Fernando Silva: coragem para modernizar

Fernando Silva: coragem para modernizar

Fernando Silva tem 58 anos, é engenheiro químico e atuou como superintendente de futebol no Santos entre 2010 e 2011, durante a gestão LAOR, do qual ganha o apoio nestas eleições, encabeçando a chapa "Mar Branco", que possui membros da "Tradição Santista" e da "DNA Santista".

Fernando foi o único candidato que respondeu o questionário enviado pelo blogueiro, contendo perguntas que considero essenciais para o futuro do Santos Futebol Clube.

Para atrair o torcedor santista de volta ao estádio, o candidato aposta na modernização da Vila Belmiro, provendo segurança e conforto aos torcedores, na reformulação do programa "sócio-Rei" ("Em nossa gestão, o santista de carteirinha não pagará ingresso" - eis um plano bastante inteligente para atrair o torcedor de volta ao estádio) e no time, que precisaria de condições reais de disputar títulos para atrair o público ao estádio.

O candidato promete revezar jogos na Vila Belmiro e no Pacaembu com um planejamento, para que o torcedor santista possa se programar com antecedência, mas adota cautela quanto à construção de uma nova Arena ("O Santos tem uma dívida de R$ 400 milhões e não pode se dar o direito de fazer esse tipo de investimento").

Sobre os contratos com a TV Globo, adota uma postura mais realista ("Os contratos de direito de transmissão de TV aberta já estão definidos para até depois do próximo mandato. Os acordos estão assinados e nada será alterado. Quem promete algo nesse sentido está enganando o torcedor"), mas afirma que discutirá o formato da divisão do pay-per-view, entendendo que o Santos está sendo prejudicado nesse sentido.

O candidato culpa a atual diretoria pela negociação em valores absurdos por Leandro Damião, mas defende o atleta, hoje patrimônio do clube ("O Leandro Damião é atleta do Santos e não tem culpa da barbeiragem financeira da atual gestão").

Afirma que o Santos possui receita suficiente para pagar atletas e funcionários em dia. O problema, segundo o candidato, é a má gestão desses recursos, a qual levou a endividamentos e aos atrasos.

Para buscar receitas para o clube, Fernando Silva aposta no programa sócio-Rei e na montagem de uma equipe de competência e reconhecimento no mercado, para conquistar o montante necessário em patrocínios.

Ao candidato agrada o perfil do técnico Enderson Moreira, mas diz que uma decisão final só será tomada quando assumir o clube e conversar com o treinador.

O candidato ainda critica a contratação de jogadores por valores acima do mercado, pregando pela "utilização consistente da base, dentro de um planejamento, não para resolver situações emergenciais".

Por fim, o candidato prega pela manutenção do Comitê Gestor, da maneira como foi aprovado pelo estatuto do clube.

Dito isso, segue na íntegra o questionário com todas as respostas do candidato:

1) Hoje, a capacidade total de público na Vila Belmiro é de 16.798 pessoas. No último confronto contra o Cruzeiro, pela Copa do Brasil, foram disponibilizados apenas 10 mil ingressos para a torcida santista (esgotados rapidamente), e o público pagante do estádio ficou em 11.952 pessoas, para uma renda de R$ 444 mil.

No Campeonato Brasileiro, somos o 18º em público, com a pífia média de 8.375 torcedores, atrás até de clubes menores como Chapecoense, Criciúma, Vitória, Coritiba, Atlético/PR, Bahia e Sport, que traz ao Santos rendas pífias, contrastando, por exemplo, com nosso maior rival Corinthians, que no clássico contra o Peixe no Itaquerão colocou 31.089 torcedores pagantes, para uma renda de R$ 1,8 milhões.

Na Europa, a receita dos jogos corresponde a cerca de 30% do total do faturamento dos clubes no ano. No Santos, claramente isso não acontece, deixando o clube em clara desvantagem frente a seus rivais.

Como se não bastasse, a Vila Belmiro foi elitizada e encolheu, com a construção de vários camarotes em setores antes populares, os quais são vistos quase sempre vazios, revoltando muitos torcedores santistas.

Com isso, deixo as seguintes perguntas: o que o senhor, caso eleito presidente do Santos, pretende fazer para atrair o torcedor santista de volta à Vila Belmiro? O senhor cogita demolir os atuais camarotes, devolvendo-os na forma de arquibancada aos setores populares?


