Orlando Rollo: o choque de gestão

Orlando Rollo Santos FC presidente


Dos cinco candidatos que concorrem à presidência do Santos Futebol Clube, Orlando Rollo é o mais jovem, com 36 anos de idade, contando com o apoio da chapa "Terceira Via Santista".

Orlando é servidor público estadual, bacharel em Direito, e já atuou como conselheiro eleito do Santos por seis mandatos (1999 a 2014), além de vice-presidente do Conselho Deliberativo do clube de 2009 a 2011.

Oriundo da torcida organizada "Torcida Jovem" e posteriormente membro do Conselho Deliberativo do Santos, em seu discurso, defende o chamado "choque de gestão", trazendo mudanças profundas para o clube da Vila Belmiro, com as propostas oposicionistas mais "radicais", em comparação aos outros candidatos.

Resumindo ambas as entrevistas, estas são suas ideias a propostas:
- Demitir e substituir o técnico Enderson Moreira.
- Demitir e substituir os três homens fortes do futebol do Santos: Zinho, André Zanotta e Sandro Orlandelli.
- Dissolver o Comitê de Gestão, voltando o clube ao presidencialismo puro e simples.
- Demolição dos camarotes térreos na Vila Belmiro para a volta do setor da geral no local (realocando os camarotes para as partes superiores do estádio).
- Bater de frente com a Globo e as federações para buscar os interesses do Santos em relação à transmissão de jogos em TV aberta e valores recebidos, buscando enterrar a "espanholização" do Campeonato Brasileiro.
- Revogação do atual estatuto do clube "do primeiro ao último artigo".
- Contratar apenas profissionais identificados com o Santos Futebol Clube.
- Promete um Santos disputando títulos em todos os seus anos de gestão, com foco no Campeonato Brasileiro.
- Pretende modernizar a Vila Belmiro, acabar com a burocracia para comprar ingressos no programa "Sócio-Rei" e acabar com a elitização do estádio.
- Promete melhorar a estrutura das categorias de base, de forma geral.
- Posiciona-se contra a construção de uma nova Arena para o clube.
- Tem boa relação com as torcidas organizadas, mas afirma ser "incabível o clube ter de bancar as torcidas".
- Não cita nenhum nome das pessoas que comandariam os principais cargos de direção no Santos em 2015.
- Afirma já ter 2 propostas de patrocinador master caso vença a eleição.

Assim, deixo a vocês os principais pontos das entrevistas concedidas pelo candidato aos portais Globoesporte e Lance!Net:

Se dedicar ao Santos por três anos demanda tempo e condição financeira estável. Você tem condições de abrir mão de tudo em nome do Santos?
- Plenamente, inclusive meus 36 anos de vida são dedicados ao Santos. Não vou começar a me dedicar agora, tenho 36 anos de trabalho pelo Santos, minha juventude na Torcida Jovem, depois no Conselho Deliberativo. Sempre coloquei o Santos Futebol Clube em primeiro plano na minha vida. Minha função profissional, de servidor público estadual, me confere algumas oportunidades de horário que vou aproveitar para administrar o Santos em tempo integral. Eu poderia conciliar, mas caso não exista essa possibilidade sou bacharel de direito e estudo a possibilidade de ingressar na advocacia.
Abriria mão do cargo que tem hoje?
- Sou oriundo da classe média, e nosso grupo quer desistigmatizar que só milionários, aristocratas e magnatas administram os clubes de futebol. Qualquer torcedor ou associado pode sim administrar o clube, contanto que tenha capacidade e tempo disponível. Por isso colocamos nosso nome.

O Santos vive uma situação financeira difícil. Como está se preparando para isso?
- A gente tem ciência de que vamos pegar terra arrasada, estamos nos preparando para o pior cenário. Não vamos ganhar eleição e um mês depois dizer que está ruim, que não vamos pagar salário, isso tudo já sabemos. Tem uma pessoa na nossa equipe fazendo planejamento de finanças e arrecadação, com criatividade em aproveitar recursos que o clube não utiliza no futebol e no pagamento de salários.

Quais são esses recursos inutilizados?

- Principalmente no que tange ao marketing. Eu gostaria de segurar um pouco porque essas propostas vão aparecer naturalmente na campanha. Se eu lançasse agora poderia dar um start que não está autorizado pela comissão eleitoral. Mas são principalmente propostas de marketing.

