Santos 0 x 1 Corinthians - da festa à tragédia

Santos 0 x 1 Corinthians - da festa à tragédia

Tudo era motivo de de festa na Vila Belmiro.

Estádio lotado, volta de Robinho, invencibilidade na Vila, esperança de uma nova goleada...

E o Santos em campo correspondia.

Robinho, que acaba de voltar de férias, jogava melhor do que todos os outros santistas em meio de temporada.

Durante a maior parte do primeiro tempo, o Peixe esmagou o time de Lula em seu campo de defesa.

Mas aí começou um verdadeiro festival de desperdício de gols.

Robinho erra o chute.

Thiago Ribeiro manda nas nuvens.

Assim como Lucas Lima.

Damião não acerta a bola.

Cicinho chuta torto.

Mas o time chegava, imprensava o Corinthians que, acuado, apenas se defendia, com raros momentos de lucidez em contra-ataques.

Até que um lance mudou tudo.

Um lance...

Aos 46 minutos do primeiro tempo, o bom volante santista Alison cometeu o maior erro de sua carreira: ser expulso de forma absolutamente infantil e desnecessária após tocar Elias por trás, parando um contra-ataque.

Com a expulsão de Alison, que deixou o campo chorando (certamento por prever as consequências do que havia feito - além de não jogar a próxima partida contra o Cruzeiro, assim como David Braz), me preparei emocionalmente para o segundo tempo, pois uma vitória naquelas condições não seria fácil, e uma derrota seria trágica...

Mas se a vida gosta de superação, também adora uma tragédia.

Na parada para o segundo tempo, Oswaldo de Oliveira aproveitou para reorganizar taticamente a equipe, que agora passava a se defender com 8 jogadores, e a atacar com apenas 2, em um esquema com Lucas Lima como responsável pela ligação direta para Robinho lá na frente.

E, apostando no contra-ataque, por incrível que pareça, o Santos voltou bem para o segundo tempo, empurrado pelos 12.329 torcedores pagantes (SÓ!!???) presentes na Vila Belmiro.

Logo no começo do segundo tempo, Robinho roubou a bola de um desatento defensor corintiano e teve a bola do jogo, a grande chance para matar a partida, mas, de perna esquerda, não acertou o alvo.

Mesmo com 1 menos, o time do Peixe era valente, e levava bastante perigo nos contra-ataques, com Robinho, Lucas Lima e Thiago Ribeiro.

Leandro Damião, como sempre, mais atrapalhava que ajudava (o que me faz sonhar com o ataque formado por Lucas Lima - Thiago Ribeiro - Robinho e Gabriel).

O Corinthians com o tempo começou a assustar, principalmente após a entrada do bom lateral-direito Ferrugem, ex-Ponte Preta, um dos expressamente negligenciados pela comissão técnica santista em abril deste ano (assim como Petros, ex-Penapolense), quando, ao término do Campeonato Paulista, Zinho chegou a declarar que: "dentro do que vimos no campeonato todo, não vimos nenhum jogador acima dos nossos (...) não vi nenhum atleta que possa tomar o lugar de alguém do elenco. Para vir hoje, tem que ser top. De promessas já tenho muitas aqui".

Ferrugem barbarizava pelo lado direito da defesa santista, cruzando uma bola para o cabeceio de um atacante corintiano que resultaria em um verdadeiro milagre de Aranha, em uma defesaça a um cabeceio fortíssimo à queima-roupa.

Momentos depois, o mesmo Ferrugem arriscaria potente e certeiro chute de longa distância, que Aranha iria buscar praticamente no ângulo, mandando a bola para escanteio.

Na sequência, os milagres cessariam.

38 do segundo tempo, escanteio para o Corinthians, sobe o grandalhão Gil por cima de toda a zaga santista e cabeceia de forma certeira para o fundo das redes santistas (Aranha chegou até a tocar na bola).

"A bola pune..."

"Quem não faz, toma..."

Nunca os ditados do futebol fizeram tanto sentido.

Sem pernas para reagir, Oswaldo de Oliveira ainda tentou a entrada de Rildo e Geuvânio, que pouco ou nada acrescentaram à equipe nos minutos finais.

Robinho, cansado, havia saído antes do gol corintiano, mas ainda permanecia invicto contra o Corinthians enquanto esteve em campo.

E veio o nada esperado apito final.

A alegria pela volta de Robinho virava tristeza.

O sonho do título ficava cada vez mais distante, agora a 10 pontos do líder Cruzeiro.

Até a Libertadores, tão próxima, fugia pelos dedos.

Não há como não dizer: o Corinthians estragou a festa santista.

Em um dia, em um lance, fomos do céu ao inferno.

Assim como Pompeia.

Da festa à tragédia...