RESPOSTA: A nossa primeira atitude para fazer o torcedor voltar ao estádio é a sua modernização. Temos pesquisas que apontam quais os anseios do santistas quanto à Vila Belmiro e vamos atende-los. Segurança e conforto serão os primeiros pontos a serem resolvidos. A segunda medida refere-se ao sócio-Rei. Temos que retomar os atrativos, criados em 2010-11, que fizeram com que o programa do clube tivesse a maior taxa de conversão de torcedores para participantes. Em nossa gestão, o santista de carteirinha não pagará ingresso. Os frequentadores mais assíduos receberão diversas recompensas, e a gratuidade nas entradas será uma delas. O terceiro ponto é o time. Condições reais de disputar títulos constituem-se em eficazes argumentos para aumentar público nos jogos.

2) O Santos tem acompanhado de perto a licitação pelo Pacaembu. Paralelamente a isso, parece ter morrido a ideia de construir um novo estádio, lançada em 2010 pelo ex-presidente LAOR. O senhor, caso eleito presidente do Santos, pretende reformar a defesada Vila Belmiro, assumir o Pacaembu ou apostar na construção de um estádio novo? Em caso de estádio novo, onde ele seria localizado, na Baixada Santista ou em São Paulo?

RESPOSTA: Como respondido na questão anterior, a modernização é da Vila é uma questão premente. Quanto ao Pacaembu, equilibraremos os mandos de jogos para atender devidamente o torcedor da cidade São Paulo. Arena nova não é algo que esteja nos planos para um futuro próximo. O Santos tem uma dívida de R$ 400 mi e não pode se dar o direito de fazer esse tipo de investimento.

3) É público e notório o risco de "espanholização" do futebol brasileiro, com o progressivo aumento das receitas das cotas de televisão para Corinthians e Flamengo, os quais, no futuro, tenderiam a se tornar o Barcelona e Real Madrid brasileiros, deixando para trás os demais clubes de igual tradição. Só a título de exemplo, em 2016 o Cruzeiro, que caminha novamente para se tornar campeão brasileiro, receberá R$ 60 milhões em cotas de televisão da Rede Globo, enquanto Flamengo e Corinthians receberão, cada um, R$ 170 milhões, portanto, quase o triplo do valor citado. O Santos receberá R$ 80 milhões.

O senhor, caso eleito presidente do Santos, pretende tomar quais medidas para evitar esse terrível processo, que poderia deixar para trás no cenário nacional e internacional o alvinegro da Vila Belmiro? O senhor cogita uma renegociação do contrato, juntamente com outros clubes, ou esta opção é inviável, tendo em vista os vários adiantamentos de cotas de televisão já realizados neste ano? O senhor pretende liderar algum movimento semelhante ao Clube dos 13, para fortalecer a união dos clubes, para lutar contra tais desigualdades econômicas?


RESPOSTA: Os contratos de direito de transmissão de TV aberta já estão definidos para até depois do próximo mandato. Os acordos estão assinados e nada será alterado. Quem promete algo nesse sentido, está enganando o torcedor. O que pode ser discutido é o formato de divisão do pay-per-view. Em 2010, quando estávamos à frente do futebol do clube, trouxemos essa discussão e conseguimos acrescentar a cidade de Santos ao universo pesquisado. Mas entendemos que o Santos ainda é prejudicado e vamos lutar para isso seja resolvido. No que compete a movimento de clubes, apoiaremos qualquer ação que tenha o bem dos times brasileiros como causa.

4) Leandro Damião tornou-se a contratação mais cara da história do futebol brasileiro, custando ao Santos R$ 42 milhões, emprestados pela empresa Doyen Sports, os quais, ao final do contrato de 5 anos do centroavante, poderão custar ao clube mais de R$ 60 milhões. Porém, em campo, Damião não tem correspondido às expectativas, escancarando o péssimo negócio feito pela diretoria. Até a contratação do técnico Enderson Moreira, que lançou Damião no Internacional, pesou nesse sentido. O que o senhor, caso eleito presidente, pretende fazer quanto a Leandro Damião? É possível reaver os R$ 42 milhões (hoje R$ 46 milhões) nele investidos? Caso não, como o senhor pretende pagar essa dívida?

