Sócio-torcedores: a solução para o Santos FC

Sócio-torcedores: a solução para o Santos FC

Os clubes brasileiros, em geral, passam por uma crise financeira e técnica sem precedentes na história recente.

No Rio de Janeiro, o tradicional Botafogo acaba de ser rebaixado para a segunda divisão, enquanto o Vasco acaba de subir para a primeira, em apenas 3º lugar.

O Fluminense acaba de perder seu patrocínio mais relevante, da UNIMED, a patrocinadora que bancava a montagem de grandes times, deixando agora o clube com recursos próprios e uma grande chance de figurar na zona de rebaixamento do Brasileiro no próximo ano, assim como o Flamengo, que hoje vive para pagar sua gigantesca dívida de R$ 800 milhões, montando times fracos.

Em São Paulo, o Palmeiras acaba de se safar por um fio da série B, enquanto o Santos atrasa salários, o Corinthians sofre pagar pagar seu estádio e o São Paulo aumenta a cada dia sua dívida.

No Rio Grande do Sul, o Internacional e o Grêmio, dois clubes que recebem pouquíssimo da Globo em cotas de televisão, conseguem montar bons times e se manter brigando por título e Libertadores graças a seus ótimos programas de sócio-torcedor.

Em Minas Gerais, Cruzeiro e Atlético Mineiro vão bem, obrigado, com muita competência para a montagem dos elencos e escolha dos técnicos, além de seguirem hoje o mesmo modelo dos clubes gaúchos, ou seja, apostar na renda trazida pelo sócio-torcedor.

Pode-se afirmar, portanto, que uma das válvulas de escape para a atual crise do futebol brasileiro encontra-se no investimento em programas de SÓCIO-TORCEDOR.

Peguemos o exemplo do Internacional, o clube brasileiro com mais sócio-torcedores, atualmente com 127.127.

O bom time formado pelo goleiro Dida, pelo volante Charles Aranguíz, pelos meias D'Alessandro e Alex e pelo atacante Rafael Moura foi montado quase que exclusivamente com base no dinheiro que vem do sócio-torcedor.

Porque o Internacional arrecada mensalmente com os sócio-torcedores incríveis 7 milhões de reais!

No ano de 2014, o Inter arrecadou R$ 85 milhões só com a renda dos sócio-torcedores!

O referido valor é maior do que, por exemplo, a cota de televisão de 2015, que o Santos antecipou, no valor de R$ 43 milhões!

Supera também imensamente o patrocínio-master que o Santos conseguiu para o ano de 2015, no valor de R$ 18 milhões.

Vejam, meus amigos, que grande potencial tem a renda vinda dos sócio-torcedores, isto é, dos verdadeiros apaixonados pelo clube!

A esperta diretoria do Cruzeiro, percebendo a importância dessa fonte de renda, já se tornou o 3º clube com mais sócio-torcedores no país, ultrapassando Corinthians, Palmeiras e Santos (clube praiano que costumava ocupar a 3ª posição, mas estagnou).

O mal-gerenciado Palmeiras também está seguindo o mesmo caminho, e já ocupa a 5ª posição com maior número de sócios no país.

Conseguir sócio-torcedores para o clube, meus amigos, é portanto uma grande saída para que os clubes voltem a ter força financeira para disputarem de forma igualitária o Campeonato Brasileiro (enquanto não se redefine critérios justos para a distribuição das cotas de televisão).

No mundo do futebol, o Benfica é o clube com maior número de sócios no mundo, contabilizando 240 mil associados, os quais representam 4% do total de sua torcida.

No Brasil, os clubes com maior potencial de angariar sócio-torcedores são Flamengo e Corinthians, justamente por conta do tamanho de suas torcidas.

Se o Flamengo, por exemplo, que conta hoje com 52.369 sócio-torcedores, quantia correspondente a 0,17% de sua torcida, estimada em 32,5 milhões, atingisse o nível do Benfica e conseguisse ter 4% de sua torcida como sócios, o número de associados seria de 1,3 milhão e o clube conseguiria uma receita estimada de inacreditáveis R$ 468 milhões!

O Corinthians, na mesma lógica, poderia arrecadar R$ 393 milhões por ano, caso conseguisse os 4% de sua torcida como sócios.

O Santos, com 4% de sua torcida como sócios, ou seja, algo em torno de 200 mil pessoas, arrecadaria cerca de R$ 72 milhões anuais.

Presenciamos, portanto, novamente uma situação em que, se os clubes com maior torcida soubessem trabalhar seu programa de sócio-torcedores, os times com menor torcida seriam por ele esmagados.

No entanto, enquanto Flamengo e Corinthians não "acordam", o Santos, que engatou um ótimo programa de sócio-torcedor com o "sócio-Rei" na era Neymar, precisa voltar a apostar na força de seu associado, que pode sustentar o clube com uma grande renda mensal daqui para frente.

Segue abaixo a lista atual, consultada hoje no site "Movimento Por Um Futebol Melhor", dos clubes com maior número de sócio-torcedores no Brasil:

1º - Internacional: 127.127
2º - Grêmio: 80.284
3º - Cruzeiro: 67.154
4º - Corinthians: 64.452
5º - Palmeiras: 64.115
6º - Santos: 56.947
7º - Flamengo: 52.318
8º - São Paulo: 37.353
9º - Atlético Mineiro: 35.539
10º - Bahia: 24.021
11º - Fluminense: 23.272
12º - Santa Cruz: 20.524
13º - Sport: 15.169
14º - Vasco: 15.110
15º - Chapecoense: 11.258
16º - Joinville: 10.537
17º - Grêmio Osasco: 10.118
18º - Ceará: 9.511
19º - Botafogo: 8.488
20º - Vitória: 7.722

OBS 1: Não é coincidência que 5 dos 9 clubes com mais sócio-torcedores no país estejam classificados para a Libertadores de 2015.

OBS 2: Não é coincidência que clubes com poucos sócio-torcedores, como Criciúma, Vitória e Botafogo, tenham sido rebaixados para a segunda divisão em 2015.

OBS 3: Não é coincidência que os clubes que ascenderam à primeira divisão em 2015 possuem programas de sócio-torcedor promissores, como Joinville (16º colocado na lista acima e campeão da série B), Avaí (21º na lista acima) e Ponte Preta (23º na lista acima).

OBS 4: Não é coincidência que o grande número de sócio-torcedores do pequeno Santa Cruz (13º na lista), clube pernambucano de Recife, o levasse em poucos anos da série D à série B, onde terminou este ano em 9º lugar.

E não basta aumentar o programa de sócio-torcedor: é preciso aumentar com qualidade.

Muitos sócios reclamam muito, e com razão, do precário sistema de compra online de ingressos, que costuma travar frequentemente, principalmente na compra de ingressos para jogos concorridos, como clássicos.

Outros sócios simplesmente não tem grandes benefícios, como por exemplo estudantes, que pagariam meia-entrada de qualquer forma sendo ou não sócios (e acabam optando pela segunda opção).

Diz-se que o torcedor do Santos é, dentre todas as torcidas, aquele com mais capacidade financeira (com mais grana).

Mas é preciso saber trabalhar essa informação com sabedoria, investindo pesado em marketing (como pretende o atual presidente) e no aprimoramento e expansão do programa sócio-torcedor.

Que todas as minhas considerações, observações e análises ecoem na cabeça da nova diretoria do Santos, para que esta olhe com carinho para seu programa de sócio-torcedor, buscando aumentar cada vez mais seu número de associados!