Por que o Santos não tem dinheiro para contratar

Odílio Rodrigues

Nas palavras do presidente Odílio Rodrigues, não sobra dinheiro na Vila Belmiro, nem após a venda de Neymar.

Quem iria imaginar que um clube como o Santos, detentor de um dos melhores jogadores do mundo em 2013, fecharia seu balanço financeiro no negativo em 2014?

A incompetência é evidente.

Principalmente na condução do caso Neymar.

Jogador que poderia render ao Santos nada menos que 60 milhões de euros (o valor total pago pelo Barcelona, incluindo o adiantamento de 40 milhões para o antiético pai de Neymar), isto é, R$ 200 milhões de reais!

Seria o suficiente para sanar todas as dívidas do clube, à época no valor de R$ 110 milhões, e montar um supertime para a disputa do Campeonato Brasileiro de 2013, sem a péssima parceria com a Doyen Sports.

Mas a realidade é outra.

O clube recebeu por Neymar apenas R$ 55 milhões.

No ano de sua saída, o Santos fracassou no Brasileiro e na Copa do Brasil.

Sem dinheiro para contratar, firmou parceria com a Doyen Sports, que já lhe rende um prejuízo de R$ 50 milhões chamado Leandro Damião (valor correspondente a 1/4 da dívida total do clube!!!).

Alguns jogadores medianos foram negociados: Rafael, Felipe Anderson e Renê Júnior.

O total recebido pelo clube, de acordo com o balanço financeiro, foi de R$ 62 milhões.

O dinheiro de Neymar e companhia foi gasto nas contratações de Thiago Ribeiro (R$ 10 milhões), Cicinho (R$ 6,5 milhões) e Eugenio Mena (R$ 6 milhões), além do pagamento de luvas e outras despesas nas negociações por Cícero, Marcos Assunção, Renato Abreu, Pinga, Renê Júnior, Guilherme Santos, Willian José, Everton Costa e Henrique (tirando Cícero, todas péssimas contratações!).

Com a palavra, o presidente do Santos, Odílio Rodrigues:

- Está tudo lá explicado no nosso balanço. Com o dinheiro que a gente vendeu três jogadores em 2013, comprou outros seis. Não houve sobra de dinheiro com a venda de jogador. É natural o que tem acontecido nas finanças. Por exemplo: o Santos tem menos receita de televisão e de bilheteria que os três grandes de São Paulo e gasta praticamente a mesma coisa que eles gastam no futebol. Temos que participar do campeonato sombreando com estes rivais, mas tendo receita que, em alguns casos, é a metade. E isso só é possível fazer com parceiros, investimentos e empréstimos.

- O mesmo dinheiro que a gente vendeu foi praticamente o mesmo que a gente comprou. A associação do déficit de R$ 40 milhões com a venda do Neymar é indevida. É você fazer um reducionismo a um processo complicado de explicar números para as pessoas.

Lembremos que o dinheiro recebido pela venda de P.H. Ganso (R$ 24 milhões) foi totalmente investida na contratação de Montillo, por 10 milhões de euros (R$ 30 milhões), e em nada envolveu o dinheiro de Neymar.

Mas até agora pede-se uma explicação para onde foi parar os R$ 24 milhões pagos pelo clube chinês Shandong Luneng na compra do meia santista...

Somando-se todos esses fatores com o fato do Santos rumar para 2 anos sem patrocínio master, uma das principais fontes de renda de um clube de futebol, e ter antecipado perigosamente suas cotas de televisão para o ano de 2015, temos um aumento da dívida do clube em quase R$ 80 milhões, pulando hoje para R$ 190 milhões no total de dívidas, e registrando no final de 2013 um déficit operacional de R$ 40,6 milhões.

O Santos está no vermelho.

Nas finanças, no time e em sua direção.

Sem falar que o clube continua atrasando o pagamento de salário de seus jogadores, conforme publicado hoje na imprensa.

Como podemos cobrar desempenho de um trabalhador que não recebe salário?

Complicado, muito complicado.

E assim, hoje só um milagre pode salvar o clube.

Odílio Rodrigues não tentará a reeleição.

As portas se abrirão para a oposição tentar consertar os erros da atual administração (Marcelo Teixeira de volta não, pelo amor!).

Até lá, só nos resta apostar nas categorias de base, que vem salvando o Santos desde 1956...