Nabil Khaznadar: por um Santos social

Nabil Khaznadar Santos FC

Nabil Khaznadar tem 53 anos, é empresário e dono de uma grife de roupas, coordenador do grupo "Eu Sou Santos", e encabeça a chapa "Avança, Santos".

Conselheiro do Santos desde 1997, Nabil é o candidato apoiado pela "situação" (grupo de Odílio Rodrigues).

Em entrevista ao Globoesporte e ao portal Lance!Net, o candidato afirmou ser capaz de gerir o Santos em tempo integral, pretende expandir a marca do clube internacionalmente, não vê problemas na antecipação de cotas de televisão (nem pretende rever os contratos com a Rede Globo, apesar de prometer recolocar o clube na TV aberta - não se sabe como), nem na contratação de Leandro Damião.

Caso eleito, prometeu manter no clube o técnico Enderson Moreira, o scout Sandro Orlandelli, o superintendente de esportes, André Zanotta, e o gerente de futebol Zinho, os quais seriam avaliados com o tempo (o candidato também é favorável ao modelo atual de Comitê de Gestão).

Nabil aposta no projeto de um "Santos social", intensificando as relações entre o clube e a cidade de Santos, buscando uma parceria com a prefeitura, para que a cidade abrace o clube, como se vê muito na Europa, firmando convênios com escolas e associando o esporte à educação (como consequência desse esforço, segundo o candidato, o clube atrairia facilmente patrocinadores e investidores).

O candidato reclamou da falta de benefícios no atual programa Sócio Rei, mas apresentou nenhuma proposta para resolver o problema (mesmo assim, sua meta é, ao final da gestão, chegar a 100 mil sócios - o Peixe hoje tem 60 mil).

Sobre a Vila Belmiro, o candidato afirma não saber qual é o problema e o por quê da ausência do torcedor santista no estádio ("precisamos fazer uma pesquisa e procurar saber qual é o problema"), arriscando que o motivo talvez seria a falta de aproximação do torcedor com o jogador.

Ainda questionado pelo repórter do Globoesporte sobre a Vila, o candidato não se decide se pretende transformar o estádio em um "estádio-butique" ou em algo próximo à Bombonera ("podemos fazer melhorias, seja fazer da Vila um estádio-boutique, ou algo próximo à Bombonera").

Segundo ele, sua política de contratações descarta "aqueles jogadores que passaram por três, quatro clubes e não brilharam (...). Jogador com 25, 26 ou 27 anos não vale a pena. É melhor ter um menino da base. Outra coisa: não vamos contratar por DVD. Veremos quantos jogos forem precisos antes de contratar. Faremos acompanhamento antes da compra" (no entanto, se contradiz ao afirmar que contrataria Thiago Ribeiro, com 28 anos, retornando da Itália).

Assim, apostando em um "Santos Social", pregando em geral pela continuidade da gestão iniciada por LAOR e Odílio Rodrigues, com muitas dúvidas e incertezas no "como fazer" (minhas impressões pessoais), apresenta-se o candidato Nabil Khaznadar.

A seguir, deixo ao torcedor santista os principais tópicos da entrevista do candidato ao portal Lance!Net e em seguida ao portal Globoesporte.

Vale a pena ler a entrevista completa para entender melhor os pensamentos de quem pode ser o futuro presidente do clube.


ENTREVISTA AO LANCE!NET (principais tópicos)

Se dedicar ao Santos por três anos demanda tempo e condição financeira estável. Você tem condições de abrir mão de tudo em nome do Santos?
- Tenho ciência da ocupação que é ser presidente do clube. Conversei muito com a minha mulher, e ela aceitou. Na parte profissional estou com a vida resolvida. Mas quero deixar bem claro que a gente quer levar gestão ao Santos, tratar o clube como empresa. Telefone 24 horas, todo mundo ligado, conectado, reuniões diárias por conferência... Pretendo gerir o Santos profissionalmente 24 horas por dia.
E seus negócios?
- Meu irmão vai tocar, não tenho a necessidade de estar lá. Serei Santos "full time".

Por ser de São Paulo você levará mais a gestão do clube para a capital?
O Santos é de Santos, a sede vai continuar na Baixada, mas vamos usar mais a subsede da capital. Tem que fazer reuniões esporádicas em São Paulo, abrir o Santos para o mundo. Já estou conversando com algumas pessoas a nível nacional e também internacional a fim de expandir a marca do clube.