E já vai dar alguma solução em janeiro de 2015?

- Ajeitamos conversas com diversos empresários. Lógico que não podermos concretizar porque não ganhamos a eleição, mas não queremos preparar tudo só a partir de janeiro, já estamos trabalhando com pessoal do futebol, negócios, marketing, administração e já temos duas propostas de patrocinadores master caso nossa chapa ganhe a eleição. Ainda não podemos colocar às claras porque não temos legitimidade para negociar em nome do Santos. Nós até oferecemos às empresas, porque sabemos que o Santos tem dificuldades financeiras, tentamos convencer para que já começassem a patrocinar o Santos agora. Só que os empresários não confiam nessa administração, a inabilidade deles espanta os empresários, não querem vincular suas marcas aos atuais administradores do clube.

Ao contrário dos outros candidatos, você não têm apoiadores fortes por trás, empresários. Isso incomoda?
- A gestão anterior tinha umas 50 ou 60 pessoas e ninguém se movimentou para nada, ninguém ajudou o Santos. Nós temos vários empresários, porém o estatuto do Santos proíbe que os dirigentes tirem dinheiro do próprio bolso, limita a maneira de se fazer empréstimos. Essa não é nossa maneira de administrar, não queremos ninguém tirando dinheiro do bolso. Queremos ações modernas, tirando dinheiro da criatividade e das ações de marketing.
Tem sido bastante debatido o sistema de cotas de TV. Você pretende liderar um movimento contrário a isso?
- Na verdade não esperamos liderar nada, porque entendemos que a grande maioria dos dirigentes dos outros clubes são formados por bananas que não querem mudar o status vigente. Eles são acomodados com a esmola que a TV repassa a eles através das federações. Queremos mudar isso, que o clube defina seus direitos e sua exposição na TV aberta diretamente com a emissora. Alguns clubes corajosos fora de São Paulo já agem dessa maneira. As TVs colocam faca no pescoço dos clubes, dão o que querem pagar e não expõem como os clubes merecem. Essa falta de exposição diminui interesse de patrocinadores e faz cair a renda dos clubes. Não queremos liderar nada, e sim correr atrás dos nossos direitos. Se os clubes quiserem acompanhar, serão bem vindos.

Então o melhor modelo é a negociação individual?
- Não é o melhor modelo, o coletivo seria melhor, mas não vamos esperar os outros clubes se definirem, vamos tomar a iniciativa e correr pelos direitos e interesses do Santos. Caso os outros não queiram, que fiquem no ostracismo, recebendo a esmola que a TV paga. O Santos poderia receber muito mais, creio que TV aberta paga muito bem o clube do Rio de Janeiro, outro de São Paulo e mais alguns de faixa intermediária, copiando o modelo espanhol. O problema é que eles têm filosofia diferente da brasileira, e todos os clubes deveriam estar nivelados, porque todos iniciam com chance real de ser campeões.

Na prática é mesmo possível essa ruptura com a Globo?
- Eu creio que deveriam ser abertas as negociações com todas as emissoras disponíveis, que queiram efetivamente melhorar o campeonato. Sou contra monopólio. Houve tentativa com a Record, ano passado, que tinha uma proposta melhor que a Globo, mas os clubes, pressionados pela CBF, não aceitaram. Isso que queremos romper. A gente não quer federação e CBF sendo intermediária dos contratos do Santos. Eu, quando rompi com a federação, sei que elas são meramente intermediárias de negociação e organizam um campeonato esdrúxulo de quatro meses. Essa negociação com a TV passa pelo rompimento com as federações nesse sentido.

E aí também recai sua má relação com o Marco Polo Del Nero...
- Não espero prejudicar, mas conheço o jeito dele de administrar e sou temeroso com a administração dele na CBF. O futebol brasileiro não vai vender com ele à frente. A CBF nunca olhou o Santos com bons olhos e não vai ser agora, nem se o melhor amigo dele assumisse o santos, que olhariam com bons olhos. FPF e CBF trataram o Santos historicamente como filho bastardo, e não seria diferente. Tendo um presidente como eu, que bata de frente, é bom o Seu Marco Polo e o Seu Marin começarem a olhar com bons olhos o Santos, senão nós que vamos interferir na administração dele.

