Enderson Moreira: resultados acima de tudo

Enderson Moreira no Santos

Toda a filosofia de trabalho acaba de mudar radicalmente na Vila Belmiro.

Esqueçam o DNA ofensivo.

Esqueçam as grandes goleadas do primeiro semestre.

Esqueçam o 4-3-3 (ou 4-2-3-1) insistentemente pedido pelos torcedores na época de Muricy Ramalho, mas criticado quando aplicado por Oswaldo de Oliveira (dá pra entender?).

Esqueçam as constantes oportunidades aos meninos da base no time titular.

A palavra de ordem na Vila Belmiro é "resultados".

Ao melhor estilo Muricy Ramalho.

Queremos resultados, não importando o futebol apresentado.

Bom, pelo menos é o que demonstra o discurso de Odílio Rodrigues ao apresentar o novo técnico Enderson Moreira.

Ao ser questionado por um jornalista na coletiva sobre o por que da mudança de filosofia (ou falta dela) no clube, o presidente Odílio Rodrigues recorreu à tese do "mundo ideal e real":

"Eu acho que tem duas coisas que devem ser distinguidas. Mundo ideal e real. Mundo ideal é trazer um profissional, assinar por longo período e sabemos que o trabalho a longo prazo dá títulos. O mundo real é o do jornal que você escreve, a emissora que você trabalha, a cobrança por resultados. A gente pegou 18 jogos do Brasileiro perdemos sete, ganhamos seis. Resultados que incomodam o torcedor, aumentam pressão, aumentam a cobrança. A diretoria tem duas atitudes. Esperar ou tomar uma providencia. Você toma a providencia e é cobrado pela mudança. Mas se espera e acontece algo, vai ser cobrado por não mudar. É muito difícil. A diretoria não pode pecar por omissão".

Interessante notar que o mesmo discurso foi utilizado pelo presidente para justificar a perigosa antecipação de cotas de televisão do clube do ano de 2015, o que comprometerá o trabalho da próxima gestão que assumir o clube, deixando-a sem dinheiro para pagar salários e contratar jogadores.

Na ocasião, ao rechaçar as manifestações contrárias ao pedido de antecipação de cotas, Odílio recorreu à mesma tese do mundo da "fantasia":

"Isso que eu escutei aqui (manifestações contrárias ao pedido de antecipação) é poesia e fantasia. E fantasia não mantém clube de pé. O que mantém clube de pé é campeonato. Os erros que essa administração cometeu ela assume e tem coragem de corrigir".

E assim, voltando à estaca zero, ao "mundo real", do futebol feio e de resultados, o Santos desperdiça todo um trabalho e recomeça com uma nova filosofia, que me desagrada profundamente, e talvez ao torcedor santista.

O novo técnico Enderson Moreira ressaltou a nova velha filosofia dos resultados:

"Eu sei como a coisa funciona: projeto tem que acontecer paralelamente a resultados. No Brasil tem de ser assim. Não é o ideal. Para poder dar padrão de jogo é preciso tempo. Quem consegue fazer isso, faz através do tempo, mas com resultados. Não estou vindo aqui com aquela ilusão de que vou longe. Tenho de chegar em 2015 com grandes resultados".

Filosofia de resultados que não combina com um técnico que, precisando do resultado (vitória) contra o Santos na última rodada do Brasileiro de 2013, para levar o Goiás à Libertadores, perdeu em casa por 3 x 0 para o time de Claudinei Oliveira.

Técnico que emplacou quatro resultados por 0 x 0 seguidos no Brasileiro deste ano, pelo Grêmio (dois deles em casa), empatando 5 jogos por este resultado no total de 12 disputados com o clube gaúcho.

Ontem, Enderson Moreira comandou seu primeiro treino no Santos.

Primeiro, ao chegar no gramado do CT Rei Pelé, conversou com o auxiliar Marcelo Fernandes, para coletar informações sobre o grupo alvinegro, enquanto os atletas de aqueciam.

Após 15 minutos, Enderson foi ao centro do gramado, onde reuniu todos os jogadores e falou por 15 minutos, gesticulando bastante, e proferindo orientações sobre o treinamento técnico que viria a seguir.

Em seguida, o novo técnico santista dividiu o elenco em 3 grupos e comandou um trabalho de troca de passes rápidos, em espaço reduzido.

No primeiro momento, o objetivo era apenas manter a posse de bola.

Depois, 4 gols foram instalados no campo, sendo que cada time poderia atacar em dois, sem divisão entre titulares e reservas, ocasião na qual o novo comandante exigiu bastante, deu gritos de incentivo e elogiou quando os lances saíam da forma que gostaria.

Ao término da atividade, Enderson ainda conversou com Edu Dracena e Arouca, os líderes do elenco, por cerca de 15 minutos.

Amanhã o treinador comandará seu segundo treino do Santos Futebol Clube, quando já deverá esboçar o time que enfrentará o Vitória, sábado, no Pacaembu.


UMA PALAVRA SOBRE OS "RESULTADOS"

Odílio justifica a demissão de Oswaldo de Oliveira pela falta de resultados, pelo 11º lugar do Santos na tabela do Campeonato Brasileiro, e pelas 4 derrotas nos últimos 5 jogos.

Mas alto lá, por acaso algum membro do invisível Comitê Gestor levantou a bunda da cadeira para olhar para a tabela do campeonato?

Afinal, parece que ninguém notou que o primeiro turno do Santos era muito mais difícil de ser disputado que o segundo turno.

Por que falo isso?

Basta ver que o Santos, no primeiro turno, jogou fora de casa contra os times mais bem colocados do Campeonato, e por isso as derrotas contra Cruzeiro, Fluminense, Internacional e São Paulo (a derrota para o Botafogo foi um caso à parte).

Atuando fora de casa, o time de Oswaldo de Oliveira fez a sua parte, vencendo os clubes fracos (Bahia e Figueirense) e empatando com os médios (Goiás e Coritiba).

Atuando na Vila Belmiro, foram 4 vitórias (Palmeiras, Atlético Paranaense, Criciúma e Chapecoense), 3 empates (Grêmio, Flamengo e Sport) e apenas 1 derrota (contra o Corinthians, após a expulsão de Alison), com 10 gols marcados e apenas 2 sofridos em 8 jogos.

Com isso, foram conquistados 23 pontos.

Mas alguém duvida que, com Oswaldo de Oliveira, o Santos não venceria nas três próximas rodadas do Campeonato Brasileiro?

Jogaremos em seguida no Pacaembu contra o Vitória (último colocado), depois Sport fora de casa e Coritiba (18º colocado) na Vila Belmiro.

São esperadas 3 vitórias e 9 pontos, que colocarão o Santos de volta ao rumo da Libertadores da América.

Mas agora não mais com Oswaldo de Oliveira, mas sim com Enderson Moreira, que será indevidamente endeusado por este feito.

Além do mais, no segundo turno, o Santos jogará em casa contra os melhores colocados clubes do campeonato (Cruzeiro, Internacional, Fluminense e São Paulo) e nossa chance de vencê-los na Vila Belmiro e nos recuperarmos das derrotas fora de casa é evidente.

Os dirigentes que demitiram Oswaldo de Oliveira são burros, simplesmente não olharam a tabela, e o demitiram injustamente.

Afinal, não foi à toa que o novo técnico do Santos elogiou o trabalho de Oswaldo de Oliveira quando disse que viu "poucas equipes neste Campeonato Brasileiro enfrentarem o Cruzeiro com tanta possibilidade de vencê-lo, criando situações de gol".

Vamos aguardar.