O dia em que LAOR segurou Geuvânio

Geuvânio quase saiu do Santos


Alguns devem conhecer, mas muitos não sabem a história do dia em que LAOR segurou Geuvânio no Santos FC.

Lembro bem dessa história.

No dia 01 de Agosto de 2012, um desconhecido Geuvânio embarcava para Portugal para assinar contrato com o Acadêmica de Coimbra.

O jovem atacante chegou ao Peixe em 2011, depois de se destacar no Litoral Futebol Clube, time idealizado por ninguém menos que Pelé e que fazia parceria com o Jabaquara.

Em uma partida do Litoral FC contra o sub-20 do Santos, o atacante se destacou marcando um gol, despertou interesse, e foi trazido para a base do Peixe.

Geuvânio atuou como atacante durante bastante tempo, mas foi deslocado para a lateral-esquerda por Narciso na base.

Promovido da base em 2011, desconhecido pela torcida santista, com apenas 3 jogos pelo time profissional e sem oportunidades com Muricy Ramalho, entrou em acordo com a diretoria santista, assinou sua rescisão contratual e embarcou para Portugal, para assinar contrato de 2 anos com o Acadêmica de Coimbra.

Acontece, no entanto, que o presidente em exercício na época Luís Álvaro Ribeiro, o LAOR, não foi informado sobre a negociação e não havia assinado a liberação do atleta.

Na ocasião, Geuvânio recebia R$ 3 mil mensais na Vila Belmiro e o clube português oferecia a ele aproximadamente R$ 20 mil por mês.

A oferta foi entregue por seu empresário Cristiano Santana ao gerente de futebol Nei Pandolfo.

Na época, seu empresário chegou a confirmar a rescisão de contrato com o Peixe, afirmando possuir cópia do documento.

Durante esse período, Geuvânio estava emprestado ao Santos até dezembro de 2011 pelo Jabaquara, dono de 60% de seus direitos econômicos - os outros 40% pertenciam a seus empresários.

Acontece que, até o término do contrato, o Peixe possuía a opção de compra de 70% de seus direitos.

Nesse período, o empresário de Geuvânio chegou a afirmar:

"Se o Santos ficar com o atleta até o fim do ano e não exercer a compra, o Geuvânio será prejudicado. Já passou tempo suficiente para avaliarem se ele serve tecnicamente e decidir se o liberam ou cumprem a opção. Realmente o jogador teve uma proposta, mas nós gostaríamos de chegar a um acordo com o Santos".

E LAOR rebateu:

"Se depender de mim, ele não sai. Não vejo porque perder um jogador de potencial, com contrato, e que na minha cabeça é um ativo do Santos".

Dias depois, após muita conversa, Geuvânio retornou à Vila Belmiro.

De acordo com seu empresário:

"Conversei com o presidente e decidimos que ele se reapresentará. O Geuvânio já voltou de Portugal e está no Brasil. Na tarde desta quinta-feira ele estará no CT. O presidente disse que realmente havia chegado até a mesa dele a rescisão e ele resolveu, percebendo que o jogador é um ativo promissor do clube, não dar a liberação. Agora vamos rediscutir o contrato".

No final de março deste ano o assunto foi retomado, quando LAOR e Muricy Ramalho, técnico na época da saída do atacante do clube, falaram sobre o assunto.

LAOR conta em detalhes como Muricy pretendia dispensar o garoto:

"Na época, o gerente de futebol (Nei Pandolfo) e o superintendente (Felipe Faro) vieram com uma conversa que o Muricy (Ramalho, então técnico do Santos) não pretendia aproveitar o Geuvânio e que ele custava R$ 3 mil por mês. Eles alegavam que seria uma boa economia para o clube e que tinha um clube português interessado. Pensei que os dois estavam brincando. Vi o Geuvânio na base e no profissional, e ele já era um bom jogador, com muito potencial. Perguntei para o Muricy, e ele disse com aquela cara de limão azedo: "Ah, não sei. Mas se o senhor acha isso (que Geuvânio deve permanecer), deixa ele aí". O Geuvânio estava sendo mandado embora de graça. Eu me recusei a assinar a liberação e negociei para que ele ficasse. Agora é esse craque que todos estão vendo. Acredito que ele pode chegar à seleção brasileira. Tem potencial, humildade, futebol, técnica e solidariedade. De vez em quando falo com ele e digo o quanto sou orgulhoso disso".

Muricy deu sua versão...

"Era um jogador muito habilidoso. Coloquei muito cedo para jogar. Taticamente ainda não estava no seu melhor. Ele estava no grupo e jogou comigo. Mas tinha de ganhar experiência. Prima pela habilidade, é muito rápido e não tem medo de jogar. Agora está pronto".

Nei Pandolfo também falou:

"Na verdade, foi uma decisão da comissão técnica. O atleta não estava sendo utilizado. Havia a possibilidade de emprestá-lo, mas tinha de renovar o contrato, e os valores eram altos na época. É preciso observar que a cada momento o atleta amadurece. O Alison, que hoje faz parte do time profissional, na mesma época entrou em uma lista de possíveis dispensas. Existe uma série de detalhes do clube que precisam ser levados em consideração".

De tudo, chego às seguintes conclusões:
1) Muricy Ramalho realmente não gosta de trabalhar com a base, nem dá oportunidade para os meninos;
2) Nei Pandolfo, neste episódio, foi extremamente incompetente;
3) LAOR agiu bem neste episódio, apesar de não ser nem santo nem monstro.

A verdade é que - querendo ou não - graças à LAOR Geuvânio brilha hoje no time comandado por Oswaldo de Oliveira.

O ex "caveirinha" e atual "Geuvânio Ronaldo" é, se não o principal, um dos principais jogadores da equipe.

Depois da Copa do Mundo, é um jogador para ser observado pela Seleção Brasileira.

GeuvânioTem potencial, talento, velocidade e humildade.

Nasce um novo craque na Vila Belmiro.

Bem diferente de Neymar.

Mas, ainda sim, um craque.

Nascido na pequena e miserável Ilha das Flores, de 9 mil habitantes, em Sergipe.

De onde superou todas as adversidades trazidas pela pobreza para conseguir jogar futebol.

Para vestir e honrar a camisa 10 que um dia pertenceu ao rei do futebol.

As lágrimas ao final do jogo contra a Penapolense estão justificadas.

Geuvânio nasceu para brilhar.