O Santos tem problemas financeiros e já antecipou receitas de 2015. Caso eleito, adotará medidas emergenciais?
- O Santos antecipou as cotas de TV de 2015, mas os outros grandes anteciparam 2016 e até 2017. Se necessário, temos R$ 80 milhões de cota para antecipar, mas não estou pensando só nisso. Nesse sentido, o Santos está resolvido, muito melhor que os outros. Mas, em relação ao "day after", o dia após a eleição, tenho conversado com o meu pessoal do marketing, sobretudo o Celso Loducca, que vai tocar essa parte, e temos muitos projetos. Estamos com muitas empresas com projetos em andamento para logo depois da nossa posse trazer algumas novidades para o torcedor.

Isso tem a ver com o patrocínio master?
- O patrocínio para nossa equipe é uma consequência de um projeto muito grande. Queremos vender a marca Santos, fazer um projeto social junto com a base, buscar uma parceria com a Prefeitura, para que a cidade abrace o clube. Junto a isso, queremos trazer um projeto, que vai gerar muita coisa boa, muitos benefícios.

Há empresas que sinalizaram que querem investir no Santos, então?
- Sim, algumas.

E por que elas já não investem agora?
- Aí já não sei, não é minha gestão, não estou no dia a dia do clube... (lembrando que Nabil é o candidato da situação, apoiado por Odílio Rodrigues).
Mas você conhece as pessoas que lá estão, pode ao menos apresentá-las a essas empresas.
- A um mês da eleição? Não faz sentido. Começamos a conversar a partir do momento que lançamos a candidatura, sentei com o Celso Loducca, nossas cabeças pensam a mesma coisa em relação ao marketing, não estamos preocupado com patrocínio master, mas em algo maior, que envolve outras empresas, projetos sociais... Queremos deixar um legado.

Além do marketing, há outras ações para este primeiro momento? 
- Preciso ver como está a situação. A gente sabe por cima, pelos balanços, por algumas informações, mas não me aprofundo. Sei que teremos de sentar com alguns credores e renegociar as dívidas. Isso faz parte da gestão, quando tem problema de déficit tem que sentar com credores e conversar, ninguém pode perder. O importante é conversar, mostrar a cara, ver o que consegue, tem que ter essa transparência.

Você pretende também negociar com a Rede Globo, já que o Santos recebe menos da TV que seus rivais e tem poucos jogos transmitidos?
- Está nas minhas prioridades colocar o Santos em outro patamar quando o assunto é TV, seja na aberta, na fechada ou mesmo em relação à Santos TV, que é um canal nosso. Não sei as leis, mas já pedi para o meu pessoal que cuidará do jurídico para ver sobre essa questão. Fato é que a Globo e a CBF são dois dos grandes parceiros dos clubes e a gente tem que sentar e conversar. Temos 8 milhões de torcedores, temos que dar uma resposta a eles. O Santos é o time do século XX pela Fifa e o que mais conquistou títulos nos anos 2000, precisamos de um tratamento melhor. Não tem nada demais aí, precisamos cobrar. E não falo em valores, mas exposição também. Confio que a gente vai fazer coisas tão grandes no marketing que isso será algo natural. Espero que seja, não vou prometer nada, só trabalho, luta e dedicação para reverter isso aí. Acho que temos que nos inspirar no futebol europeu, nas ligas americanas e trazer isso ao Brasil.

Você tem falado bastante do marketing. Já pode listar algumas ações para que não fique vago para o torcedor?
- Uma que eu não tenho problema de falar é sobre a base. Para você ter noção do tamanho do projeto: queremos formar cidadãos, não só jogador de futebol. Queremos sentar com a Prefeitura, ver a região primária da Vila Belmiro e do CT, pegar alguma escola e fazer um convênio. Tem que ter uma associação entre futebol e educação. É algo que tem no mundo inteiro. Esse é um dos exemplos que estamos pensando como projeto social, contatamos com empresas que estão dispostas a ajudar. Não dá para ficar pensando só no patrocinador puro e simples. Os investidores não querem mais isso.

Mas essa ação social também traria retorno financeiro ao clube?
- Sim, pois traria novos patrocinadores que diriam "é isso que quero, é nisso que quero apostar". O mundo está voltado para questões sociais, e a gente não olha para esse lado.

