Botafogo 2 x 3 Santos - gols, ousadia e alegria

Santos e Robinho

No duelo de alvinegros, o alvinegro praiano se deu melhor sobre o alvinegro carioca.

A vitória por 3 x 2 coloca o Peixe em uma posição bastante favorável para o jogo da volta, no dia 16 de outubro, as 20:30, na Vila Belmiro.

Porque, em casa, jogará pelo empate para avançar na Copa do Brasil, garantindo a vaga até mesmo se perder pelos placares de 1 x 0 ou 2 x 1 (3 x 2 geraria pênaltis e 4 x 3 em diante a improvável classificação do Botafogo).

A expulsão merecida e infantil de Robinho não fará tanta diferença, já que o jogador estará convocado para defender a Seleção Brasileira no período que cobre o jogo da volta.

É verdade que a diretoria santista estava armando um esquema "à la Neymar", para que o camisa 11 voltasse de avião para o Brasil um dia depois de disputar um jogo pela Seleção Brasileira, como Neymar fez um dia.

Mas Robinho, com 30 anos, não é Neymar, na época com 21.

O desgaste físico provocado por uma longa viagem de avião e pela distorção do fuso horário poderia aumentar as chances de lesão do atleta, ou mesmo reduzir as possibilidades de uma grande atuação.

Mas o fato é que o experiente Robinho precisa parar com algumas atitudes irritantes.

Reclamar acintosamente e aos gritos durante todo o jogo de qualquer jogada duvidosa virou rotina para o camisa 11.

Bem como simular lances de falta.

Essas são atitudes de jogadores que não sabem jogar futebol, e precisam dos gritos para se impor.

Robinho não precisa disso.

Ele tem futebol suficiente para calar torcidas, juízes e jogadores sem precisar reclamar tanto, ou simular tanto.

Por isso, sua expulsão ontem não foi surpresa para mim, era algo esperado, algo que "uma hora iria fatalmente acontecer".

Aconteceu.

Por sorte não no pior momento possível, já que o Santos sem Robinho ainda terá totais condições de vencer novamente o Botafogo na Vila Belmiro e garantir seu lugar nas quartas-de-final da Copa do Brasil contra, provavelmente, o Cruzeiro, que ontem venceu o ABC por 1 x 0 em Minas Gerais.

Mas voltando ao jogo, quero em primeiro lugar destacar o belo jogo de futebol presenciado ontem.

Que jogão!

Digno da história centenária de Santos e Botafogo.

Um jogo aberto, corrido, movimentado, lá e cá, sem tantas preocupações defensivas, muita ação ofensiva, muitas finalizações e, claro, muita emoção.

Depois da boa atuação contra o Goiás no Pacaembu, o time de Enderson Moreira novamente atuou com propriedade, pressionando a saída de bola, aproximando os setores, encurtando os espaços e saindo com extrema velocidade para contra ataques mortais (ou quase).

E foi justamente ao pressionar a saída de bola botafoguense que saiu o primeiro gol do Santos, aos 24 minutos do primeiro tempo, após Robinho malandramente roubar a bola dos pés do volante Gabriel, após saída muito mal feita pelo goleiro Jefferson - titular da Seleção Brasileira, passá-la para Leandro Damião, que em seguida devolveria a redonda para Robinho, com precisão, tirar do goleiro e abrir o placar no Maracanã: Santos 1 x 0.

Mas não deu tempo nem de comemorar.

No minuto seguinte, em uma jogada de ataque, o mesmo volante Gabriel, que acabara de entregar o gol para Robinho, perceberia o goleiro Vladimir adiantado, e chutaria com categoria e precisão para marcar um golaço, encobrindo o goleiro santista e empatando a partida.

A alegria carioca não duraria muito, pois exatamente 4 minutos depois, o endiabrado Robinho, após boa triangulação com Arouca, Leandro Damião e Cicinho, sairia novamente na cara do gol e chutaria colocado para ampliar o marcador, fazendo Santos 2 x 1.

Aos 43 minutos do primeiro tempo, quando o jogo começava a ficar mais "morno", quando o Santos controlava a bola em seu campo de defesa, tocando-a pacientemente - assustado logo após sofrer outro gol do Botafogo, por sorte em impedimento -, o atacante Geuvânio dominou a bola no meio de campo e partiu com ela dominada, cortando a defesa do time carioca, até, de fora da área, desferir um belo chute em direção ao gol de Jefferson, que bateria na trave e entraria para garantira o terceiro gol de Geuvânio em três jogos, fazendo Santos 3 x 1.

Termina assim o primeiro tempo.

Na segunda etapa, ambos os times retornaram a campo com o mesmo ímpeto ofensivo.

