No meio do caminho tinha uma trave

Neto perde pênalty
Perder dói.

Perder uma final dói ainda mais.

Mas a dor é menor quando se sabe que seu time não mereceu vencer.

Quando se sabe que a vontade de ser campeão do time adversário era muito superior à do seu.

E assim, de forma displicente, sem jogar nada, o Santos perdeu merecidamente a final.

O futebol ofensivo, leve, com passes curtos, pelo chão, foi abandonado.

E deu lugar a chutões para o alto, lançamentos longos, cruzamentos na área e bolas paradas.

Tudo o que não é nem nunca foi característica do DNA santista.

Abandonando sua natural forma de jogar, seria natural que o clube perdesse.

O futebol praticado em ambas finais foi lamentável.

Sejamos honestos: qualquer final de campeonato deveria representar o supra-sumo do futebol, o jogo mais bonito, disputado e competitivo de toda a competição.

E o que vimos?

Dois gols de pênalti.

Um no primeiro jogo (1 x 0 Ituano).

Outro no segundo jogo (1 x 0 Santos).

Isso sem falar no pênalti perdido por Cícero, no primeiro jogo!

O resultado não poderia ser mais catastrófico: uma final disputada em pênaltis.

Torcida do Santos no Pacaembu na final contra o ItuanoPênaltis nos quais o machucado Rildo nunca poderia ter sido selecionado para bater.

Bateu, e o título santista bateu na trave, literalmente.

Antes de Rildo perder seu pênalti foi o único momento em que cheguei a acreditar que o Peixe poderia levantar a taça.

Aranha havia defendido um pênalti, e até David Braz tinha acertado o seu.

Mas a partir daí Aranha não pegou mais nada, Rildo bateu na trave e Neto é zagueiro...


Os 3 momentos da derrota

Durante a partida, observei 3 sinais que levariam o Santos à derrota.

O primeiro: o fato do time ter voltado a campo no segundo tempo disposto a empatar, não a ganhar.

O segundo: o gol claríssimo perdido por Geuvânio.

O terceiro: após o apito final, todos os jogadores santistas abaixaram suas cabeças e caminharam lentamente, cada um por si, em direção ao banco de reservas, em total desunião.


Oswaldo de Oliveira não pode reclamar

Oswaldo de Oliveira não pode reclamar da arbitragem, do regulamento, de nada.

Verdade que o fato do Santos ter se classificado em 1º lugar geral não lhe deu nenhuma vantagem.

Verdade que a arbitragem foi conivente com a cera infinita do Ituano.

Mas o regulamento era igual para todos.

E nada, NADA justifica essa derrota.


A cereja do bolo

O título do Ituano foi a cereja do bolo de um campeonato horrível.

Na primeira fase, Corinthians eliminado, atrás de Ituano e Botafogo/SP.

Torcida do Santos no Pacaembu na final contra o ItuanoNas quartas-de-final, cai o São Paulo, eliminado pela Penapolense.

Nas semi-finais, é a vez do Palmeiras sucumbir diante do Ituano.

Na grande final, para coroar a desgraça, o Santos perde o título para o Ituano.

Esse é também o motivo pelo qual corinthianos, são-paulinos e palmeirenses não têm moral nenhuma de falar do Santos.


Bola pra frente!

Um campeonato a se lamentar e esquecer.

Esse time que disputou o Campeonato Paulista 2014 será esquecido.

A história é e sempre será contada pelos vencedores.

Isto é, pelo Ituano.

O time santista é jovem, está em formação, e ainda dará muitas alegrias ao torcedor santista.

Desde que a diretoria tenha a coragem de expulsar do clube os péssimos David Braz e Leandro Damião.

Para finalizar, quero parabenizar a torcida santista, que lotou o Pacaembu!

Eu estive lá!

A energia das arquibancadas foi sensacional, emocionante, indescritível!

Uma pena os jogadores não terem correspondido em campo.

O Santos ontem perdeu.

Mas o que seriam das vitórias sem as derrotas?

Nada, perderiam totalmente o seu valor...

O hino do Santos entendeu bem o recado...

"No Santos pratica-se o esporte, com dignidade e com fervor, seja qual for a sua sorte, de vencido ou vencedor..."

Torcida do Santos no Pacaembu na final contra o Ituano