Hoje o Santos já promove ações sociais, mas o departamento é bem enxuto. Você pretende ampliá-lo?
- Não vou falar em aumentar, diminuir... Isso vai caber a quem cuidar dessa área. Marketing, patrimônio e outros setores verão isso. Mas acho que tem que crescer, sim. Uma pessoa para cuidar de dez é fácil, uma pessoa para cuidar de 100 não dá.

Recentemente o clube demitiu diversos funcionários para cortar custos. Você discorda dessa política?
- Discordo de algumas coisas, sim, tanto discordo que não aceitei o convite para ser membro do Comitê de Gestão. Mas também não sabemos de tudo, talvez ele (Odílio) tenha ido para o caminho de dar uma segurada em tudo e entregar o clube para o próximo presidente de uma forma melhor, com menos gastos, já que a economia do país estava retraída. Não posso dizer se ele acertou ou errou.

Nesse processo de corte de gastos o Santos também terceirizou diversos departamentos. Você concorda com essa prática?
- Eu acho que a gente tem pontos falhos na comunicação, talvez tenha que ser interna mesmo. Com relação ao jurídico, está indo bem, não tenho nada contra. Estava bem e continua bem. O que acho que temos problemas hoje e tem que melhorar é o programa Sócio Rei. Nosso maior patrimônio é o torcedor, temos de cuidar melhor dele.

Como fazer isso? Mudando o contrato com a CSU?
- O que for preciso fazer para melhorar será feito. Mas só vamos saber isso depois de uma conversa.

O que é falho hoje no Sócio Rei?
- As pessoas reclamam muito. O programa não dá muito benefício, qual é hoje? Pagar o ingresso pela metade? Já conseguimos uma vitória, que é ter 60 mil sócios sem um clube social. O problema é que a inadimplência atinge quase 50%, vamos atrás desse percentual e buscar mais 50% pelo menos. Nossa meta é chegar ao 100 mil sócios, que era a meta do começo da gestão e não foi possível. A ideia é um pouco essa, atingir metas dessa gestão que não foram alcançadas.

O que você acha do contrato com a CSU?
-Não conheço.

Pelo que foi exposto no Conselho...
- Não gosto, acho prejudicial ao clube. É um problema que temos e vamos negociar. Mas não posso culpar A ou B, tenho que ver o que eles têm a propor.

Falando em sócios, o Santos teve um boom a partir de 2010, mas estagnou de uns tempos para cá. O que fazer para retomar o crescimento?
- Esse boom foi com aquele time fantástico, aquela onda toda... A gente tem o time que mais ganhou nos anos 2000, reclamamos muito pois somos apaixonados pelo Santos, mas tem que ver que o clube ganhou muitas coisas nos últimos anos, mais que os outros. Com relação a aumentar esse número, conversei com o pessoal do Benfica e, caso eleito, irei a Portugal logo depois da eleição. A minha intenção é ir lá, pois é o time que mais tem sócios no mundo, 150 mil. Eles têm uma captação muito grande num país infinitamente menor que o Brasil, então quero entender isso, ver o know-how e copiar o que dá certo. O match day americano eu conheço bem, agora quero entender esse projeto do Benfica.

Além disso, o Santos tem um sócio que contribui, mas não comparece, a média de público é pequena. O que fazer?
- Quando o jogo é na Vila Belmiro, temos problema de acomodação, acesso difícil e as lanchonetes não dão serviço adequado. Precisamos fazer uma pesquisa e procurar saber qual é o problema. Eu fico na social e tenho uma visão boa, mas sei que quem fica nos outros cantos tem dificuldade de visualizar o campo. Precisamos ver até onde isso é problema, se é estacionamento, violência... Já com relação ao Pacaembu, temos um problema nas vendas, por conta do tamanho da cidade de São Paulo. Veja o jogo da Copa do Brasil contra o Botafogo, quando tivemos cerca de 15 mil pessoas no estádio. Eu reclamei bastante com pessoas do Comitê de Gestão, porque estávamos vendendo ingressos só em um raio de 2km. Venda física é na Vila do Santos, Santos na Área e Ibirapuera. Na Zona Leste, na Zona Oeste e na Zona Sul tinha um ponto. Ok, tinha no site, mas não é divulgado, não usamos o atleta para fazer a promoção. Temos problemas na comunicação, no marketing... Dá para melhorar muito mais.