Estuda, se eleito, participar da organização de uma liga de clubes independente da CBF?
- Eu vou correr pelos interesses do Santos, minha preocupação no momento é essa, não vou ficar esperando outros dirigentes. Eu acredito que se outros presidentes de clubes quiserem organizar liga e isso for benéfico, vamos aderir. Ainda não conversamos com outros presidentes, só ano que vem, depois de eleito, mas não teremos problema em aderir, não.

Você faz oposição forte. Que mudanças pretende implementar se eleito?
- A primeira coisa é, através do Conselho e de uma assembléia geral, conscientizar os associados de necessidade de mudança estatutária. Esse estatuto stalinista tem que ser revogado do primeiro ao último artigo. Aí algumas pessoas vão falar que o Orlando Rollo era vice da assembleia e do Conselho quando foi aprovado esse estatuto, mas lutei contra a implantação desses artigos que burocratizam o clube. A administração do Santos estaria emperrada e o Santos correria risco de golpe administrativo, exatamente o que aconteceu.

Que tipo de mudanças pretende implementar logo de saída?
- A parte da hierarquia administrativa é importante, encerrar o Comitê de Gestão e voltar ao presidencialismo, que é o que dá certo no futebol. Comitê é uma forma burocrática e letárgica de tomar decisões, consultar se precisa pregar um prego na parede, colocar calço na porta... eles fazem reunião para assuntos banais, e futebol é dinâmico, exige tomada de decisões em minutos e segundos. Para onde essa espécie de administração é benéfica? Diziam que era bom para grandes empresas, mas a Petrobras está falindo. Não é bom para clube de futebol, nem para grande empresa, para nada. Vamos promover uma série de mudanças estatutárias.

Defensores do Comitê dizem que o mérito é democratizar o clube. Não é complicado fazer o contrário agora?
- Criou-se o falso estigma que o Comitê é um orgão que traz democracia para o clube, balela pura. Quem defende isso são poetas e conselheiros que não conhecem administração de clube de futebol. Não é porque tem nove pessoas decidindo que é democrático. Às vezes você decide sozinho, mas de uma forma democrática que beneficia e contenta a todos. Não é o que acontece nessa forma de Comitê de Gestão em que presidente tem voto vencido e emperra a tomada de decisões.

O que pretende fazer com os três principais homens do futebol de hoje, Zinho, André Zanotta e Sandro Orlandelli?
- São três profissionais com excelente trânsito no futebol, principalmente o Zinho, na CBF, no Rio de Janeiro, tem identidade com Flamengo, Palmeiras, e não com o Santos. Os outros dois profissionais são competentes, mas não atendem filosofia de profissionalismo que pretendemos implantar. Minhas palavras podem causar desconforto, mas se prometermos que vamos romper com status e eu dizer que vamos negociar com eles iria estar enrolando o torcedor. Esses três profissionais não fazem parte. Talvez em uma próxima oportunidade eles possam voltar a trabalhar no Santos, mas queremos fazer um choque de gestão que passa pela troca dos profissionais.

O problema do Zinho, então, é o fato de não ser identificado com o Santos?
- Além de um bom profissional, queremos trazer pessoas com identidade. É como contratar para ser superintendente do Itaú uma pessoa que tem conta no Bradesco. Se não tem amor, aptidão ao clube, não seria o profissional ideal para estar naquele momento. O Steve Jobs só contratava quem era fã e consumia a marca que ele criou. Então, além de um excelente profissional, precisava mostrar que era fã. Temos bons profissionais no mercado, mas eles precisam ser santistas. Em todas as áreas.

Você é a favor do cargo de scout, de observador técnico?
- Se fizer parte da doutrina de trabalho do gerente e do treinador, é um profissional muito útil, pois recebe informaçõs que fazem parte da metodologia de trabalho. Eu creio que seja de muita utilidade, de acordo com a doutrina do profissional que estiver lá.

Esse profissional, o cara do futebol, você já tem?
- Já tenho definido, conversado, um projeto pronto para começar a trabalhar em janeiro de 2015. Mas no momento ainda não posso falar, só que ele tem experiência na área do futebol e identidade com o Santos.

A respeito da base do time para 2015, entende que precisa de ajustes?
- Não posso enganar o torcedor e dizer que vou trocar o elenco todo, seria impossível. A base do time será mantida, mas dependerá da filosofia do próximo gerente e do próximo treinador definir quem fica e quem vai. Serão contratadas peças-chave para posições que esses profissionais vão definir.

