no futuro, alcançar os rivais.
A Espanha surge sempre na conversa.
Lá, Real Madrid e Barcelona, recebem 120 milhões de euros.
Nada menos do que R$ 371 milhões por ano.
O terceiro colocado neste ranking é o Valencia.
São 44 milhões de euros, R$ 136 milhões.
Quase três vezes menos.
Aí surge o Atlético de Madrid, com 42 milhões de euros.
Ou R$ 129 milhões.
Athletic Bilbao e Sevilha recebem cerca de 20 milhões de euros.
R$ 61 milhões.
Seis vezes menos do que Real e Barcelona.
Esse cenário é perturbador.
Não por acaso passou a ser referência.
Além disso, Carlos Miguel enfrentará Andrés.
Sabe todo o mal que ele fez ao São Paulo.
Tirando o Morumbi da Copa.
O novo presidente sangra para tentar cobrir o estádio por causa dele.
Se não fosse a briga de Juvenal com Ricardo Teixeira, que o corintiano aproveitou.
E vai contar com Ataíde para arregimentar parceiros.
O Santos é o primeiro.
Odílio Rodrigues tem arrepios quando pensa.
Daqui a um ano e oito meses receberá R$ 90 milhões a menos que Corinthians e Fla.
Paulo Nobre também é visto como um possível aliado.
Assim como Peter Siemsen, Roberto Dinamite, Alexandre Kalil, Gilvan Tavares.
O descontentamento já se espalhou pelo país.
Ataíde e Carlos Miguel se propõem a amarrá-lo.
E partir para o confronto.
Juvenal Juvêncio até pensou nisso.
Mas a sua doença o atrapalhou.
Não tinha energia para uma briga que promete não ser fácil.
A articulação nos bastidores já vai começar.
Eles formar um bloco para repetir 1987.
E pressionar a Globo.
Não só por melhores cotas no futebol.
Mas por pagamentos equivalentes.
Acabar com os privilégios dos clubes mais populares do país.
A tese é simples.
Organizar campeonatos só com Corinthians e Flamengo é impossível.
Então que a distribuição seja melhor feita.
A proposta dos sonhos de Carlos Miguel é parecida com a da Inglaterra.
Lá 50% são divididos entre os 20 clubes da Premier Liga.
25% é baseado na classificação do ano anterior.
E os outros 25% variam pelo número de jogos exibidos.
A tevê escolhe de acordo com o interesse da competição.
No máximo, uma variação.
Um terço seria dividido de forma igual entre os clubes.
Outro terço pela classificação no ano anterior.
E só outro terço de acordo com o tamanho da torcida.
Ataíde confirmou essa tese ao meu amigo Menon.
O confronto já ganha contornos.
A possibilidade de uma liga também.
Desde que a CBF continue insensível, omissa.
E não auxilie esses clubes dissidentes.
Um 'Clube dos 13' sem Corinthians e Flamengo é sonho de muitos.
Faltava apenas alguém com coragem de enfrentar o sistema.
O novo presidente do São Paulo diz ser essa pessoa.

É esperar e cobrar o fim da desigualdade...