Vendendo em mais pontos o problema da falta de público será resolvido?
- Essa é só uma questão, mas vamos atrás de outras. Falta aproximação do torcedor com o jogador. Já não temos um clube social, o sócio só é filiado pelo time, então tem que ter uma aproximação, um elo entre um e outro, é o mínimo que podemos dar ao torcedor. Precisamos resgatar nosso patrimônio, que é a torcida.

Quais são seus planos para a relação com a CBF? O Santos pode liderar um processo de mudanças no nosso futebol?
- Acho que sim, temos que ter esse processo de liderança, sentar com o presidente da CBF, com a Globo... Estive recentemente na China falando com o líder do Bom Senso (Paulo André), tenho ótima relação com eles, sei das reivindicações, como o fair play financeiro. Enfim, acho que a gente tem que se unir, inclusive com os outros presidentes, para mudar. Temos visto pelos estádios vazios que ninguém está satisfeito. Tentarei fazer o melhor possível, sentar com todos os presidentes, precisamos dar as mãos e deixar um legado. Do jeito que está não dá mais.

Quais seus projetos para o futebol? O elenco é bom ou precisa de uma reformulação?
- A base é boa, temos uma espinha dorsal. O Aranha é bom goleiro, temos bom zagueiro, o melhor segundo volante o Brasil e o Robinho, que é nosso ídolo e tem a cara do Santos. Não vou fazer uma limpa, quem tem contrato vai continuar, mas tenho uma promessa: não vou contratar jogador para compor elenco. Ou trago jogador para fazer a diferença, resolver, ou usarei a base. Aliás a base tem que treinar com os profissionais, para quando precisar subir o menino não sentir tanto. Isso é muito praticado no futebol europeu.

O sub-20 já faz isso.
- Uma vez ou outra. Precisa ser permanente. Tem que dar experiência para os garotos, isso eu aprendi lá fora com o futebol europeu, com pessoas que conversei nos últimos tempos. Já havia escutado isso, pesquisei um pouco e concluí de que temos esse problema.

Se eleito você não contratará atletas que cheguem para ser reservas ou que sejam apostas, só estrelas?
- Só vou contratar jogadores para resolver. "Ah, mas o Lucas Lima não era para resolver". Ele e o Leandro Damião foram contratos diferentes, de risco, mas que valeram a pena para o clube. Hoje é um grande jogador, está mostrando muito talento. Agora jogador jovem, que a gente perceba que tem futuro, contrataremos. Aqueles que passaram por três, quatro clubes e não brilharam, não vamos trazer. Jogador com 25, 26 ou 27 anos não vale a pena. É melhor ter um menino da base. Outra coisa que faço questão de falar é: não vamos contratar por DVD. Veremos quantos jogos forem precisos antes de contratar, pois o DVD se edita. Faremos acompanhamento antes da compra. O scout vai nos dar a direção e aí vamos atrás.

Para que fique claro, vamos usar o exemplo do Thiago Ribeiro, que foi contratado com 28 anos. Ele já havia tido bom desempenho no Brasil e estava na Itália. Jogadores desse perfil não serão contratados por você caso eleito?
- É esse tipo de caso, sim. A economia do país não permite mais ter erros. Não que esse caso seja errado. Mas não pode apostar. É melhor pagar R$ 500 mil para o Robinho do que R$ 200 mil para quem está no banco. Trazer jogador para agradar esse ou aquele não faremos.

Você mencionou o scout, e hoje no Santos quem ocupa esse cargo é o Sandro Orlandelli. Era será mantido?
- Não conversei com ele, mas minha intenção é mantê-lo. E a minha ideia é aumentar essa atuação dele. Vamos criar uma célula de inteligência de pessoas que são ligadas 24hs por dia no futebol, temos pessoas assim dentro do Santos e elas ajudarão o Sandro Orlandelli. Quatro ou cinco torcedores, alguns membros do Conselho, farão parte dessa célula. O Lucas Lima, por exemplo, há alguns anos já era comentado por essas pessoas. É uma coisa muito interessante e já colocaremos em prática no começo do mandato.

O Sandro é criticado por alguns jogadores que foram contratados, já que todos os reforços passam pelo crivo dele. É o caso do Everton Costa, Renato Abreu, Bruno Uvini e outros. Como você avalia o trabalho dele?
- Quem o Sandro indicou? Não sei. Será que esses que você falou eram prioridade? Não existe 100% de acerto, sempre tem erro. Antes do Sandro também teve com o Bill, Rodrigo Possebon... O que a gente quer tentar evitar com a célula de inteligência é ter muito erro. Queremos errar menos.