O nome do Enderson Moreira te agrada?
- No momento acredito que ele não é técnico para o clube. É um profissional promissor, bom profissional, não vou denegrir imagem dele de profissional sério e engajado, mas para o nosso nível de filosofia ele não nos agrada. Queremos colocar o Santos entre os maiores clubes do mundo e com o Enderson isso não é possivel no momento.

Seu primeiro time de 2015, se eleito, será um pouco mais modesto, então?
- Time mais modesto nem me passa pela cabeça, e essa palavra modesto nem está no meu vocabulário. Todos os campeonatos que o Santos participar nesse triênio serão pela disputa efetiva de títulos. Vamos disputar os títulos sem loucura, com planejamento. Para o Paulista vamos ter sérias dificuldades nesses primeiros meses de gestão, mas nosso foco é ser campeão brasileiro. Desde 2004 isso não acontece, e a torcida não aguenta mais. Lógico que o Paulista vamos querer ganhar, mas nosso foco é o título do Brasileirão. Eu espero e torço muito para o Santos ir para a Libertadores de 2016. Se for, a Libertadores entra no mesmo foco de prioridade do Brasileiro, aí vamos ter que aliar nosso projeto.

Enquanto não mudar o estatuto, você precisará nomear um Comitê de Gestão. Já tem os nomes?
- Nos primeiros meses antes da mudança vamos governar com Comitê, alguns nomes estão sendo conversados e outros não, até pela eleição. Alguns virão de grupos que hoje são adversários, mas não inimigos, e têm pessoas capacitadas. Tem séria possibilidade de contar com grupos que hoje estão na oposição, não tenho problema nenhum com o grupo do Peres e do Fernando Silva, por exemplo. Claro que não tem 100% de concordância ideológica, mas tem pessoas gabaritadas nesse grupo. Resgate também, tinha até esquecido. Existem boas e más pessoas em todos os grupos, inclusive no nosso.

- Os gerentes do clube podem sair desses grupos de oposição?

Basicamente esses grupos políticos comporão a base do Conselho Deliberativo. Já gerentes e superintendentes serão profissionais de mercado, com experiência comprovada e santistas, mas não necessariamente desses grupos.

Você contrataria um dirigente assumidamente não santista?

- Não. Tem que ser santista.

Como lidar e superar os públicos baixos do Santos na história recente?
- Eles ocorrem por uma série de fatores, inclusive históricos. Primeiro, a elitização da torcida do Santos através da elitização da Vila Belmiro. Não é porque modernizou o estádio que elitizou. A Vila Belmiro afastou a massa, e também criou-se ferramentas burocráticas para ter acesso a ingressos. Comprar no site do programa Sócio Rei é uma epopéia messiânica, se jogo é decisivo você vai ficar de fora. São ferramentas que burocratizam e torcedor se desmotiva. Além disso, tem a questão do time, e você precisa trazer programas de incentivo. Na década de 90 o Santos tinha times que não disputavam títulos, entravam para constar, mas os públicos eram infinitamente superiores, porque o torcedor tinha identidade e motivação para comparecer, valores baratos, facilidade.

Sua ideia é desburocratizar o Sócio Rei?
- Isso, e dar outras opções ao torcedor. Daqui a pouco tem que fazer faculdade de Ciências da Computação para entrar no site e comprar ingresso. Queremos ampliar o leque e dar mais facilidades ao torcedor comum, que hoje está afastado, e também aos associados.

E como atrair mais público à Vila Belmiro?
- Modernizando o estádio. O Santos hoje tem um estádio com camarotes térreos, e isso não existe em nenhum alçapão do mundo. Camarote é nos andares superiores, térreo é onde torcida fica mais próxima do campo, como era antes na Vila Belmiro. Então precisamos destruir o camarote e voltar o alambrado, que é uma das nossas propostas. Na verdade, a gente não vai acabar com esses camarotes, mas realocá-los. Nosso projeto de modernização também passa pela ampliação. O térreo é lugar para pressão, o problema é que os bombeiros mandam mais na Vila Belmiro que no próprio quartel deles. O Odílio é subserviente a tudo, aos bombeiros, escoteiros, lar das moças cegas, a tudo e a todos. A Vila Belmiro é um estádio particular, e o Santos tem que impor suas vontades, seus desejos, lógico que atendendo a padrões de segurança. Vidro ou alambrado naquela área atrás do gol não muda nada. Às vezes depende de uma simples contra-argumentação do Santos, o que não existe hoje. A Vila Belmiro é a casa do Santos, os bombeiros têm que mandar mais no quartel e menos na Vila.