RESPOSTA: Precisamos fazer a devida separação nesse episódio. O Leandro Damião é atleta do Santos e não tem culpa da barbeiragem financeira, administrativa e esportiva da atual direção, cujo resultado, além de lesar o clube, colocou sobre ele uma desnecessária pressão. Os detalhes do contrato só teremos quando assumirmos a gestão, e só aí tomaremos a decisão de qual rumo seguir.

5) Em 2013, o Santos fechou no vermelho, mesmo com a venda de Neymar, com um déficit de R$ 40 milhões. No primeiro semestre de 2014, o clube registrou um déficit de R$ 7 milhões, prevendo desde já fechar mais um ano no vermelho. Os salários, antes pagos em dia na gestão de LAOR, hoje sofrem constantes atrasos, que iniciaram desde o fim do Campeonato Paulista deste ano. O cume da crise foi o corte das tradicionais dançarinas, na Vila Belmiro, no intervalo dos jogos. O patrocínio master foi fechado somente agora, no final do ano, com uma empresa chinesa. Como o senhor, caso eleito, pretende encontrar receitas para o clube pagar em dia os salários de seus atletas e funcionários e contratar jogadores? De onde o senhor pretende arrumar essas receitas?

RESPOSTA: O Santos possui receita suficiente para pagar atletas e funcionários em dia. O que precisa mudar é a gestão desses recursos. A forma como isso foi administrado nesse último período é que gerou o aumento das dívidas e os atrasos de salários. Independente dessa questão, existem formas de se aumentar a nossa arrecadação e as colocaremos em prática. Vamos possibilitar que o sócio-Rei volte a crescer, montaremos uma equipe de competência e reconhecimento no mercado – e não por apadrinhamento político - para conquistar um montante adequado em patrocínios e ampliar as fontes de receitas e teremos profissionais que trabalharão na amenização do custo dessas dívidas para que sobre mais recursos para investimentos no futebol.

6) Recente estudo publicado no Blog do Perrone demonstrou que Enderson Moreira é o técnico de melhor custo-benefício do Campeonato Brasileiro. Por outro lado, alguns setores da torcida santista já começam a vê-lo como um técnico "fraco". Caso eleito, o senhor pretende manter o técnico Enderson Moreira? Ou a filosofia do senhor é outra, e portanto precisaria ser acompanhada por outro técnico?

RESPOSTA: O perfil do técnico Enderson Moreira me agrada muito. Contudo, uma decisão final só será tomada após assumirmos e conversamos com o treinador para conhece-lo profundamente e entender seus projetos dentro do clube.

7) Em 2011, o Cruzeiro quase caiu para a segunda divisão. Houve eleições e uma nova diretoria foi eleita, implantando uma eficiente política de contratações, trazendo para o clube jogadores de grande destaque em clubes medianos ou em crise (como Dedé, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart, Marlone e recentemente o zagueiro Manoel). Com um bom técnico e uma eficiente política de contratações, sem se desfazer de seus principais jogadores no final da temporada, o Cruzeiro caminha novamente para seu segundo título brasileiro consecutivo, além de finalista da Copa do Brasil e campeão mineiro. O Santos, mesmo dono de uma receita superior à do clube mineiro, contrata mal, gastando muito dinheiro em jogadores medianos ou em fim de carreira, com pouco custo-benefício, como Montillo, Thiago Ribeiro e Leandro Damião. Atualmente, os dirigentes brasileiros têm se mostrado muito amadores, contratando atletas oferecidos por empresários, como por exemplo o encostado Bruno César, no Palmeiras, cogitado no Santos há pouco tempo.

Dito isso, deixo a minha pergunta: qual será a política de contratações do senhor para 2015? Quais serão os critérios adotados para a contratação de jogadores? Qual será a participação dos meninos da base nessa equação?


RESPOSTA: A primeira mudança que precisa ser feita é que não se contrate mais jogadores por valores acima do mercado. Isso não faremos. Quando montamos aquele time campeão da Libertadores de 2011, a receita foi mesclar os bons valores que lá estavam com atletas de talento que buscamos no mercado. Essa experiência de identificar essas oportunidades só nós temos. E já provamos que temos. À essa equação, adicionaremos um utilização consistente da base, mas dentro de um planejamento, não para resolver situações emergenciais, algo que foi feito com frequência nesses últimos tempos.

