São Paulo 2 x 1 Santos - a vingança de Ganso

São Paulo 2 x 1 Santos - a vingança de Ganso

Depois de perder ou empatar todos os jogos disputados contra o Santos, seu ex-clube, Paulo Henrique Ganso finalmente conseguiu sua vingança particular.

O São Paulo jogava melhor quando, após cobrança de lateral, a defesa santista entraria em pane e a bola sobraria nos pés de Ganso, para comer o prato frio da vingança, desferindo um belo chute para abrir o placar no Morumbi.

Após abrir o placar, o time paulistano se fechou, ao melhor estilo Muricy Ramalho, buscando apenas contra-ataques.

Que vieram, perigosos, e pararam milagrosamente nas mãos do milagreiro goleiro Aranha (o que foi aquela defesa cara-a-cara contra Alexandre Pato!).

O Santos, por outro lado, não conseguia criar nenhuma jogada de perigo.

Tanto que terminou o primeiro tempo sem nenhum lance de perigo, com exceção de poucas bolas paradas ao encontro do cabeceio de Edu Dracena.

Leandro Damião não ajudava: parado lá na frente, tornava lento o ataque santista que, contra os velozes são-paulinos, precisava tocar a bola em velocidade para chegar ao gol.

Com a defesa totalmente aberta, o São Paulo chegava facilmente ao gol santista, com o bom meio de campo formado por Souza, Ganso, Kaká, Alexandre Pato e Alan Kardec.

Por verdadeiro milagre, o Santos não saiu de campo no primeiro tempo levando 3 x 0.

Decepcionado com o time e notando que com Leandro Damião em campo o Santos não teria nenhuma chance de vencer o clássico, Oswaldo de Oliveira mudou, trocando Damião pelo veloz Rildo.

Com isso, o Santos começou o segundo tempo avassalador, imprensando um acuado São Paulo, que buscava, à lá Muricy, os contra-ataques.

O time melhorou, e o gol de empate parecia questão de tempo.

Mas o time voltava a esbarrar em um velho problema: as tortas finalizações.

Sem saber finalizar, os gols não saíam de jeito nenhum.

Mesmo dos pés de Gabriel que, mesmo atuando de centroavante, não acertava o gol.

A criatividade no meio de campo inexistia, Lucas Lima jogava muito mal, Rildo corria de mais e pensava de menos, e Thiago Ribeiro voltava a ser um jogador comum.

A defesa santista, que naquela altura sofria constantes e perigosos contra-ataques, tornou-se mais fragilizada ainda com a entrada do péssimo Souza, volante ex-Cruzeiro que quase entregou ao São Paulo 2 gols, e tornou lentíssima a transição entre defesa e ataque.

Oswaldo colocou Rildo e logo depois Souza para apostar na bola parada no final do jogo, mas Souza é tão ruim que, por causa dele, quase tomamos 2 gols de bola rolando...

Mas, quando tudo parecia perdido, a aposta em Rildo deu certo.

Aos 38 minutos do segundo tempo, Rildo dobra os joelhos para não sofrer o contato do lateral Álvaro Pereira, simula um pênalti, e o juiz cai na dele.

Rildo fazia o que sabe fazer melhor: correr e sofrer faltas.

Gabriel, então, pegaria a bola para se vingar de seu desafeto Rogério Ceni, com quem se desentende, discute e briga em todos os clássicos.

E veio o empate.

E veio o alívio.

E o castigo para o São Paulo de Muricy Ramalho, que a essa altura do jogo apenas defendia, esperando garantir o medroso 1 x 0.

Gabriel, na comemoração, mandaria a torcida do são-paulo se calar, algo muito justo considerando que o menino deve ter sido xingado o jogo todo até os 40 do segundo tempo, mas também tirou a camisa, atitude bastante infantil que lhe custará a presença no próximo jogo do Santos, fora de casa, contra o ressurgente Botafogo.

Apenas 2 minutos após o gol santista, o São Paulo envolveria facilmente a defesa do Santos em uma perigosa troca de passes na frente da grande área, e a bola cairia nos pés (novamente) de Ganso que, observando a falha de posicionamento de David Braz, lançou Alexandre Pato, o qual em perfeitas condições chutou para a defesa de Aranha, não cortada pelos zagueiros alvinegros no rebote.

Final de jogo: São Paulo 2 x 1.

Uma derrota dolorida e um verdadeiro castigo ao torcedor santista.

Que até agora não viu o Peixe vencer nem sequer empatar com um clube grande fora de casa (derrotas para Internacional, Fluminense, Cruzeiro e agora São Paulo).

Na entrevista coletiva logo após o jogo, o técnico Oswaldo de Oliveira resumiu bem a atuação da equipe:

"Sinceramente, não estou preocupado com espírito, garra, mas sim com qualidade. Queria ter dois Robinhos, um Kaká, um Ganso, um Pato... Espírito todos eles têm, trabalham bem, são excelentes profissionais, fazem tudo o que mandamos, mas muitas vezes não conseguimos vencer. E não é por questão de espírito. Contra esses adversários, criamos oportunidades, mas por causa do nível deles não conseguimos vencer. Contra outros times (mais fracos) fazemos gol e não levamos. Não acho que seja uma coisa que tenhamos que corrigir, é por causa do peso dos adversários".

É Oswaldo... faltam bons jogadores.

Do atual time titular, apenas Aranha, Edu Dracena, Cicinho, Arouca, Robinho e Gabriel são incontestáveis.

A outra metade do time, formada por David Braz, Eugenio Mena, Alison, Lucas Lima, Thiago Ribeiro e Leandro Damião começa a se tornar cada vez mais dispensável.

Alguns, como Alison e Lucas Lima, certamente dariam bons reservas.

Mas os demais...

E assim, a 8 pontos do Corinthians, último clube no G-4, o Santos para de olhar para cima.

E passa a se preocupar com a parte de baixo da tabela.

Porque, a 7 pontos do Criciúma, primeiro clube no Z-4, o Santos está hoje mais próximo do rebaixamento do que da Libertadores...