Santos Futebol Clube: a esperança para 2018



Além de ser o clube que mais revelou atletas para a Série A em 2014, o Santos é também o clube que mais aproveita suas categorias de base, conforme demonstrou recente estudo publicado pelo Globoesporte.

Dos 38 atletas alvinegros que entraram em campo no Brasileiro nesta temporada, 19 são oriundos de nossas famosas categorias de base, para as quais já se associa até uma marca, a "Meninos da Vila".

Os incríveis 50% de utilização no elenco de garotos da base demonstra um pleno compromisso com a história e tradição do clube, de revelar bons atletas para o futebol.

Para se ter uma ideia, os segundos (Atlético/PR - 39%) e terceiros colocados (Goiás - 37%) não passam nem perto do Santos no quesito utilização dos meninos da base.

A média de utilização da base do Campeonato Brasileiro, então, é quase a metade do Santos (26%), algo preocupante, eis que o número de 40% de meninos formados nos próprios clubes é o padrão estabelecido por gestores como o ideal.

O exemplo mais claro disso é o jogador Neymar.

Não fosse pelo Santos, o Brasil teria disputado sua última Copa do Mundo sem nenhum craque de nível TOP.

Outro exemplo cristalino da importância do alvinegro praiano para o futebol brasileiro são as recentes convocações de Dunga, que chamou para a Seleção alguns jogadores jovens formados pelo Santos, os quais ele entende como o futuro da Seleção, como o goleiro Rafael (Napoli), os laterais Danilo (Porto) e Alex Sandro (Porto), Neymar (Barcelona) e até mesmo Robinho (Santos).

Da safra atual de meninos, Gabriel, de apenas 18 anos, já com presenças constantes como titular na Seleção Brasileira Sub-20, mostra-se o mais preparado de uma nova geração para assumir o posto de um grande craque a nível internacional.

O jovem atacante Geuvânio, de 22 anos, também voltou a se destacar, e se continuar subindo de produção, poderá ir longe.

O zagueiro Gustavo Henrique, hoje com 21 anos, é também uma grande promessa santista para o futuro da Seleção Brasileira.

Bem como os laterais Zeca e Caju, os quais já provaram saber jogar futebol melhor do que muitos dos laterais titulares de diversos clubes da série A.

O volante Alison, da mesma forma, está sendo planejado para se tornar "o novo Arouca", pois já é um dos melhores marcadores e roubadores de bola no país.

A presença de vários meninos da base no time titular não é novidade no Santos, mas sim uma tradição, iniciada no ano de 1955, de acordo com o eterno santista Pepe, segundo o qual "a partir de 1955 a diretoria que entrou resolveu dar mais força aos jovens. Aos jogadores formados na equipe de base".

Assim, desde aquele ano surgem consecutivas novas gerações vitoriosas de Meninos da Vila.

Na década de 60, surgiram na base Pelé, Coutinho, Pepe, Edu, Clodoaldo, dentre outros.

Na década de 70, seria a vez da segunda geração de Meninos dar as caras, com Juary, João Paulo, Ailton Lira, Clodoaldo, etc.

Em 2002, a conhecida geração de Alex, André Luís, Paulo Almeida, Diego e Robinho.

A quarta geração veio em 2010, com aquele fantástico time de Rafael, Wesley, Ganso, Neymar, Robinho e André, todos formados nas canteiras alvinegras.

Hoje, estamos vivenciando a quinta geração de Meninos da Vila, com Gustavo Henrique, Jubal, Zeca, Caju, Daniel Guedes, Alison, Alan Santos, Leandrinho, Geuvânio e Gabriel Barbosa (Gabigol).

O grande número de atletas formados da base no elenco principal do Peixe também decorre da contratação de técnicos com o perfil de trabalhar com jovens promessas.

Com esse foco, buscou-se no início do ano a contratação de Oswaldo de Oliveira, um técnico que, apesar dos defeitos, tinha coragem para colocar os meninos para jogar no time titular.

Assim como o atual técnico Enderson Moreira, que recentemente promoveu o jovem Caju ao time titular, para cobrir a vaga momentaneamente deixada pelo lateral Eugenio Mena, e recuperou o futebol de Geuvânio, o qual anotou 3 gols nos últimos 3 jogos.

Claro que existe o outro lado da moeda.

A opção por meninos da base ao invés de grandes contratações ocorre também por razões puramente financeiras.

Em outras palavras, como o Santos não tem dinheiro para contratar, a solução encontrada - como sempre - é apostar nos meninos da base.

E, em uma análise geral, o alvinegro praiano tem se saído bem com seus meninos.

Vice-campeão do Campeonato Paulista, praticamente na semifinal da Copa do Brasil e em 8º lugar no Campeonato Brasileiro, o Santos vai bem, até agora, em todas as competições que disputa, mas ainda sem aquele "algo a mais", que faz um clube ganhar competições.

Afinal, um bom time ganha jogos, mas um bom elenco ganha campeonatos.

E só com meninos é impossível formar um elenco qualificado, a não ser que todos estes meninos sejam excepcionais no trato com a bola, o que não é o caso.

Sem boas contratações, perdemos qualidade, rodagem e experiência, elementos fundamentais para que os novos meninos da Vila amadureçam e entrem no time titular com mais segurança.

Mas, em termos de categorias de base, o Santos é o exemplo para o Brasil, superando até a famosa porém pouco prestigiada categoria de base do São Paulo.

Formando jovens talentos, o Santos apresenta-se hoje como o futuro da Seleção Brasileira.

Para resgatar os brasileiros do maior vexame internacional da história da seleção canarinho...