8) As cotas de televisão de 2015 no Santos já foram antecipadas. O senhor, se assumir o cargo de presidente do Santos, iniciará o mandato sem a importante receita de R$ 53 milhões. O senhor pretende, caso necessário, antecipar as cotas de televisão de 2016? Em caso afirmativo, como saldar o rombo financeiro em 2016, sem recorrer ao adiantamento de cotas?

RESPOSTA: Sabemos que a situação não é boa, mas o cenário verdadeiro, que indicará quanto de fato há em receitas adiantadas e o recurso que estará disponível para os próximos anos, só saberemos ao assumir o clube. A partir dessa fotografia podemos garantir se é possível sobreviver sem antecipação. O rombo financeiro é grande, mas já vivemos isso uma vez. A condição do Santos em 2010 não era muito diferente. Conseguimos renegociar os compromissos de curto prazo e criar uma programação de pagamentos que possibilitou a administrar a casa e montar um time campeão. Uma competente equipe apenas aguarda nossa eleição para colocar o plano em prática. Fizemos uma vez e faremos de novo.

9) A atual diretoria do Santos tem se mostrado bastante amadora, alterando a todo momento o mando de jogos do alvinegro, seja na Vila Belmiro, no Pacaembu ou em outros estádios utilizados durante a Copa do Mundo, a convite. Entendo que a alternância entre Vila e Pacaembu precisaria ser definida antes de começar o Campeonato Brasileiro, com os 19 mandos de campo rigorosamente definidos antes mesmo da temporada começar, sem nenhuma alteração "em cima da hora". O senhor, caso eleito, pretende manter a mesma política atualmente adotada para definição dos mandos de jogos, ou pretende adotar um planejamento anterior à competição? Em qual proporção o senhor pretende mandar jogos do Santos na Vila Belmiro e no Pacaembu? Meio a meio?

RESPOSTA: Como disse em resposta anterior, equilibraremos esses mandos, a fim de contemplar os dois públicos. Isso será feito dentro de um planejamento e com tudo estabelecido com antecedência para que o santista possa se programar.

10) O Comitê de Gestão, como forma de governança do clube, vem sofrendo muitas críticas, por ter se mostrado diversas vezes lento e ineficiente, principalmente quando se necessita de agilidade para definir e negociar a contratação de jogadores. O senhor, caso eleito, pretende seguir com o Comitê Gestor, ou lutará pela volta do presidencialismo no clube?

RESPOSTA: Não há incompatibilidade entre o presidencialismo e o CG em seu conceito original. Quando idealizado, tinha como função atuar como um conselho de administração de uma grande empresa, participando de questões estratégicas e não em decisões menos importantes. Como é um órgão previsto pelo estatuto, deve ser mantido. Mas, em nossa gestão, assumirá o seu devido papel.

MENSAGEM FINAL DO CANDIDATO FERNANDO SILVA:

"Coragem para modernizar, ousadia para ir além. Essa mensagem é o lema que nos impulsiona nessa campanha.

O pleito deste ano possui algumas características particulares. Nunca tivemos tantas chapas e nem tantos sócios aptos a votar. Da mesma forma, nunca o Santos teve tanta urgência em solucionar problemas imperativos e que são postergados pela ausência de comando e de capacidade para tomar decisões. Estádio defasado e carente de reformas, ausência de relacionamento moderno e inteligente com a torcida, contratos mal costurados com CSU, Nike, Netshoes e TV Globo, insuficiência de investimentos do CT e na base, dívidas crescentes e contratação de jogadores sem identidade com o nosso DNA são apenas alguns deles.

Resolver esses problemas e recolocar o Santos no caminho das conquistas, assim como fizemos em 2010-11, são os nossos compromissos com o torcedor. Contamos com a confiança de todos para realizar a transformação que o nosso alvinegro tanto necessita."

E assim termina a terceira entrevista (esta a única feita pelo blogueiro, por e-mail) da série de análises com os candidatos a presidência do Peixe, desta vez contando com o candidato Fernando Silva.

Amanhã será a vez de Orlando Rollo apresentar suas propostas! Fiquem ligados!