Então você não quer um estádio-boutique, como dizem alguns dos outros candidatos?
- Justamente. O Santos perdeu com a Copa do Mundo a possibilidade de modernizar seu estádio. No Rio Grande do Sul a Copa do Mundo utilizou o estádio do Internacional, mas o Grêmio não ficou na contra-mão. O Santos poderia ter ido atrás dos mesmos incentivos, mas ficamos atrás na história. Rssa gestão e gestão de Marcelo Teixeira, porque em 2007 decidiram que a Copa seria no Brasil e já se podia ter tomado algumas atitudes visando ampliação do estádio. O Santos detém uma área com localização privilegiada, área nobre do município. Tem que aproveitar área que já é do Santos para aí sim ampliar e modernizar seu patrimônio.

Como é esse projeto de ampliação?
- Tenho projeto disso. Quando assumi como vereador apresentei um projeto que solicita a desatefação parcial de três vias de acesso à Vila Belmiro, só não a Princesa Isabel. Isso já ocorre hoje, em dias de jogos do Santos, e está tramitando. A gente vai começar isso em janeiro de 2015, é uma questão prioritária, de honra.

Você pensa em arrendar o Pacaembu?
- Sou favorável a jogos eventuais, até para privilegiar nossa massa da capital, jogos esporádicos, pontuais, mas tenho estudos que o arrendamento só vai trazer prejuízo ao Santos e o custo-benefício não vai ser bom. Vamos alugar para jogos específicos e uma possível parceria vamos utilizar na modernização da Vila Belmiro, não do Pacaembu, porque ele é tombado e depende de lei municipal e estadual. Não podia ser arena multiuso porque está em área de restrição, também. Não vale a pena.

Voltando ao futebol, o Santos tem categorias de base bastante badaladas. Você acha que tem pontos a melhorar?
- Tem muita coisa a melhorar, principalmente de estrutura física do CT Meninos da Vila. Temos que moldar a filosofia de trabalho no que tange à parte cultural, educacional, esportiva dos atletas. Tivemos informação que o Santos não estava fornecendo alimentação aos finais de semana, e isso muito nos preocupou. A gente quer fazer uma ampla modernização nas categorias de base, não só na parte estrutural, como na filosofia de trabalho. Temos projeto que vamos descentralizar os centros de treinamento da base para alguns locais que já mapeamos de atletas profissionais. O Santos não vai ter só um CT para categorias de base, e sim vários. É um dos nossos projetos principais. Mas o CT principal será o Meninos da Vila, em que uma cerca elétrica resolve problemas com a vizinhança, diálogo e cerca elétrica para evitar invasões. Agora nesse projeto de descentralização vou te dar um exemplo viável. Brasília. Se for hoje em qualquer grande clube de futebol vai ver jogador oriundo do Distrito Federal, assim como as Seleções Brasileiras tem jogadores de lá, ma região de grande formação de atletas de futebol, que vão cedo para os times grandes porque lá não existem clubes de grande porte nas divisões principais. Queremos colocar ali, com apoio do poder público do local, um centro de treinamento, não escolinha, e atletas selecionados nessas grandes regiões, que serão deslocados para treinar com o Santos no CT principal.

Mas um clube que atrasa salários tem recurso para isso?

- Lógico. Por isso que falei de parcerias com poderes públicos locais. Seria bom para todo mundo um projeto social, escola para os meninos, para a comunidade local, para o Santos, é incentivo para atleta também. Vou dar exemplo do Ganso, que começou a desenvolver o futebol dele quando a família se deslocou do Pará até Santos. Com esses centros de treinamento descentralizados, os jogadores estarão próximos da familia e se estiverem bem vale investimento do clube para trazê-lo junto com os familiares. Depende da localidade e do tipo de parceria com o poder público local, mas é um projeto que dará retorno esportivo e financeiro e ainda será uma ação social.

A base trocou de comando recentemente. Qual acha o projeto certo?

