Oswaldo de Oliveira entendeu a alma santista

Oswaldo de Oliveira 1


Após levar o Santos à final do Campeonato Paulista, chegou a hora de avaliarmos o trabalho de Oswaldo de Oliveira, técnico que retomou a "alma santista", abandonada e maltratada por Claudinei e Muricy.

Comecemos do começo.

Depois de realizar um bom trabalho no Botafogo, vencendo 2 estaduais e levando o time à Libertadores (depois de 18 anos fora!), foi contratado pela diretoria santista no final do ano passado, dando início ao seu trabalho em Janeiro de 2014.

Com apenas 2 semanas para trabalhar antes do início da competição, no dia 18/01/2014, Oswaldo soube trabalhar com maestria os primeiros treinos da equipe, dando sua "cara" e formação tática a ela.

Conhecedor da história do Santos FC, por haver passado por aqui 2 vezes, o técnico sabia o que a torcida santista queria, depois de anos aguentando as retrancas de Muricy e Claudinei: um time vibrante, ofensivo, criador de jogadas com passes curtos, pelo chão, driblador, e goleador.

Por conta disso, o treinador não teve medo de aplicar no time santista a mesma formação tática que já vinha utilizando no Botafogo, o 4-2-3-1, utilizado no Peixe até hoje.

Uma formação tática com 2 volantes, um essencialmente marcador (Arouca) e outro com liberdade para atacar (Cícero), um meia armador (Gabigol), dois meias abertos pela direita (Geuvânio) e pela esquerda (Thiago Ribeiro) e um centroavante (Leandro Damião).

Assim nasceu o Santos de Oswaldo de Oliveira, ou melhor, a "Oswaldia e Alegria".

Um time cuja principal característica, acreditem, é a solidariedade.

Oswaldo conseguiu convencer os meninos que as individualidades só aparecem quando há um bom jogo coletivo.

E os meninos entenderam o recado.

Prova disso é o fato dos 46 gols marcados em apenas 17 jogos serem divididos entre os principais jogadores do esquadrão: Cícero marcou 8 gols, Gabigol 7, Geuvânio 7, Thiago Ribeiro 7 e Damião 5.

Oswaldo de Oliveira 2Bem diferente daquele Santos de Muricy Ramalho, em que a ordem absoluta era "bola no Neymar".

Imagino como Neymar seria feliz hoje jogando nesse time...

Voltando à realidade, pode-se dizer que o esquema de jogo de Oswaldo funcionou.

Além claro, do excepcional trabalho do treinador com as categorias de base alvinegras, a grande "menina dos olhos" da diretoria e do torcedor santista (principalmente).

Até agora, Oswaldo utilizou em 17 jogos no time titular nada menos que 14 revelações da base!

E não só as "utilizou", mas sim deu aos meninos reais oportunidades de mostrar seu futebol.

Tanto que foram decisivos para o Santos em alguns momentos, com Stéfano Yuri marcando o gol da virada santista contra a Penapolense e Diego Cardoso entrando para marcar o 4º gol contra a Ponte Preta.

Sem falar do zagueiro Gustavo Henrique, titular absoluto com Oswaldo, Emerson Palmieri, lateral-esquerdo tão titular quanto Eugenio Mena, os volantes Alison e Alan Santos, bastante utilizados, Geuvânio, mitando no esquema oswaldiano, Gabigol, o excelente centroavante do qual Damião rouba a camisa 9, Diego Cardoso e Stéfano Yuri, que entram no decorrer das partidas e resolvem.

Além deles, Oswaldo tem utilizado bem as poucas e pontuais contratações santistas para o Campeonato Paulista.

Leandro Damião é titular, Lucas Lima sempre que entra resolve e mostra bom futebol, e Rildo então, depois do último jogo, nem precisa comentar.

Resultado de toda essa salada preparada pelo chef Oswaldo de Oliveira:
- 1º colocado geral na fase de grupos;
- Melhor ataque da competição disparado (46 gols)
- 3ª melhor defesa (18 gols sofridos);
- 5 x 1 no Corinthians;
- Invencibilidade em clássicos (2 vitórias e 1 empate);
- 10 vitórias seguidas na Vila Belmiro;
- Futebol belo e ofensivo;
- Não se ouvem reclamações pela falta de contratações de peso;
- Pela arte de saber substituir bem e mudar o jogo com isso (no jogo contra a Penapolense, colocou Rildo, que cruzou para Damião empatar o jogo, e depois colocou Stéfano Yuri, que viraria a partida para o Peixe, mas não só nesse jogo).

Por conta disso, o time de Oswaldo chegou a ser comparado e superar nos números, por um breve período, o fantástico time de 2010!

Por tudo, podemos afirmar que o técnico faz um trabalho impecável no Peixe.

Claro que não podemos esquecer da derrota por goleada para o próprio Penapolense, por 4 x 1, após o time se desequilibrar ao ter um jogador expulso (situação de jogo que o próprio Oswaldo ainda não havia treinando com o time).

Mas trata-se de uma ilha negativa dentro de um mar de positividades.

Oswaldo merece a nota 9,5 pelo excelente trabalho que vem desempenhando no Santos FC!

Mas ainda falta o 0,5 para coroar seu brilhante desempenho.

Faltam 2 jogos, 2 finais, 2 decisões.

Parabéns Oswaldo de Oliveira, que na final a sorte esteja do seu lado.

Porque a competência certamente está.