E se houver erro que seja barato, não como no caso do Leandro Damião, é isso?
- O caso do Leandro Damião é como o do Lucas Lima, um contrato diferente, que ainda não pagamos, e que está no começo da passagem ainda. Veja o Montillo. Quando ele chegou tinha muita expectativa sobre ele, tínhamos perdido o Ganso, o Neymar estava sozinho... Não desembolsamos um tostão pelo Damião até agora e, como o Montillo, ele pode reverter a má fase. Acho que está faltando um bom papo, ele é um cara de grupo, muito querido pelos companheiros. Está faltando calma, tranquilidade para ele ter sucesso, como teve o Montillo, que deu lucro ao Santos.

Então você não considera a contratação do Damião um erro?
- Montillo foi um erro? Muita gente achou que foi, mas depois deu lucro...

E o Damião, foi bom negócio?
- Difícil falar. Até agora, não. Mas quem diz que amanhã ele não pode virar? Ele tem contrato de cinco anos e só vamos começar a pagar daqui a três. Ele pode virar a partir de amanhã.

Você faria essa contratação?
- É muito fácil falar isso aqui do lado de fora, nove meses depois da contratação. Na época todo mundo gostou, talvez só o valor era contestado.

As condições da parceria também foram muito criticadas na época.
- Por que só dele, mas do Lucas Lima não? Pelos valores?

Juros de 10% ao ano sobre R$ 5 milhões do Lucas Lima são infinitamente menor do que os pagos pela contratação do Damião, de R$ 42 milhões.
- Eu faria o negócio. Não do Leandro Damião. Estou falando do tipo de investimento, sobre começar a pagar só depois de três anos. É um risco que todo mundo tem. O Corinthians não teve com o Pato? Mas, diferentemente de nós, eles pagaram pelo Pato, tiraram do fluxo de caixa. A gente não! Como gestor, não achei essa parceria ruim.

Por achar esse modelo bom, você entende que o Santos precisa ampliar essa parceria com o Doyen?
- Não sei, se a parceria for boa ao clube, seja com quem for, temos que fazer.

E com a Teisa?
- A torcida precisa saber uma coisa que nunca ficou muito clara: foi prometido lá atrás R$ 40 milhões, que não entraram. A Teisa investiu cerca de R$ 20 milhões. Esse é um grupo formado por torcedores ilustres do Santos, que colocaram esse dinheiro e até hoje não tiveram nenhum retorno. Pelo contrário, eles estão no prejuízo e não cobram absolutamente nada. Esse tipo de parceria, se for benéfica, tem que ser feita.

Já falamos do Sandro Orlandelli, mas além dele a política de contratações é definida por outros dois dirigentes: Zinho, gerente de futebol, e André Zanotta, superintendente de esportes. Como avalia ambos? Pretende mantê-los?
- Aprendi na minha vida gestora que só vamos conhecer as pessoas no dia a dia, não posso julgar ninguém antes da hora. Não posso falar sobre eles. Não estou no dia a dia do clube, existem críticas e elogios. Quando você não está dentro da sala é difícil falar. Nunca ouvimos falar em problema de comportamento do Zinho como jogador, como dirigente também é elogiado. Com o Zanotta eu não tenho relação, nem sei o telefone dele, não dá para falar. Caso eleito, Zinho e Zanotta terão um tempo para mostrar trabalho, e a montagem do elenco para o primeiro semestre de 2015 será feita por eles, sob minha supervisão.

O elenco não tem um meia reserva. Outro dia o Lucas Lima machucou e o time jogou com quatro atacantes...
- Aí é opção do técnico, eu já acho que tem meia reserva, o Serginho. E aí eu jamais me meteria, pois é uma decisão do Enderson.

O time está bem formado?
- É preciso melhorar. Mas, se for para trazer alguém para compor elenco, é melhor o Serginho, que é da base e tem muito potencial.

