Santos 3 x 3 Cruzeiro - tristes e orgulhosos

Santos 3 x 3 Cruzeiro - tristes e orgulhosos

Raiva, tristeza, decepção, alegria e orgulho.

Os sentimentos se misturaram ontem na Vila Belmiro.

O Santos estava garantido na final da Copa do Brasil até os 34 minutos do primeiro tempo, quando, um minuto depois, o cruzeirense Willian destruiria o sonho de milhões de santistas.

O segundo gol cruzeirense foi um gigante balde de água fria na cabeça dos jogadores e torcedores santistas, e adiou o sonho da Libertadores para 2016.

Gol que saiu de uma jogada absolutamente despretensiosa, começando com um tiro de meta cobrado pelo goleiro Fábio, que caiu no errado cabeceio do zagueiro Bruno Uvini (que cabeceou para trás, para o miolo de zaga santista) e no posicionamento errado do zagueiro Edu Dracena, culminando no fim da esperança dos mais de 10 mil santistas que lotaram a Vila Belmiro.

Até este gol e a consequente desclassificação alvinegra, o Santos fazia partida impecável, com uma bela atuação, acuando o Cruzeiro em seu campo de defesa.

Não foi coincidência o gol avassalador de Robinho, logo no 1º minuto de jogo, em jogada iniciada por Eugenio Mena pela esquerda, que tocou para Rildo, o qual devolveu de letra para Arouca e passou para receber a bola lá na frente, disparando como uma flecha em direção ao gol celeste, até cruzar a bola rasteiro para dentro da grande área, sobrando ela nos pés de Gabriel, que apenas rolou para trás, para os pés do iluminado Robinho, que havia prometido fazer gol e cumpriu a promessa: Santos 1 x 0.

A ensandecida superioridade vestida de branco duraria pouco.

Até exatamente aos 8 minutos do primeiro tempo, quando o lateral Ceará entortava o lateral Eugenio Mena, em péssimo dia, e chutava com firmeza para as mãos escorregadias de Aranha (em um dia chuvoso, frise-se), sobrando nos pés do atacante Marcelo Moreno, para empatar a partida e transformar alegria em desespero.

Mas o Santos de Enderson Moreira era aguerrido e não desistiria tão fácil.

Até que aos 48 minutos do primeiro tempo, em um cruzamento na área do Cruzeiro, o atacante Rildo foi claramente deslocado dentro da área, impedido de chegar até a bola, e o pênalti foi corretamente assinalado pelo bom árbitro da partida.

Gabriel - e não Robinho, como todos imaginavam - cobrou com firmeza no canto esquerdo de Fábio e converteu, fazendo Santos 2 x 1 e aumentando as esperanças do torcedor santista para o segundo tempo.

O Santos jogava melhor, o Cruzeiro apenas se defendia, acuado dentro do Alçapão santista.

O segundo tempo começou morno, até que Robinho, sempre ele, iniciaria a jogada do terceiro gol santista, do meio de campo, passando a bola para Lucas Lima correr pelo meio e lançá-la na direita para o atacante Gabriel, que cruzaria a pelota de forma rasteira e certeira para os pés do veloz e imparável Rildo, para fazer o gol da classificação santista: 3 x 1.

Mas ainda eram 13 minutos do segundo tempo.

Havia muito jogo pela frente...

E o Cruzeiro, antes acuado, passou a atacar.

Mas, cansado, não conseguia transformar qualidade técnica em jogadas perigosas.

Até que, aos 34 minutos do segundo tempo, aconteceu o descrito logo no início do post...

O desastre, a tristeza, a desolação, a incompreensão, o absurdo...

O gol cruzeirense...

Daí em diante, as coisas ficavam cada vez mais difíceis para o Peixe, principalmente após as saídas de Robinho (Jorge Eduardo), Alison (Renato) e Eugenio Mena (Caju).

Geuvânio fazia muita falta, apesar de historicamente "sumir" em decisões.

E assim, indo para o tudo ou nada, o Santos ficou com o nada, levando o derradeiro gol aos 50 do segundo tempo, gol este que não merece sequer ser comentado, pois o alvinegro, naquela altura, já havia abdicado totalmente da defesa...

Final de jogo: 3 x 3 e muito sofrimento do lado santista.

