A troca de Thiago Ribeiro

A troca de Thiago Ribeiro


Em poucas horas, o Santos deve oficializar com o Atlético Mineiro a troca do atacante Thiago Ribeiro (29 anos) pelo zagueiro Emerson (31 anos) e pelo meia Giovanni Augusto (25 anos).

Será a troca do ódio: tanto a torcida do Peixe (grande parte) quanto a do Galo "odeiam" os três atletas.

O ódio a Thiago Ribeiro acontece por um único motivo: ele não sabe finalizar - pecado mortal no time que mais marcou gols no futebol mundial.

Além disso, a atual diretoria santista busca a contenção de gastos, e o salário do atacante, em torno de R$ 220 mil mensais, é considerado alto na Vila Belmiro.

Outra possível razão para o desfazimento de Thiago Ribeiro é a vontade da diretoria dar mais oportunidades ao atacante Marquinhos Gabriel, contratado para a posição por empréstimo até o final do ano.

O atacante santista começou o ano na reserva de Geuvânio, e seguiu por lá desde então, fazendo com que o custo benefício de sua manutenção nas praias santistas se tornasse inviável.

Geuvânio, aliás, vem nos últimos jogos apresentando péssimas atuações, com erros constantes de finalização, passe e drible, mas isso é outra história... (nunca vi o moleque como craque, mas sim como um bom jogador, que ainda tem muito a evoluir, mas que aparentemente parou de treinar os fundamentos).

O momento mais marcante de Thiago Ribeiro no Santos foi a excelente atuação e os dois gols em cima do Corinthians, na antológica vitória por 5 x 1 na Vila Belmiro, em 2014.

De lá para cá, suas atuações foram piorando, apesar da boa qualidade técnica nos passes e lançamentos, velocidade e boa visão de jogo, além de auxiliar na marcação.

O problema de Thiago é mesmo as finalizações, e disso os santistas cansaram de ver.

Por isso a troca.

E quem afinal são os atleticanos Emerson e Giovanni Augusto?

Em 2014 o defensor Emerson disputou apenas 2 jogos com a camisa do Galo, permanecendo o resto do ano no departamento médico, após fraturar o tornozelo direito enquanto enfrentava o Nacional de Muriaé, pelo Campeonato Mineiro (viu de lá seu time ser campeão da Recopa Sul-Americana e da Copa do Brasil).

No total de 2 anos vestindo as cores do Atlético Mineiro, Emerson realizou apenas 13 partidas!

Tecnicamente, porém, dizem os torcedores do Galo ser um bom reserva.

Na minha visão, a contratação do veterano Emerson será uma grande burrada da atual diretoria santista, tanto pela altíssima chance do atleta viver no departamento médico quanto pela desnecessidade de sua contratação em um time que já conta com David Braz, Werley e Gustavo Henrique para a posição.

Aliás, a vinda de Emerson tirará ainda mais oportunidades do promissor zagueiro Gustavo Henrique, assim como a vinda do fraco atacante Marquinhos Gabriel barrou a inscrição do promissor atacante Diego Cardoso no Campeonato Paulista.

Até porque, entre Emerson e Jubal, prefiro o segundo.

Mas se a diretoria prefere o primeiro... precisaremos aceitar.

O meia Giovanni Augusto, de 25 anos, é um caso à parte.

A torcida atleticana o odeia por outro motivo: ele acionou o clube na Justiça buscando a liberação antecipada de seu contrato (o atleta diz que seu contrato com o Galo iria até maio, enquanto o Galo diz que iria até dezembro).

Com a discussão na justiça, o comportamento da torcida atleticana foi previsível (assim como em geral acontece com todas as torcidas): repúdio absoluto ao jogador.

Futebolisticamente falando, Giovanni Augusto obteve grande destaque no Figueirense em 2014, onde atuava emprestado pelo Atlético Mineiro.

Jogando em Santa Catarina, o meia - que lá vestiu a camisa 10 - sagrou-se campeão catarinense e terminou a temporada como destaque do Figueira, o qual finalizou o Campeonato Brasileiro na 13ª posição.

De quebra, Giovanni marcou um gol inesquecível que ficará para a história: o gol da vitória do Figueirense sobre o Corinthians, no primeiro jogo oficial do alvinegro da capital no estádio.

Só esse fato já rende ao meia vários pontos com a torcida santista.

Mas devemos cautelosamente levar em consideração o fato de Giovanni, cria da base do Atlético, nunca ter se destacado nos clubes por onde passou emprestado (Náutico em 2010, Grêmio Barueri em 2011, Criciúma em 2012, Náutico e ABC em 2013), com a única exceção do Figueirense, ano passado.

O fato, todavia, é que o Santos busca há tempos no mercado um substituto para o meia Lucas Lima.

Precisamos de um reserva para nosso camisa 10 legítimo (porque a camisa 10 santista foi entregue, sem qualquer motivo, ao jovem Gabriel).

A respeito da troca, vejo torcedores santistas dizendo que o Santos saiu em vantagem, outros dizendo que o Atlético saiu favorecido, e outros afirmando que a troca foi boa para as duas equipes.

Na minha opinião, quem sai ganhando na troca é o Atlético Mineiro.

O Santos dará adeus a Thiago Ribeiro, um jogador técnico porém caro, com sérios problemas nas finalizações e de baixo custo-benefício, enquanto o Atlético comemora sua chegada, onde poderá apresentar um bom futebol.

Mas talvez não fosse o momento do Santos se desfazer do atacante (pelo menos até o fim do Campeonato Paulista), considerando que no momento Geuvânio tem apresentado péssimo futebol, e não encontra substituto à altura no banco de reservas. Ponto positivo para o Galo.

A vinda do indisciplinado Emerson preterirá ainda mais o futebol do promissor Gustavo Henrique, enquanto o Atlético apenas comemora sua saída. Ponto positivo para o Galo.

A chegada do meia Giovanni Augusto é uma aposta, que pode ou não dar certo, e o Atlético não queria sua saída. Ponto positivo para o Peixe.

No placar final, Galo 2 x 1 Peixe.

O Atlético ganha experiência, o Santos ganha esperança.

Mas é importante que se diga: só o tempo dirá quem ganhou com a troca.

Pelo menos não trocaram o Thiago pelo Pierre...

ERRATA: o blog errou ao confundir os atletas Emerson (zagueiro) com Emerson Conceição (lateral-esquerdo). A falha já foi corrigida no post. Importante lembrar que o zagueiro Emerson não é rejeitado pela torcida do Galo, que o considera um bom reserva - nem foi suspenso junto com André e Jô.