As últimas palavras de Odílio Rodrigues

Odílio Rodrigues

Presidente do Santos desde maio deste ano, quando Luís Álvaro de Oliveira Ribeiro, o LAOR, renunciou por problemas de saúde, Odílio Rodrigues falou ontem suas últimas palavras na condição de presidente.

Seu mandato, que correspondeu à gestão LAOR-Odílio, iniciou-se em 2010, com a montagem daquele fantástico esquadrão, e terminará no próximo sábado, sem Neymar, sem nenhum título, sem dinheiro, sem contratações de peso, antecipando as cotas de televisão de 2015 e atrasando salários.

Ontem, Odílio concedeu sua última entrevista coletiva à frente do Santos, que durou cerca de duas horas.

Disse que o Peixe passou a gastar menos do que arrecada e que evoluiu profissionalmente.

Paralelo a isso, presenciou a debandada do torcedor santista do estádio, com uma Vila Belmiro quase sempre vazia.

A gestão LAOR-Odílio assumiu o clube com R$ 86 milhões de dívida, e no sábado deixarão o clube com uma dívida de R$ 75 milhões - nada impressionante para uma gestão que se disse tão profissional.

Além dos citados R$ 75 milhões, o Santos também possui um débito de R$ 99 milhões, referente ao refinanciamento de antigas dívidas do passado, os quais precisam ser pagos até 2027 com o dinheiro arrecadado pela Timemania (loteria esportiva criada para ajudar os clubes a quitar seus débitos fiscais).

Se a gestão LAOR era marcada por pagar os salários rigorosamente em dia, a gestão Odílio se caracterizou justamente pelo constante atraso de salários, que levou a saída de importantes jogadores do clube, como o volante Cícero.

Comparativamente, em 2007, durante a gestão do ex-presidente Marcelo Teixeira, o clube arrecadava anualmente R$ 53,1 milhões. Hoje, em 2014 (até o fim de setembro) arrecada R$ 158,2 milhões - claro que fatores como o aumento dos valores recebidos em receitas de televisão e patrocínio influenciaram muito nesse processo, que atingiu positivamente não só o Santos, mas todos os clubes brasileiros nesse período pré Copa do Mundo.

Positivamente, a gestão LAOR-Odílio conquistou 6 troféus desde 2010 (3 Paulistas, 1 Libertadores, 1 Copa do Brasil e 1 Recopa Sul-Americana).

Outro ponto positivo foi a volta de Robinho ao Santos, devolvendo a esperança ao triste torcedor santista.

E assim termina, de forma melancólica, sem deixar saudades, a gestão Odílio-LAOR, que apesar dos títulos conquistados, não deixou nenhum legado ao clube, nem financeiro nem técnico.

O próximo presidente precisará recomeçar muitas coisas do zero, como a reformulação do programa de sócios, que aparentemente estagnou, a atração de torcedores do Santos ao estádio, a reforma completa da Vila Belmiro, ampliando sua capacidade e retirando os desnecessários camarotes atrás do gol, uma maior e programada utilização do Pacaembu, a obtenção de um patrocínio-master para a próxima temporada, a rediscussão com a Globo das partidas do Santos transmitidas na TV Aberta (o que acaba por atrair mais torcedores para o clube), a possível criação de uma liga de clubes (que hoje encontram-se enfraquecidos frente ao poder das federações e da Rede Globo), a reformulação da estrutura das categorias de base, a realização de uma parceria social com a Prefeitura de Santos buscando atrair torcedores mirins, o diálogo com as torcidas organizadas, para dar um basta às guerras no entorno da Vila Belmiro, tornando esses torcedores sócios do clube e não facilitando-lhes a compra de ingressos (como faz, por exemplo, o Borussia Dortmund), etc, etc, etc.

Muitos são os desafios para quem assumir o Santos Futebol Clube no próximo sábado.

Dos candidatos em questão, Fernando Silva e José Carlos Peres me parecem mais preparados para implementar as mudanças e a modernização que o clube tanto necessita, para voltar a ser respeitado no cenário nacional e, principalmente, internacional (aceito opiniões contrárias).

Mas essa questão da eleição, deixo para os sócios do Peixe que votarão no próximo sábado.

Estou certo de que votarão pelo melhor do clube.

Saudações alvinegras!