Palmeiras 1 x 3 Santos - mandando no Pacaembu

Palmeiras 1 x 3 Santos - mandando no Pacaembu

Eficiente.

Esta é a palavra que resume bem a atuação ontem do time de Enderson Moreira.

Técnico que, desde sua chegada, vem calando todos os críticos do troca-troca com Oswaldo de Oliveira (dentre eles me incluo).

Eficiência, afinal, trata-se de fazer mais com o mínimo de recursos possíveis.

Começando pela eficiente atuação coletiva da equipe.

A qual, defensivamente, garantiu o zero no placar até os 40 minutos do segundo tempo.

E, ofensivamente, obrigou mais de 30 mil testemunhas alviverdes presenciarem 3 sonoros gols alvinegros.

Dois deles, quase em seguida, no primeiro tempo.

O primeiro deles, marcado pelo renascido Geuvânio, aos 39 minutos, que bateu com precisão no gol defendido por Fernando Prass após lançamento primoroso do excelente meia Lucas Lima.

O Palmeiras, atordoado, apenas assistia o time da Vila Belmiro quebrar sua sequência de vitórias.

Tanto que, dois minutos depois, novamente o meia Lucas Lima cobraria esperta e rapidamente uma falta na ponta esquerda, passando a bola para o lateral Eugenio Mena cruzá-la nos pés do ágil e bem posicionado Gabriel, para decretar Santos 2 x 0 ainda no primeiro tempo.

O desespero alviverde viraria tragédia no começo da segunda etapa.

Pois Gabriel, logo aos 3 minutos, faria o terceiro gol santista, eliminando de vez qualquer esperança alviverde na partida, e mostrando quem manda no Pacaembu.

O terceiro gol santista, aliás, merece ser repintado.

Tudo começou em um contra-ataque.

Aranha agarra a bola com firmeza, levanta a cabeça e enxerga o lateral Eugenio Mena correndo no lado esquerdo para recebê-la e passá-la rapidamente para o esperto Robinho, que após dominar a bola com carinho encontraria Geuvânio livre no meio de campo, o qual por sua vez lançaria o ágil, jovem e novamente bem posicionado Gabriel que, cara-a-cara com o goleiro palmeirense, não desperdiçou, fazendo Santos 3 x 0.

Três bons lances de ataque, três gols.

Claro que no final do jogo o excepcional volante Arouca perderia uma ótima oportunidade de, cara-a-cara com Fernando Prass, humilhar mais ainda o rival em sua casa, com um belo 4 x 0, mas falhou na finalização, que nunca foi o seu forte.

Assim como o volante Alison, que em outra oportunidade, em bom lance de ataque, se enrolou com a bola e atrapalhou a jogada.

Claro que Edu Dracena quase entregou um gol no primeiro tempo, salvo às pressas por David Braz.

Claro que Robinho não fez uma de suas melhores exibições, muito por conta do cansaço da longa e inútil viagem com a Seleção Brasileira excursionando pelo mundo, somado ao calor que fazia em São Paulo (que obrigou o juiz a duas paradas técnicas para hidratação).

O camisa 7, aliás, comprometeu o time em diversos momentos, perdendo muitas bolas lá na frente (sendo constantemente desarmado) e desperdiçando diversas boas jogadas de ataque.

Mas Robinho é Robinho, e está perdoado.

Claro que Geuvânio fazia uma péssima partida até marcar seu gol redentor, aos 39 minutos do primeiro tempo, gol que o traria de volta toda a confiança inexistente nos primeiros 38 minutos de jogo.

Claro que Leandro Damião, a joia de R$ 42 milhões inventada por esta diretoria, não esteve satisfeito assistindo a partida do banco de reservas, destronado por um menino de 18 anos.

Mas, de um modo geral, a atuação coletiva da equipe me agradou bastante.

Alguns aspectos precisam ser ressaltados.

Começando pela volta do goleiro Aranha ao time titular.

Que diferença faz o dono da camisa 1!

A segurança ao encaixar chutes fortes, as saídas do gol em cruzamentos e grandes defesas ao longo da partida demonstraram claramente a existência de um verdadeiro abismo técnico entre Aranha e seu reserva imediato, Vladimir.

Edu Dracena e David Braz são absolutamente impecáveis pelo alto, afastando da grande e pequena área qualquer bola que lhes vá de encontro.

Pelo chão, são seguros, mas nem tanto, principalmente Dracena, já com mais idade.

Já com a bola nos pés, Dracena é aceitável e Braz um desastre...

Eugenio Mena teve uma excelente atuação, tanto defensiva quanto ofensiva, participando dos dois últimos gols santistas.

Victor Ferraz, pela direita, foi lá colocado pelo inteligente técnico Enderson Moreira para barrar os constantes avanços do canhoto Valdivia, o qual, apesar de todos os esforços defensivos do alvinegro, saiu de campo aplaudido pela torcida alviverde.

Arouca viveu mais uma grande atuação, com grande consistência defensiva, incansável, e sabendo como desafogar o time na saída de jogo.

Alison ainda é um "aprendiz de Arouca", e ontem me assustou bastante, pois achei que seria expulso logo após tomar o cartão amarelo.

Felizmente, conteve sua exagerada disposição e manteve-se em campo até cansar e sair, dando lugar ao volante Souza.

Lucas Lima teve uma atuação brilhante enquanto suas pernas o permitiram, dando uma assistência para o primeiro gol e iniciando a jogada do segundo.

Geuvânio, Robinho e Gabriel já foram devidamente analisados.

Com a entrada dos volantes Souza e Renato, e do atacante Rildo, Enderson Moreira aumentou a marcação no meio de campo, garantindo a dobra defensiva nas laterais, e possibilitou contra-ataques em velocidade.

Esgotados, os santistas veriam o Palmeiras anotar seu primeiro gol quando tudo já estava perdido para eles, aos 40 do segundo tempo.

(Interessante notar que, no primeiro tempo, o Santos sofria bastante na marcação, e era massacrado ofensivamente pelo alviverde, principalmente porque os meias ofensivos do time (Geuvânio, Lucas Lima e Robinho) não voltavam para marcar, e sem dobrar a marcação nas laterais, o Palmeiras chegava com facilidade, mas esbarrava na baixa qualidade técnica do seu elenco e na boa atuação do goleiro Aranha.  No segundo tempo, Enderson Moreira arrumou isso, e tratou de colocar os meias ofensivos para dobrar a marcação nas laterais, impossibilitando os avanços palmeirenses, e garantindo o bom resultado com mais tranquilidade, apesar do gol sofrido no final).

Apesar da boa vitória como visitante no Pacaembu, São Paulo, Atlético Mineiro e Corinthians também venceram, mantendo a distância de 5 pontos do Peixe para o G-4.

Nas próximas 3 rodadas, 3 jogos decisivos, com grandes possibilidades de vitória para o Peixe: Fluminense na Vila Belmiro, Chapecoense fora e Internacional na Baixada Santista.

Bastam 2 vitórias do Santos e 2 derrotas de nossos rivais e PUF, o Peixe entra no G-4.

A vitória contra o Palmeiras, ao contrariar o prognóstico conservador do blog, aumenta consideravelmente as chances do Santos em conseguir uma vaga para a Libertadores de 2015.

E assim, animado, torcendo por tropeços de nossos rivais, e pela continuidade das boas atuações da equipe bem comandada por Enderson Moreira, encerro este post.

Com a esperança renovada.

E com a certeza de que a sorte finalmente sorriu para o Santos.