Sobre as categorias de base: recentemente o Santos mudou seus métodos de trabalho e dispensou diversos atletas. Você concorda com isso?
- Tenho ouvido muito sobre isso. Estive em duas apresentações do Hugo Machado, gerente da base, e fiquei encantado. Não podemos falar um "a", porque o Santos disputa todos os campeonatos, do sub-11 ao sub-20. O que a base do Santos precisa é de uma melhor estrutura. Estive na China e passei pela Europa e lá pude perceber que os campos são melhores, a estrutura lá fora e até aqui no Brasil é melhor que a nossa. Para evoluir, vamos manter contatos com empresas e com a Prefeitura. A ideia é construir um novo CT, tirar o alojamento da Vila Belmiro e bota eles em um alojamento melhor. Estamos com bons contatos. O olho da minha gestão será futebol e base. O Santos é isso, alegria, ousadia, futebol jovem, para frente. Uma coisa que quero implantar é isso: vamos atacar, jogar bonito, podemos tomar dois, mas faremos quatro, cinco. O torcedor está acostumado com isso. Nosso futebol é irreverente, para cima.

Sua ideia é melhorar o CT Meninos da Vila ou buscar um novo terreno?
- Em Santos é difícil achar terreno, mas já vimos dois lugares possíveis. Já começamos até as conversas com os proprietários dessas áreas.

Você está em campanha há cerca de dois meses e já encontrou empresas dispostas a investir no marketing do clube, achou dois terrenos para a base, parceiros... Por que o Santos não consegue? É muito mérito seu ou incompetência de quem está lá?
- Nem um nem outro. O mundo atual é networking..

Sobre estádio: pretende participar da licitação do Pacaembu?
- Se for para ter uma segunda casa e não tiver que colocar dinheiro, o Pacaembu será bem-vindo.

E para a Vila Belmiro?
Sou a favor de melhorar, acabar com pontos cegos e trazer benefícios ao torcedor. Faremos um estudo para a ampliação. A gente escuta falar que é possível. Por que não fazer da Vila Belmiro uma Bombonera? Aliás, tem todo o perfil.

A Vila tem que ir para o lado do alçapão, como é a Bombonera, ou um estádio-boutique, como diz o Odílio?
- Eu gosto daquela coisa de alçapão, mas isso precisa ser visto com a torcida na pesquisa. O que eles decidirem vamos fazer.


ENTREVISTA AO GLOBOESPORTE (principais tópicos)

Leandro Damião
- Ele (Damião) tem contrato até 2018, e o Santos tem que pagar a Doyen até 2017. Eu comparo o caso dele com o do Montillo, que veio (em 2013) com uma expectativa grande, não jogou bem em sua primeira temporada e só cresceu nos últimos três meses. Mas o clube vendeu e teve lucro. Temos de chamar ele, conversar, dar oportunidade. Ele é um patrimônio do clube, foi de Seleção. O Santos não pode nem vai perder dinheiro com o Damião

Vila Belmiro
- Para quem tem cadeira cativa, a Vila é um estádio gostoso para assistir jogos, mas para quem frequenta outros setores, há pontos cegos. Temos de fazer uma pesquisa e entender o que é preciso fazer com a Vila. Há alguns detalhes pontuais para quem vem da capital, por exemplo. A pessoa gasta R$ 22,00 de pedágio, mais estacionamento e alimentação. Precisamos entender o que a Vila tem para nos oferecer.

Elitização da Vila Belmiro
- Com relação a mexer em camarotes, temos que mexer no todo, mesmo porque se for mexer em alguns camarotes térreos, vamos gastar um tempo grande. Não vamos mexer só nos camarotes, mas também onde há pontos cegos. O alçapão era bom, mas infelizmente ou felizmente (a Vila) está daquele jeito e temos que ver o que é melhor. Quem vai nos responder isso é a torcida.

Novo estádio
- Pelo que fiquei sabendo e pesquisamos, em Santos não há espaço. Podemos trazer melhorias, seja fazer da Vila um estádio-butique, ou algo próximo à Bombonera. Só consigo enxergar uma arena em São Paulo, não sei se é o melhor caminho. Se o setor privado trouxer proposta e a melhora da Vila entrar na pauta, vamos conversar. Nosso torcedor está em todo o Brasil.

Pacaembu
- Podemos arrendar, desde que o clube não tenha ônus. O Santos não vai colocar dinheiro nisso. Queremos chegar a 100 mil sócios e não podemos colocar tudo isso na Vila. E com relação ao Pacaembu, temos de aproveitar melhor, porque cairá no colo da nossa torcida. Não podemos ficar parados. Em março ou abril já teremos programação com jogos em São Paulo para nosso torcedor se programar. E se ocasionar de ter mais de um jogo na capital, jogaremos em Barueri.