- Gosto muito do trabalho do Luiz Fernando (Moraes, ex-gerente da base) e conheço a fundo o trabalho do Hugo (D'Elia, atual ocupante do posto), porque fui organizador da Copa São Paulo e também acompanho o trabalho. São diferenças de metodolgia e ambos dão resultados, mas depende do enfoque e de onde você quer chegar. Gosto do trabalho amplo, com mais garotos para lapidar. Mas essa é minha preferência pessoal.

O número de sócios do Santos estacionou nos últimos meses. Como fazer para angariar mais associados?
- Vamos fazer promoções e incentivos, principalmente em dias de jogos. Jogos pontuais fora do eixo Santos-São Paulo também, em áreas de grande concentração de santistas, o que podia motivar torcedores a se associarem. Londrina, Maringá... Tendo em vista que existe aglomeração de massa santista, isso poderia impulsionar o quadro social. Tem que privilegiar o sócio. Hoje ele não tem nada de rei, talvez de bobo da corte. Eu, por exemplo, quando tento entrar no site não consigo, porque o sistema é falho e oferece poucos benfícios aos associados. Criaram algumas separações, sócio ouro, diamante, e isso segregação inclusive dentro do quadro social do Santos. Mesmo quem faz a opção de sócio diamante não tem atendido os planos de recompensa, tirando credibilidade do produto. Vamos remodelar isso.

Você diz que é favorável a mandar jogos fora de Santos para beneficiar os torcedores de outras localidades, mas foi contra o voto à distância. Por que?
- Na verdade sou favorável ao voto à distância, contanto que seja presencial, de maneira cristalina e transparente. Em 2009, na penútima eleição, eu era fiscal da chapa vencedora e peguei dois fantasmas indo votar, isso foi para a Jutiça. Isso em uma eleição presencial na Vila Belmiro. Imagina a farra do boi bumbá que não seria eleição pela internet, ainda mais quando descobrimos escândalo das carteirinhas fantasmas, de seis mil cadastros que poderiam mudar o resultado. Se o sistema for aprimorado e houver controle efetivo, sou favorável sim. Voto à distância presencial, só para explicar, é urna nas embaixadas. Sou favorável.

Você mencionou o episódio das carteirinhas fantasmas. Acha que isso te marcou de alguma forma?
- A polícia iniciou investigação em inquérito e qualquer outra investigação é clandestina ou fantasiosa. Dizer que culpado é A, B ou C é de uma irresponsabilidade sem tamanho, está gerando processos judiciais. Quem tem que investigar é a polícia e a justiça. O artigo 9 do estatuto diz que para se associar tem que passar por sindicância, e se cumprir esses trâmites não vão existir sócios fantasmas. Se existirem, ou trâmites não foram cumpridos ou tudo foi feito de forma deliberada. Por isso precisa investigar. Quem tem que esclarecer é a polícia, isso é caso de polícia. Se eu der opinião pessoal sobre o caso vou fazer o mesmo papel que o Odílio e sua turma fizeram em acusar membros da oposição. Quando denunciamos o caso das carteirinhas fantasmas recebemos por carta registrada, e em nenhum momento acusamos qualquer pessoa do Santos. A pessoa que fez as denúncias acusou uma empresa terceirizada, mas o Santos, através de seu Comitê, e na ânsia de querer nos acusar, esqueceu que exisitia aquele artigo 9, como se os membros citados por ele pudessem fabricar carteirinhas de plástico, isso é impossível. Em virtude dessas declarações levianas todo mundo que fez falsas acusações ou já estão ou estarão sendo processados. É uma lista extensa, nosso departamento jurídico está pesquisando declarações que foram feitas em uma investigação infantil, amadora e clandestina.

O prazo de uma hora está acabando, mas queria saber sobre as ações de marketing que você planeja se for eleito...
- Temos projetos concretos e viáveis, que vamos apresentar. São propostas modernas, algumas criadas pelo nosso departamento de marketing e outras adaptadas da NBA, NFL e esportes americanos, de ligas européias. Nosso marketing tem um planejamento, e se eu citar um plano pode frustrar os outros.