O do Santos, e contra atacar.

O do Botafogo, de atacar.

E, depois de vários ataques mal sucedidos, o clube da Estrela Solitária finalmente encontraria uma bola, pela direita, aos 11 minutos do segundo tempo, a qual seria cruzada na área para o gol de Zeballos, em lance de duplo erro na defesa santista: o primeiro, de David Braz, ao se posicionar mal dentro da área e permitir a posição legal do jogador que cruzou a bola, e o segundo, de Cicinho, que não acompanhou o atacante Zeballos, a quem deveria marcar na ocasião.

Mas o Santos de Enderson Moreira era perigosíssimo nos contra ataques.

Mas esbarrava na absoluta falta de mira nas finalizações, perdendo gols inacreditáveis, primeiro com Robinho, que saiu cara-a-cara com Jefferson, depois com Leandro Damião, na mesma situação, mais para o final da partida com o meia Lucas Lima e já nos acréscimos um gol realmente I-N-A-C-R-E-D-I-T-Á-V-E-L, daqueles dignos da afirmação "até minha vó faria", perdido pelo volante Alan Santos.

A pressão do Botafogo não dava trégua ao Peixe no segundo tempo, obrigando o técnico Enderson Moreira a fazer duas necessárias substituições: a primeira, sacando Geuvânio para a entrada de Alan Santos, e a segunda, sacando Leandro Damião para a entrada de Patito Rodríguez.

Por que Alan Santos?

E, principalmente, por que Patito, e não Gabriel?

Por um motivo muito simples: marcação (Patito sabe marcar, Gabriel não).

Enderson Moreira, percebendo o bom resultado, decidiu mantê-lo para o segundo jogo, e por isso colocou mais um volante no lugar de um atacante (Alan Santos), mas ao mesmo tempo apostaria nos rápidos contra ataques de Patito Rodríguez, jogador que também faria uma importante função defensiva pelo lado esquerdo da defesa santista (por onde saiu o segundo gol botafoguense), ataques estes impossibilitados pela lentidão de Damião.

Com o volante Alan Santos e o atacante Patito Rodríguez marcando atrás e saindo com qualidade nos contra ataques, a equipe santista segurou o ímpeto botafoguense, e levou constante perigo nos contragolpes.

No final, o lateral Eugenio Mena ainda sairia, machucado, para a entrada de Caju.

O destaque negativo do jogo fica por conta da brutalidade do volante Airton, do Botafogo, um verdadeiro cavalo, que distribuiu livremente cotoveladas e carrinhos desproporcionais bem debaixo das lentes míopes do árbitro.

No Santos, enxerguei os destaques da partida no volante Arouca, seguro na marcação, roubando muitas bolas no meio de campo e saindo com qualidade no passe, no meia Lucas Lima, armador das principais jogadas ofensivas do time, no atacante Geuvânio, de quem com 3 gols em 3 jogos não se precisa comentar muito, e Robinho, esbanjando técnica e classe nos 2 gols alviengros.

Os destaques negativos ficam por conta dos zagueiros David Braz e Edu Dracena, que erraram demais na saída de bola santista, pelo chão, e do lateral Cicinho, em péssima fase, errando tudo e deixando uma avenida pela lateral direita.

Vladimir não comprometeu, mas também não brilhou com defesas milagrosas, deixando a torcida com saudade do goleiro Aranha.

Eugenio Mena se esforçou bastante, mas sua atuação não foi nada de excepcional, assim como a atuação do volante Alison, bastante participativo na marcação, mas com claras dificuldades com a bola nos pés.

Leandro Damião, por fim, não jogou mal, participou dos dois gols santistas, mas também comprometeu em alguns momentos, ao perder um gol cara-a-cara com o goleiro Jefferson, e tornar o ataque santista "mais lento", sendo por vezes "esquecido" por seus companheiros Lucas Lima, Geuvânio e Robinho.

Alan Santos, Patito Rodríguez e Caju entraram no segundo tempo e cumpriram bem sua função: aprimorar a parte defensiva da equipe e buscar os contra ataques em velocidade.

Com toda essa salada, somada à expulsão de Robinho, o Santos garantiu um excelente resultado no Rio de Janeiro, com uma atuação convincente, e colocando um pé nas quartas de final da Copa do Brasil.

Sem Robinho, mas com Gabriel, temos qualidade e podemos sim vencer novamente o jogo da volta.

Começo, aos poucos, a me render ao bom trabalho do técnico Enderson Moreira, que em pouco tempo de clube começa a dar uma "cara nova" à equipe, mais aguerrida, combativa e ofensiva.

A esperança voltou.

Com ela, a ousadia e a alegria...