Relacionamento com a Doyen Sports
- Não vejo grande problema com a Doyen. Foram duas contratações: o Damião e o Lucas Lima. O Santos só pagará a Doyen em 2017, então temos dois anos pra fazer o jogador virar. O Lucas já virou, há interesse do mercado internacional. Não vejo problema, desde que os interesses do clube fiquem acima. Não acho ruim não (parceria).

Como pagar a dívida
- A dívida chega a R$ 375 milhões. Mas passivo é uma coisa, fluxo é outra e tem muita gente que confunde. Se o Santos tivesse tanta dívida não teria cinco candidatos. R$ 100 milhões da dívida, por exemplo, é da Timemania. Teve, realmente, a ausência do patrocínio master, e as dívidas de gestões anteriores. Mas acredito que o Santos é um dos clubes que têm menos dívidas. É sentar na cadeira, montar uma equipe, que é o que sei fazer melhor, e trabalhar. Você só fica no azul com títulos e aparecendo na mídia.

Categorias de base
- Precisamos melhor a infraestrutura. A da base é precária. Temos de levá-la para um lugar com hotelaria, um lugar mais apropriado. Há uma conversa com a prefeitura para um projeto maior. Trazer jogadores para compor elenco, ficar no banco, mas com altos salários, é algo que não vamos fazer. Vamos investir na base onde temos Gabigols, Cajus, Alisons... Estamos vendo um caminho até social, pegarmos algumas escolas da região e colocar os meninos para estudar. E levar os professores para dentro do CT. Temos uma pessoa muito gabaritada no marketing desenvolvendo esse projeto. O CT da base será apenas para jogadores, comissão e imprensa. Nem empresário. Empresário não tem que estar no CT.

Montagem do elenco para 2015 e Enderson Moreira
- Não sou de ficar rompendo contrato. Ele (Enderson Moreira) tem contrato até o fim de 2015, e acho que ele não difere dos outros no Brasil. Acho que os técnicos brasileiros estão abaixo do que considero ideal para um clube. Mas ele vai ser mantido, não mexeremos. Vamos ver quem tem contrato, quem encerrará, e montaremos uma equipe. Temos hoje uma espinha dorsal com um goleiro muito bom, um bom zagueiro que cabe em qualquer time, um segundo volante dos melhores e o Robinho. Vamos preencher com jogadores da base, atletas para compor elenco e jogadores que venham para resolver. Queremos aquele jogador cascudo. E o Paulista pode ser um laboratório.

Patrocínio master
- Essa coisa de contrato mais longo é difícil. Que time tem isso? Nossos rivais não têm, a não ser o outro da marginal. Temos de fazer um projeto muito maior. Já estamos falando com algumas multinacionais para algo amplo, e o patrocínio master será uma consequência do projeto, que encampa a Vila Belmiro, o social. Nosso marketing será uma gestão de espelho, com metas.

Comitê de Gestão
- Esse modelo de gestão é praticamente o do mundo todo. A Europa praticamente toda tem esse modelo. O Santos é um espelho para o Brasil. Sou a favor do Comitê de Gestão. Posso garantir que meu modelo é como sempre geri nas minhas empresas. Você tem que conversar com eles (membros do Comitê) todos os dias, para ninguém ser pego de surpresa.

Salários atrasados
- Tem esse tabu, essa lenda dos salários atrasados... O Santos não atrasa CLT e quando atrasa direitos de imagem é coisa de 20 dias. Salário é uma coisa que não pode atrasar. Vamos tentar ao máximo não atrasar. Salário atrasado gera pessoas descontentes, e isso reflete no ambiente.

Novo modelo de contrato de jogadores
- A gente pretende fazer como na Bundesliga. Se buscarmos um jogador que quer ganhar R$ 200 mil, não vejo problema. Vamos começar com R$ 100 mil e ele vai ter que dar retorno com passe para gol, marcando gols, chegando à Seleção... O caminho é esse. Quem tem contrato vai seguir com o contrato. Isso que falo é para o novo modelo e já estamos conversando com os jogadores que terão que renovar com o contrato.

E aí, gostaram dos principais pontos das entrevistas?

Amanhã fiquem ligados para a entrevista de José Carlos Peres, o segundo candidato à presidência do Santos Futebol Clube!