Sofrimento este misturado por orgulho, por uma bela atuação contra o atual melhor time do Brasil, líder do Brasileiro, campeão mineiro e agora finalista da Copa do Brasil.

Uma vitória do Peixe na Vila Belmiro sob as águas da cidade de Santos seria um resultado mais justo, para carimbar a passagem do Cruzeiro à final.

Mas sabemos que no futebol não existe justiça, infelizmente, ou felizmente, pois é o que torna este esporte tão maravilhoso.

Aranha não estava em seus melhores dias, não fez nenhuma defesa espetacular e tudo o que chegou perto dele entrou.

Edu Dracena ganha todas pelo alto, mas continua perdendo quase todas pelo chão, principalmente por conta de sua alta idade, que lhe tira a velocidade para acompanhar atacantes rápidos.

Bruno Uvini ia bem até comprometer com o absurdo cabeceio para trás, que geraria o segundo gol cruzeirense e a desclassificação santista, quando a vaga já estava em nossas mãos.

Eugenio Mena fez uma de suas piores partidas com a camisa do Santos, demonstrando grande irregularidade, após atuar muito bem em outros jogos.

Cicinho correu muito, se esforçou, marcou, mas fez tudo "mal", errando passes, cruzando de olhos fechados, falhando na marcação, enfim, errando mais do que acertando.

Arouca foi o monstro de sempre, indispensável ao Santos.

Alison seguiu a linha de Arouca, com uma grande atuação defensiva.

Lucas Lima sumiu em praticamente todo o jogo, tendo apenas participado do terceiro gol alvinegro, ao armar a jogada do gol.

Rildo foi o melhor santista em campo ontem. Encarnou o Pelé. Armou toda a jogada do 1º gol, sofreu o pênalti que daria origem ao 2º gol e marcou o 3º gol. Perdeu gols, é verdade, mas em geral teve uma atuação brilhante, sua melhor até hoje com a camisa do Santos. Atleta mais criticado da equipe alvinegra, Rildo deu a volta por cima, provou que pode ser útil à equipe, e pode ter carimbado sua permanência no Santos para 2015.

Gabriel, com apenas 18 anos, é o novo "Neymar" da Vila Belmiro, tomadas as devidas proporções. Além de deixar Leandro Damião 90 minutos no banco de reservas, a mais recente joia santista marcou o segundo gol e participou ativamente do terceiro, dando assistência para Rildo.

Robinho, sempre ele, foi decisivo mais uma vez. Marcou o primeiro gol, cumprindo sua promessa e iniciou a jogada do terceiro gol alvinegro, até cair esgotado em campo na metade do segundo tempo. Com 30 anos, o menino Robson não é mais o mesmo fisicamente, mas pode ajudar muito a equipe a os novos meninos a evoluírem e se firmarem no time titular.

Enderson Moreira provou seu valor, fez o Santos jogar bem, atuando como uma verdadeira equipe de futebol, valorizando imensamente a parte coletiva, evitando o jogo feio e os chutões, respeitando o DNA ofensivo santista e terminando a partida com 4 meninos da Vila em campo (Robinho, Gabriel, Alison - Renato - e Caju). Com Enderson, a torcida santista tem certeza que este time está rendendo o máximo que pode, espremendo-se ao máximo todos os limões. Meus parabéns ao até agora excelente trabalho do técnico Enderson Moreira à frente do Peixe, que fez o time jogar de igual para igual com o Cruzeiro, e praticamente vencê-lo na Vila Belmiro. Só faltou mesmo a classificação...

Assim, triste, mas igualmente orgulhoso desta equipe e do bom trabalho do técnico Enderson Moreira, e com a esperança de um 2015 promissor para o Santos, encerro este post, lembrando à torcida santista que o Campeonato Brasileiro ainda não acabou, pois neste domingo vivenciaremos o clássico contra o Corinthians, no Itaquerão, as 19h30min.

Terminar a temporada com dignidade é o que resta ao Peixe, que a cada dia se aproxima de suas eleições, e consequentemente do troca-troca de cartolas, evento o qual será abordado com mais afinco pelo blog daqui para frente.

Compartilho minha tristeza com toda a torcida santista.

Mas igualmente o orgulho por todo o esforço desta equipe em nos trazer alegria.

Bola pra frente!