ENTREVISTA AO GLOBOESPORTE

Investidores
- Existem investidores sérios e outros nem tanto. Alguns visam interesses próprios e outro não. Esse fundo (Doyen), eu não vejo com bons olhos. A negociação do Leandro Damião está provando isso. Vamos rever tudo isso. Eu não vou ser demagogo e falar que não vou trabalhar com esse tipo de fundo. Hoje o futebol é moderno e todos participam do futebol como um todo, mas você precisa avaliar quem são sérios ou não. Esse investidores que já estupraram o Santos não terão mais vez na nossa gestão. Faremos negócios com os empresários que farão negócios bons para o Santos e não utilizar o Peixe apenas como vitrine. Esses sim, poderão trabalhar com a gente.

Vila Belmiro
- Através dos estudos que fizemos desses camarotes, tirar esses camarotes pode trazer lucro para o Santos. O problema não é o camarote em si. Em estádios grandes, em arenas, o camarote fica em pavimento superior. Vamos tirar esses camarotes, já vimos os contratos. Seria leviano se eu falasse que ia passar o machado e a marreta. Os demais serão extintos e haverá a volta do setor geral. O fator alçapão vai falar mais alto e vai fazer com que a Vila seja temida e os os torcedores vão retornar. A elitização é apenas um dos fatores que afastou a torcida do estádio. A modernização motivará os torcedores de irem no estádio. É uma obra viável. Queremos construir pilares para ter uma nova estrutura para a Vila Belmiro.

Arena
- Aparecem projetos de que o Santos vai construir uma arena em Cubatão, querem fazer de tudo para acabar com a Vila, mas eu não vou permitir. O problema de se construir arenas construidas é que elas ficam em áreas periféricas. O Santos já possui um lugar próprio e de fácil acesso. Nós temos que construir nas nossas dependências, em vez de procurar essas áreas periféricas. Por isso, defendo a revitalização da Vila Belmiro.

Comitê de Gestão
- Sobre uma reforma estatutária, são nove cabeças que não se entendem. E eu quando era vice-presidente do Conselho do Santos, sempre bati na tecla, desde 2010, que o Comitê de Gestão não seria benéfico ao futebol. O futebol exige decisões dinâmicas, ágeis. Não dá para esperar mais de uma semana para saber se um jogador vai ser contratado. Não estou sendo oportunista, porque já falava naquela época. Mas os conselheiros debutantes, emocionados, quiseram o Comitê. Faremos uma ampla reforma estatuária e vamos acabar com o Comitê, que atrapalha o Santos.

Relação com a torcida organizada
- Não escondo pra ninguém que sou oriundo de organizada. Tenho muitos amigos em organizadas. entendo que as torcidas fazem parte do espetáculo, as torcidas tem que ser auto suficientes. É incabível o clube ter de bancar as torcidas. Quando fui dirigente de organizada, nunca aceitei ajuda do Santos. Temos que ter parcerias, financiamento não. O associado da organizada tem que ser sócio do clube. Vamos criar um programa específico para esse torcedor organizado assim como o torcedor comum de volta a Vila Belmiro. Todos serão beneficiados da sua maneira específica.

Sócio Rei
- O programa é esdrúxulo, eu não passo de um sócio "bobo da corte". O torcedor acaba ficando de fora dos principais jogos do Santos. Em um jogo decisivo, você não consegue o ingresso nem semi, nem em final. Você tem que ser formado em Ciências da Computação para entender o sistema e conseguir um ingresso. Se você tiver presente em jogos com menos importância, terá prioridade em jogos mais importantes.

Futebol
- Já estamos trabalhando nesse sentido. Sabemos que vamos chegar e vamos encontrar o pior cenário possível, seja no futebol como no financeiro. Não posso citar nomes, mas já estamos trabalhando. Temos dois profissionais de mercado e que tem identificação com o clube. Eles já estão trabalhando para a montagem do clube. É absurdo o Santos ficar dez anos jogando o brasileiro por jogar, sem disputar o título. Não dá pra fazer lista de dispensa e colocar todos nela. Teremos é lista de contratação. Sobre Enderson (Moreira, técnico atual do Santos), ele é dedicado, mas não faz parte dos nossos planos. Já estamos em contato com outros profissionais que têm o nosso perfil.

Categorias de Base
- Com as carências do time principal, nós pretendemos utilizar a base. A gente tem de incentivar a molecada que tem o DNA santista e contratar jogadores que deem experiências aos jovens. Faremos uma mescla. Infelizmente não podemos citar nomes, mas já deixei bem clara a filosofia que implantaremos.

Amanhã, a última entrevista da série, com o candidato Modesto Roma. Fiquem ligados!