LAOR: de "revolucionário" a decadente

LAOR decadente


Hoje com 71 anos e em estado de saúde extremamente debilitado, LAOR sofre principalmente por não ver o Santos que queria construir, mas que, por decisões erradas, ajudou a destruir.

Como já disse anteriormente, LAOR não é monstro nem santo.

Manteve Neymar de uma maneira extremamente prejudicial ao clube, mas o manteve.

Assim como garantiu a permanência de Geuvânio.

E participou ativamente da "melhor venda possível", economicamente falando, de P.H. Ganso para o São Paulo, exigindo até o último minuto o pagamento integral de sua multa rescisória.

No comando da diretoria santista, praticou medidas impopulares, como a contratação de Muricy Ramalho, mas no final, os números não mentem: conquistou no clube 6 títulos, sendo 1 Copa Libertadores da América, 1 Copa do Brasil, 1 Recopa Sul-Americana e 3 Campeonatos Paulistas.

Em nenhum momento duvidei nem duvido do amor de Luís Álvaro Ribeiro pela instituição Santos Futebol Clube.

Todavia, não posso deixar de admitir que decisões erradas de LAOR afundaram (merecidamente) toda sua reputação na Vila Belmiro.

Com o passar do tempo, a história colocará LAOR em seu devido lugar, nem tanto ao céu nem tanto à terra.

Sobre o tema, deixo a vocês o excelente artigo do excepcional jornalista Cosme Rímoli sobre a decadência de LAOR.

Vale a pena ler cada linha:


Enquanto Luís Álvaro briga para sobreviver, seu sonho acabou no Santos. De clube moderno, revolucionário virou mero dependente de um fundo de apostas. É melhor mesmo que não volte à presidência. Seu coração não suportaria a decepção…

De clube revolucionário, nacionalista, inovador...

A mero dependente de um obscuro fundo de apostas em Malta.

Bastaram dez meses e o Santos se tornou uma decepção.

Em todos os sentidos.

Não perdeu o título paulista para o Ituano por acaso.

Não há nada de moderno receber por Neymar menos que seu pai/empresário.

Muito menos implorar jogadores à Doyen Sports, de Renato Duprat.

Isso depois de comprometer R$ 42 milhões com Leandro Damião.

Atacante que veio para disputar a Copa.

Mas depois de 14 partidas, marcou apenas cinco gols.

Estragou o esquema de Oswaldo de Oliveira por sua lentidão.

E passou a ser vaiado constantemente pela própria torcida.

Sua desvalorização é impressionante.

Talvez não maior do que a de Lucas Lima.

Meia que o fundo de apostas comprou 80% do Internacional.

Por R$ 5 milhões que o Santos se comprometeu a pagar.

Atleta que não interessava a Oswaldo, é mero reserva.

Transações sem lógica alguma viraram motivo de críticas pesadas.

Sepultaram os sonhos expansionistas.

Ninguém na diretoria tem coragem de falar em novo estádio.

Em ter a maior torcida do Brasil.

Tudo ficou para trás.

O Santos regrediu a tal ponto que Odílio Rodrigues avisa.

"Não serei candidato à reeleição."

Postura bem diferente da que assumiu a presidência em agosto de 2013.

O que fez Odílio avisar que está fora?

Mesmo com a situação tendo mais de 80% dos votos na última eleição?

A resposta está com um homem de 71 anos, debilitado.

Magro, abatido e que só consegue andar apoiado em uma bengala.

Imagem inacreditavelmente oposta a quando se tornou presidente santista.

Em dezembro de 2009 enfrentou com toda energia o clã Teixeira.

Venceu Marcelo, filho de Milton, com 60% dos votos.

Publicitário competente, assumiu ser a modernidade chegando ao clube.

Sorridente, hábil nas palavras, galanteador, transpirava energia.

Pelo menos era o que gostava de aparentar.

Dizia sonhar com Bruna Lombardi, Maitê Proença.

Confessava ser perseguido por 'Marias-Cartolas'.

Pai de quatro filhas de três casamentos.

Solteiro gostava de posar como um amante da vida boa.


E que dedicaria seu tempo a reviver o Santos poderoso da década de 60.

Que conquistaria o mundo novamente.

Seguraria Neymar e Ganso.

"Vou mostrar que o tempo da escravidão já acabou.

Europeu nenhum vai pisar como se fosse patrão na Vila Belmiro.

Oferecer espelhinhos e levar nosso ouro que são o Neymar e o Ganso.

Chega de exportar a mais talentosa mão de obra e receber migalhas.

O Santos só liberará esses atletas quando quiser.

Quando houver outros tão talentosos que não farão falta.

Vamos enfrentar a Europa.

Acabou o tratado de Tordesilhas."

O discurso de Laor era empolgante.

Ele e seu Comitê Gestor chegavam 'para ficar'.

Enquanto jurava conquistas futuras, brigava por antigas.

E conseguiu junto a Ricardo Teixeira o reconhecimento de títulos esquecidos.

