Fatiando o patrimônio: Alison e Lucas Lima

Alison e Lucas Lima


A diretoria do Santos, com imensa dificuldade financeira para pagar os salários dos jogadores (atrasados em 2 meses segundo o UOL e em 15 dias segundo o presidente Odílio Rodrigues), está adotando medidas emergenciais, que vão desde a venda de mando de jogos até a venda de porcentagens dos direitos econômicos dos jogadores.

E depois não me venham colocar a culpa nos empresários, a quem os dirigentes agora recorrem para salvar financeiramente o clube, mas que um dia "forçarão" a venda dos jogadores frutos do investimento, visando lucro.

A venda de mando de jogos pode ter sido uma boa saída financeira para o clube, mas futebolisticamente (o que realmente importa) foi um desastre.

Atuando na Arena Pantanal, perdemos para Atlético Mineiro e São Paulo, jogando o Santos como mandante.

Por cada partida vendida na Arena, a diretoria alvinegra arrecadou R$ 1 milhão livres para os cofres do clube.

Há poucos dias, colocou-se em votação no Conselho Deliberativo do Clube uma proposta orçamentária prevendo a arrecadação de R$ 47 milhões com a venda de jogadores em 2015.

Mas quais destes têm real valor de mercado?

Arouca? Lucas Lima? Geuvânio? Gabriel?

Aranha e Edu Dracena estão em fim de carreira.

Alguém compraria o zagueiro David Braz? Talvez...

Thiago Ribeiro poderia ser vendido, bem como os laterais Cicinho e Eugenio Mena.

E Damião?

Ah, Damião...

Este precisa recuperar seu futebol urgentemente, e deslanchar de vez com a camisa do clube.

Pois, se permanecer no banco de reservas e no ostracismo, o clube verá todo dia R$ 46 milhões (atualizados) sentados no banco de reservas (valor que só sobe, até chegar ao teto de R$ 60 milhões...).

Buscando dinheiro, a diretoria santista já começou a fatiar o patrimônio do clube, nossos jogadores.

E o primeiro escolhido foi o volante Alison, o qual o clube acaba de vender 50% de seus direitos econômicos para o Banco BMG, pela pechincha de 1,5 milhão de euros (R$ 4,8 milhões).

O Santos, que antes detinha 70% de seus direitos econômicos - e poderia lucrar bem com a venda do atleta -, agora terá que se contentar em receber apenas 20% do valor total de uma futura venda.

Antes, se Alison fosse vendido, por exemplo, para o Benfica, por R$ 20 milhões, o Santos ficaria com R$ 14 milhões.

Hoje, caso o volante fosse vendido pelo mesmo valor, o Peixe lucrará apenas R$ 4 milhões.

Mas o pior não é isso.

O pior é saber que, a partir de agora, o Banco BMG tornou-se o "acionista majoritário" do jogador, o que iniciará as pressões - por parte dos empresários - para negociá-lo, buscando lucro.

O segundo escolhido foi o meia Lucas Lima.

Destaque do clube na temporada, o Santos tinha a prioridade de adquirir 40% de seus direitos econômicos, ficando com o total de 80% dos direitos econômicos do jogador.

Mas, por falta de dinheiro, deixou para a esperta Doyen Sports comprar a outra parte dos 40% que poderiam ser do Peixe.

Especula-se nos bastidores que Gabriel será o próximo.

Em resumo, são todos negócios emergenciais, de última hora, para salvar os cofres do clube, que agora perdeu a boa fama de pagar salários em dia.

Não me pergunte como um clube com um dos melhores jogadores do mundo há alguns anos chegou na atual situação.

Não sei responder.

Incompetência, falta de planejamento, falta de visão a médio e longo prazo talvez sejam palavras que possam expressar o que aconteceu no clube durante essa transição pós-Neymar.

Aguardemos 2015, quando a esperança (e o time) se renovará...