A revolta dos santistas contra a Globo

Revolta dos santistas contra a Globo


Galera, compartilho com vocês a revolta contra a Globo.

Mas devo lembrar que o Santos, em 2011, na gestão LAOR, aceitou, por livre e espontânea vontade, assinar com a Globo um contrato cedendo a ela os direitos de transmissão de suas partidas, por um valor baixo (permitindo assim a discrepância em relação a Flamengo e Corinthians).

Não é à toa que os dirigentes santistas fazem vista grossa aos protestos do torcedor contra a Globo.

Nossos dirigentes foram extremamente omissos - e ainda o são - quanto a isso.

E o Santos recebe hoje dinheiro da Globo, desse contrato assinado em março de 2011, que vai até 2018 (salvo engano), tendo inclusive adiantado todo o dinheiro da televisão a que teria direito em 2015 (amarrando-se ainda mais ao contrato).

Quanto menos pessoas assistirem ao Santos, menos dinheiro o clube receberá da emissora, menos a emissora transmitirá os jogos do clube em TV aberta e menos patrocínios o clube conseguirá (por conta da pequena exposição), e isso vale tanto para a TV aberta quanto para o SPORTV e Pay-per-view.

E pior: sem jogos na TV aberta, o número de torcedores jovens do clube tende a diminuir (essa é a razão, por raciocínio inverso, de haver tantos torcedores do Flamengo nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, porque lá a Globo só passa jogos do Flamengo!).

É consenso que nenhum santista concorda com a forma como a Globo distribui atualmente o dinheiro pelos direitos de transmissão, mas não assistir ao Santos é dar um tiro no pé (assistir na Band, um canal de comentaristas corintianos que recebe as transmissões justamente da Globo, por cessão, dá no mesmo).

Precisamos de dirigentes com coragem para bater de frente com a emissora mais poderosa do país e criar uma liga de clubes, para negociar os direitos de transmissão a partir de 2018 em um sistema igualitário, próximo ao que vemos na Inglaterra e na Alemanha, sob pena de, daqui a uns 20 anos, o Campeonato Brasileiro se transformar em um Campeonato Espanhol, com apenas 2 times ricos e poderosos (lembrando que times com dinheiro ganham campeonatos, como o Fluminense da Unimed, o Palmeiras da Parmalat e o Corinthians da MSI).

Além disso, precisamos de dirigentes que percebam a importância de um programa forte de sócio-torcedor para o Santos Futebol Clube, a única maneira segura de tornar um clube absolutamente independente e auto-suficiente (vejam como exemplos o Cruzeiro e o Internacional, a quem a Globo paga menos do que ao Santos).

Compreendo ser absolutamente legítimo o fato do torcedor santista estar revoltado com o fato da Globo ter transmitido em TV aberta apenas uma partida do Santos no Campeonato Paulista de 2015 (contra o Palmeiras, na Vila Belmiro), mas os dirigentes santistas venderam a alma para o diabo, em 2011, e hoje este a administra de forma absolutamente arbitrária, e a culpa disso tudo é única e exclusiva dos dirigentes do Peixe, tanto de LAOR, que assinou o nefasto contrato em 2011, quanto de Modesto Roma, que permanece omisso.

Dito tudo isso, falo com todas as letras e sem medo de errar: assistam aos dois clássicos entre Santos e Palmeiras na Rede Globo de Televisão.

Pois se o Santos conseguir dar à Globo uma boa audiência, os dirigentes alvinegros terão ótimos argumentos para questioná-la e pressioná-la caso se recuse novamente a transmitir jogos do Peixe (como fez ao não transmitir  Santos x XV de Piracicaba pelas quartas-de-final do Paulista, marcada para domingo as 16 horas, que rendeu apenas uma leve ironia do presidente Modesto Roma...).

Conseguindo uma boa audiência na televisão aberta, o Santos ganhará mais dinheiro de seus patrocinadores, pois estará mais visível aos olhos do público, conquistando mais torcedores, e, logo, sócio-torcedores, e, portanto, mais dinheiro.

Não dar audiência para a Rede Globo de Televisão, emissora para a qual o Santos Futebol Clube cedeu os direitos de transmissão de seus jogos até 2018, é um tiro no pé, um atentado contra o próprio clube.

Quem manda na Globo é a audiência.

E se mandarmos na audiência, mandaremos na Globo.

Pensem nisso.

E bora levantar o troféu de campeão Paulista em 2015!

- mais sobre o assunto neste ótimo artigo do excelente jornalista santista Odir Cunha, publicado em 2011, quando o Santos assinou o contrato com a Globo. Odir, aliás, por várias vezes levantou campanhas para o torcedor santista não assistir aos jogos na Globo, postura com a qual este blogueiro não concorda.