Quais as fontes de receita do Santos FC?

Receita Santos Futebol Clube dinheiro

O blog hoje foi atrás de uma resposta.

Afinal, como se divide a receita total do Santos Futebol Clube?

Em maio, o consultor de marketing e gestão esportiva Amir Somoggi divulgou um estudo, com base no balanço financeiro de 2013 dos principais clubes da série A, analisando, dentre outras coisas, de onde vêm as receitas dos clubes de futebol.

No ranking das maiores receitas do ano passado, o Santos ficou na 7ª posição, com queda de R$ 7 milhões em sua receita, totalizando uma arrecadação de R$ 190,3 milhões, atrás apenas de Grênio, Atlético/MG, Flamengo, Internacional, Corinthians e São Paulo, conforme podemos observar abaixo:

Receitas Santos FC

Mas afinal - e aí está a grande pergunta - de onde vieram esses R$ 190,3 milhões paras os cofres santistas?

Da venda de jogadores?

Das cotas de televisão?

Dos patrocinadores?

Da bilheteria?

Quais são, afinal, as verdadeiras fontes de receita do alvinegro praiano?

O estudo abaixo indicado demonstra bem a divisão do faturamento santista:

Receitas Santos FC 2



O que o estudo mostra?

Que, em 2012, as receitas do Santos ficaram divididos desta maneira:

VENDA DE JOGADORES: R$ 27,3 milhões (15%);
COTAS DE TELEVISÃO: R$ 89,3 milhões (45%);
PATROCÍNIO E PUBLICIDADE: R$ 50,3 milhões (25%);
SOCIAL E AMADOR: R$ 10,7 milhões (5%);
BILHETERIA: R$ 17,4 milhões (10%).

Em 2013, por outro lado, o clube conseguiu manter uma arrecadação semelhante à do ano anterior mas, com a saída de Neymar, o clube enfrentou muitas dificuldades financeiras.

Tanto que, sem Neymar e sem Libertadores, as cotas de televisão despencaram, e reduziram-se pela metade.

A bilheteria também despencou, fruto da falta de um bom time após a saída da joia.

O jeito então foi apelar para a venda de jogadores, receita que rendeu ao clube mais que o dobro do recebido neste quesito em 2012.

Os valores recebidos dos patrocinadores mantiveram-se estáveis, assim como o setor social e amador da Vila Belmiro,

VENDA DE JOGADORES: R$ 62,4 milhões (32%).
COTAS DE TELEVISÃO: R$ 42,5 milhões (22%).
PATROCÍNIO E PUBLICIDADE: R$ 54,9 milhões (28%).
SOCIAL E AMADOR: R$ 13 milhões (10%).
BILHETERIA: R$ 10,2 milhões (8%).

Portanto, analisando estes dados, podemos concluir que, atualmente, 82% de toda a renda santista vêm de três fontes: venda de jogadores, patrocínio e cotas de televisão - nesta ordem.

Por isso todo o chororô pela falta de patrocínio master, que já caminha para o seu segundo ano.

Sem o patrocinador-master, o Santos perde nada menos que 1/3 de sua receita!

Por isso os atrasos de salários, a falta de contratações e as dificuldades de manter a saúde financeira do clube.

Não custa lembrar que, neste ano, o clube não gastou nenhum centavo em suas contratações, todas por empréstimo do investidor (Leandro Damião e Lucas Lima) ou do próprio jogador (Rildo, Souza e Bruno Uvini).

A diretoria também nada gastou para trazer Renato e Victor Ferraz, pois ambos rescindiram os contratos com seus respectivos clubes por motivos diversos.

Em 2014, a diretoria ainda antecipou as cotas de televisão de 2015, o que causará um rombo ainda maior para a próxima gestão que assumir, a qual deverá levantar a bandeira do "cortar gastos" nesta eleição.

Sem dinheiro e com uma política de corte de gastos, dificilmente poderemos esperar um time competitivo em 2015, mais um ano que promete ser de um time coadjuvante.

O outro 1/3 da renda alvinegra é composta pelas Cotas de Televisão pagas pela Rede Globo.

Cotas das quais, como já dito, o clube já antecipou até a de 2015.

Por isso não vemos dirigentes santistas reclamando da falta de exposição do clube na Globo, principalmente na rede aberta de televisão, onde os jogos do Santos quase nunca são transmitidos.

Esse "rabo preso" com a Globo mostra-se extremamente prejudicial ao clube, o que, aliado à inexistência de uma liga de clubes (com a implosão do clube dos 13 por Andrés Sanchez), poderá futuramente levar o clube ao segundo escalão do futebol brasileiro, ou mesmo ao ostracismo.

Sem patrocinador-master e com as cotas de televisão completamente comprometidas, onde arranjar dinheiro?

Na venda de bons jogadores...

Querendo ou não, é o que a torcida santista deve esperar ver em breve.

Sem receita operacional, a tendência do clube é a venda de bons jogadores para fazer caixa, como Thiago Ribeiro, Eugenio Mena e Arouca.

O que forma um ciclo vicioso.

Porque, sem bons jogadores, o Santos não forma bons times.

Sem bons times, os patrocionadores somem.

E a atenção da mídia também...

Neymar levou o Santos a ser internacionalmente lembrado de 2010 a 2013.

Lembrança que a atual diretoria conseguiu destruir, com a maior humilhação internacional da história do clube, nos 8 x 0 aplicados pelo Barcelona no ano passado.

Agora é tempo de se reerguer, se reconstruir e pensar em novas ideias.

Um bom exemplo para começar? O Cruzeiro.

Atualmente o melhor time do Brasil, sempre contratando jogadores bons e baratos, campeão brasileiro de 2013 e candidatíssimo ao mesmo título em 2014.

Algo precisa ser feito.

Um clube da grandeza do Santos não pode ser deixado para trás.

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