Tornou por decreto, o Santos octacampeão do país.

Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa viraram Campeonatos Brasileiros.

Laor fez uma festa exagerada, que não foi levada a sério.


Ele sempre quis é valorizar o currículo do clube.

E passou a vender o Santos para amistosos como oito vezes campeão do Brasil.

Muito melhor do que bicampeão.

Era a vitória do marketing.

Dentro desse embalo, o clube aproveitou o surgimento de Neymar e Ganso.

O clube ganhou a Copa do Brasil, a Libertadores.

Chegou à decisão do Mundial de Clubes com o Barcelona.

E com Laor posando que não venderia nenhum dos dois jogadores.

Por mais que tivesse problema com o grupo DIS em relação ao meia.

Quanto ao atacante, avisava que desprezava propostas todos os dias.

Chelsea, Manchester United, Real Madrid, Barcelona, Bayern.

Dizia a conselheiros que dirigentes desses clubes ficavam de joelhos.

Mas Neymar não sairia antes do final da disputa da Olimpíada de 2016.

Só que a verdade veio à tona.

E ela não tinha nada de bonito.

Ao pisar no gramado perfeito de Yokohama, Neymar já não era 100% do Santos.


Seu pai já havia recebido 10 milhões de euros, cerca de R$ 31 milhões.

Era um sinal do Barcelona.

Na prática a primeira parcela de compra do jogador.

Ou seja, Neymar já era parte do time catalão.

Torcida, imprensa, conselheiros todos foram enganados.

Ninguém fazia ideia do negócio.

Luís Álvaro jurou que deu apenas uma procuração a Neymar sênior.

Ele poderia buscar clube para vender o atacante.

O presidente disse que não sabia que a transação estava prometida.

Com direito até a primeiro pagamento.

A perda do Mundial acelerou a derrocada.

Neymar assinou novo contrato.

Conseguia mais direitos sobre sua imagem.

E antecipava sua permanência até o final da Copa de 2014.

Foi feito festa na Vila, quando conselheiros importantes sabiam.

A situação era fúnebre.

O centenário foi um fracasso.

O sonho do bicampeonato da Libertadores virou pesadelo.

Ganso foi vendido.

Não para capitalistas europeus.

Mas ao São Paulo mesmo.

O time naufragava.

Até que veio o golpe final.

Laor cedeu diante da pressão de Neymar e seu pai.

E o liberou para o Barcelona.

Para evitar o vexame de perder o atleta 'de graça' em junho deste ano.

Ele sabia que não havia um time forte ajudar o garoto talentoso.

Seria puro desperdício.

Foi quando explodiu a estranha transação.

Acabou negociado com o Barcelona em junho.

No dia 4 de agosto, amistoso na Catalunha.

Exigência como parte do pagamento do jogador.

Vergonha histórica.

Derrota por 8 a 0 para o novo time de Neymar.

O trauma foi tão grande que o Santos desistiu de nova partida.

Onze dias depois do vexame, Luís Álvaro pede licença de um ano do cargo.

Todos sabiam e fingiam não saber na Vila Belmiro.

A saúde de Laor era péssima.

Em 2003, ele já sofrera dois infartos.

Teve quatro paradas cardíacas.

Mas não mudou seus hábitos.

Continuou acima do peso, vivendo sob stress, tensão.

Problemas cardíacos, pulmonares o afetavam.

Além de uma traiçoeira pancreatite.

Para culminar, um acidente em uma biópsia pulmonar.

Silvia Pimentel de Oliveira Ribeiro contou o drama do irmão.

Laor chegou a ter apenas 3% de chances de sobreviver.

O colega Eduardo Marini conseguiu uma foto postada por Silvia.

É incrível o abatimento de Luís Álvaro.

Magro demais, frágil e dependente de uma bengala.

Odílio Rodrigues já sabe.

Luís Álvaro não deverá ter condições de voltar à presidência.

O cargo ficará com o vice até dezembro.

Quando haverá nova eleição.

Odílio não concorrerá.

O desgaste da estranha negociação envolvendo Neymar não permite.

Até lá o clube seguirá a nova filosofia.

Fazendo da Doyen Sports sua patrocinadora.

Vendo em Renato Duprat, homem da MSI, como seu salvador.

Depois de Leandro Damião e Lucas Lima, Odílio pediu um zagueiro.

Deu duas opções: Doria do Botafogo e Manuel do Atlético Paranaense.

Por enquanto o fundo maltês disse não, mas pode ceder.

O Santos espera.

Essa postura dependente é o inverso dos sonhos de Laor.

Ele desejava o clube poderoso, ditando as regras do mercado.

Construindo novo estádio, sendo reconhecido no Exterior.

Com a maior torcida do país.

Tudo regrediu rápido demais.

Infelizmente, assim como sua saúde.

Luís Álvaro tenha sucesso na luta pela vida.

Por que seus sonhos com o Santos acabaram há muito tempo...