A crise invisível do Santos Futebol Clube

A crise invisível do Santos Futebol Clube


A foto acima foi escolhida justamente para chocar o torcedor santista e alertá-lo para a realidade do clube.

O 8 x 0 sofrido para o Barcelona, a maior humilhação internacional da história do Santos Futebol Clube, aconteceu em agosto de 2013, há pouco mais de 1 ano, e parece que até agora nossos dirigentes não aprenderam nenhuma lição.

O Santos está quebrando financeiramente e passa por uma das mais graves crises de sua história.

Fato absolutamente inacreditável para um clube que em 2013 possuía Neymar, um dos principais jogadores do futebol mundial e o maior astro da atual Seleção Brasileira.

Como o Santos chegou a este ponto?

Hoje posso falar abertamente, pois os fatos são claros e recorrentes na imprensa: a péssima gestão de Odílio Rodrigues está aos poucos levando o clube à falência.

Tudo começou em janeiro de 2014, com a pior contratação da história do futebol brasileiro: Leandro Damião.

Não pelo jogador, mas sim pelo modo como a negociação foi conduzida, e seus valores irreais.

Jogador que hoje já custa ao clube cerca de R$ 46 milhões, considerando os juros corrigidos de 2014, e poderá custar, ao final de seu contrato, em 2018, R$ 60 milhões (sessenta milhões de reais).

Em março de 2014, a diretoria anunciou a antecipação das cotas de televisão de 2015, no valor de R$ 53 milhões, com o discurso do "mundo real" (usado também para demitir Oswaldo de Oliveira e trazer Enderson Moreira), comprometendo inteiramente a gestão de quem assumir o clube no próximo ano.

Em abril de 2014, começam a pipocar na imprensa notícias de constantes atrasos no pagamento da maior parte do salário dos atletas, o chamado "direito de imagem".

No mês de maio, surgem novas notícias de atrasos no pagamento dos direitos de alguns jogadores, como Cícero, meia que deixaria o clube, não por coincidência, um mês depois - apesar de na época ser o destaque do time.

Em junho, o novo gerente da base santista, Hugo D'Elia Machado, determina o corte de 101 meninos das categorias da base, que agora passaria por um processo de "readaptação" e "enxugamento" (de jogadores), economizando ao clube R$ 112 mil mensais com a alimentação dos atletas mirins.

Logo em seguida, já em agosto de 2014, o clube atrasa o salário de funcionários de vários departamentos do clube, valores os quais serão pagos somente agora (15 de setembro), graças à venda do lateral Bruno Peres ao Torino, da Itália, por R$ 4,2 milhões (ontem o clube recebeu R$ 2,9 milhões do total).

Como se não bastasse, neste mês de setembro, na vitória diante do Coritiba na Vila Belmiro, anunciou-se que o tradicional "show das dançarinas" realizado durante o intervalo dos jogos no estádio não será mais realizado, visando a "contenção de despesas".

Há 2 anos sem patrocínio-master, fechando o primeiro semestre de 2014 com um déficit de R$ 7 milhões, e sem conquistar nenhum título desde a saída de Neymar, o Santos encontra-se à beira da bancarrota.

A atual diretoria administra muito mal o clube.

E não sou eu quem diz isso: são os fatos.

Fatos comprovados por todas as notícias linkadas em azul neste post.

Observemos que a atual diretoria não gastou nenhum centavo em contratações em 2014 (um mal sinal, diga-se de passagem), fez dois dos piores negócios da história do clube (a péssima venda de Neymar e a igualmente horripilante caríssima contratação de Leandro Damião), efetuou uma troca inesperada de técnico no meio de um campeonato, logo quando havíamos praticamente acabado de garantir vaga na próxima fase da Copa do Brasil (quando nosso real problema são jogadores), e segue com péssimas decisões nas finanças e principalmente no futebol.

O alvinegro da Vila Belmiro segue no meio da tabela do Campeonato Brasileiro, passando por uma grave crise financeira que parece ser ignorada por todos, e pior: sem esperanças para o futuro próximo.

Lembrando ainda que os atuais R$ 46 milhões que o Santos precisa pagar à Doyen Sports por Leandro Damião ainda não caíram na conta.

Se o clube continuar sendo mal administrado, poderá, em breve, se encontrar à beira da falência.

Assim como o Glasgow Rangers, um dos dois clubes mais tradicionais da Escócia, faliu em 2012, terminando aquele ano humilhado, rebaixado para a 4ª divisão escocesa... (em 2015 finalmente disputarão a segunda divisão).

A maneira como o Santos é hoje administrado se aproxima bastante do modelo adotado por Palmeiras, Vasco e Botafogo, clubes atualmente com dívidas altíssimas, contabilizando péssimas contratações, anos terríveis sem títulos, um futebol digno de pena e sucessivos rebaixamentos.

Como se não bastasse, o atacante Gabriel, de apenas 17 anos, maior promessa hoje do futebol brasileiro, jogava bem contra o Coritiba quando foi substituído pelo técnico Enderson Moreira, que o pretere em favor do intocável Leandro Damiãoe saiu de campo com cara de poucos amigos, dando sinais de que o treinador esteja perdendo o controle da situação.

Aliás, a titularidade de Leandro Damião, o preterimento de Gabriel, a vinda de Robinho e até a contratação do técnico Enderson Moreira giram exclusivamente em torno de um único objetivo: salvar o futebol do camisa 9.

E, consequentemente, os cofres do clube.

A renovação de Gabriel, que tem contrato com o Peixe até agosto de 2015, era para ser algo fácil, simples, e se arrastou até ontem, quando, segundo o Lance!Net, o garoto de 17 anos finalmente renovou com o clube, por 5 anos.

Mesmo assim, um cenário catastrófico surge no horizonte santista.

No dia 18 de fevereiro deste ano, eu havia alertado à torcida santista da possibilidade de, um dia, o Santos se ver na necessidade de vender Gabigol para pagar por Leandro Damião.

Algo que soava absurdo na época, mas que a cada dia parece mais real.

Não é por acaso que a diretoria santista, no mês de agosto, já admitiu a possibilidade negociar o atacante Gabriel por 13 milhões de euros, algo em torno de R$ 39,2 milhões, valor bastante próximo da dívida inicial por Damião (R$ 42 milhões).

As péssimas escolhas administrativas da atual diretoria estão quebrando o clube, formando aquele famoso círculo vicioso: sem dinheiro --> sem bons jogadores --> sem títulos.

Sem falar que, se os valores das cotas de televisão de Flamengo e Corinthians não forem renegociados com a Rede Globo, com a participação dos demais clubes, em cerca de 10 anos veremos esses dois clubes tomarem conta do cenário nacional e sepultarem, de vez, a graça do tradicional futebol brasileiro.

Desculpem o desabafo, mas realmente não consigo me animar com as duas vitórias magras frente a adversários fracos como Vitória e Coritiba, último e antepenúltimo colocados no Campeonato Brasileiro, respectivamente.

Nem com a perspectiva de mais um ano sem títulos, no limbo do futebol brasileiro.

Esse, meus amigos, é o nosso atual Santos Futebol Clube.

Detentor de um passado fantástico, um presente desanimador e um futuro assustador.

Mas, como torcedores, continuaremos a torcer e a amar este clube, do princípio à eternidade.

Nascer, viver e no Santos morrer, é um orgulho que nem todos podem ter...